Até bem pouco tempo atrás, o vocabulário de Lucy Rohden era bem diferente do de hoje, que mistura o glamour das passarelas e os flashes de fotógrafos famosos. Palavras como roçar e carpir faziam parte do dia-a-dia da catarinense de 19 anos, que antes de se tornar modelo internacional, fez de tudo um pouco. Até mesmo trabalhar como bóia-fria no sudoeste do Paraná, onde ainda mora a sua família.
Nascida em Joinville, Lucy foi ainda pequena para Nova Esperança do Sudoeste. Por lá, o trabalho na roça, com ela mesmo diz, começou para ajudar nas terras da família. Por conta das dificuldades financeiras e a esperança de mais trabalho, acompanhou o pais e irmãos numa empreitada além das fronteiras brasileiras e foi morar no Paraguai.
A promessa de uma vida melhor acabou não vingando em terras paraguaias e a família voltou Paraná, desta vez para Ampére. Mas durante o ano que passou por lá, Lucy, além do trabalho no sítio, trabalhou como garçonete, doméstica e babá. Também aprendeu espanhol e a costurar. ''Gosto de aprender e tenho capacidade. As pessoas não podem tirar de você o conhecimento'', diz a modelo.
''Nunca sonhei em ser modelo, mas algumas amigas me incentivaram a participar de uma seleção em Maringá'', conta Lucy, que tem 1,79m. De lá para cá já se vão oito meses no mundo da moda. No início do ano, com o convite de uma agência paulistana nas mãos, largou o emprego de secretária numa escola de inglês, onde também aprendeu o idioma e chegou a dar algumas aulas para crianças, emprestou dinheiro e partiu para São Paulo.
Em duas semanas foi mandada para trabalhos em Nova York. Aliás, um dos seus primeiros trabalhos rendeu 30 mil dólares. ''Já deu para ajudar bastante a minha família. Eu sempre digo para os meus pais que sou modelo porque gosto e o dinheiro é para eles que já trabalharam muito'', explica Lucy, que tem dois irmãos mais velhos que moram no Mato Grosso e outros dois irmãos mais novos que estão com os pais em Ampére.
Ao contrário de grande parte das modelos que sempre viaja acompanhada da mãe, Lucy sempre viajou sozinha. ''Minha mãe tem que ficar com meus irmãos menores'', diz. Depois de Nova York, já foi para Barcelona onde fez uma campanha para a grife Pepe Jeans. Em outubro, deve embarcar para o Japão para uma temporada de três meses de muitos trabalhos.
''Eu me adapto muito fácil e adoro viajar e conhecer pessoas diferentes'', conta Lucy sobre o que mais gosta na profissão. Os pontos negativos? ''A gente vira escrava do corpo, tem que seguir as medidas, evitar doces e gordura'', lembra. ''Antes eu comia, mas também trabalhava muito'', diz a modelo, que não faz ginástica.
Sem qualquer vergonha de ter sido bóia-fria, Lucy até aproveita o passado para ganhar mais evidência. Por conta disso, já foi entrevistada por Jô Soares e Adriane Galisteu. ''Todo mundo metia medo em mim antes de eu ir ao Jô, mas depois que eu o conheci achei muito simpático. Ele até disse que foi um prazer muito grande me conhecer. Fiquei emocionada porque eu sempre o via na televisão'', lembra.

mockup