De duração mais curta que os cursos tradicionais e voltados para as exigências do mercado, os Cursos Superiores Tecnológicos (CST) são uma opção cada vez mais procurada pelos estudantes. No Brasil, o número de CSTs cresceu 96,67% somente entre 2004 e 2006, conforme dados do Ministério da Educação (MEC). Na região Norte do Paraná, mais de 15 novos cursos tecnológicos foram criados nos últimos três anos.
Apesar do crescimento, a modalidade ainda é desconhecida e frequentemente confundida com os cursos técnicos. ''Os CSTs são cursos de graduação, assim como os bacharelados e licenciaturas. Os tecnólogos podem fazer pós-graduação e prestar concursos públicos como qualquer pessoa que se forma em nível superior'', esclarece a diretora-geral da Faculdade do Norte Novo de Apucarana (Facnopar), Rosiana Cilião Sacchelli.
Além da duração - dois anos, em média - os cursos tecnológicos se distinguem dos tradicionais por serem menos abrangentes e priviligiarem a aplicação dos conhecimentos a processos, produtos e serviços. ''Eles são mais práticos, focados no 'fazer', no 'executar'. Têm a capacidade de inserir os formandos mais rápido no mercado de trabalho porque são mais específicos'', ressalta a coordenadora de cursos tecnológicos da Faculdade de Jandaia do Sul (Fafijan), Marilda da Silva Bueno.
Como visam atender necessidades do mercado, geralmente os CSTs são criados com base em demandas regionais. Entre os cerca de 100 cursos tecnológicos cadastrados pelo MEC, há por exemplo o de Tecnologia em Produção de Cachaça, oferecido em Salinas (MG) - pólo produtor de aguardente - e o de Tecnologia em Viticultura e Enologia, disponível na cidade gaúcha de Bento Gonçalves - conhecida pela fabricação de vinhos.
No campus recém-inaugurado da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) em Londrina, a criação do primeiro curso superior - Tecnologia em Produção de Alimentos - levou em conta a carência de profissionais na indústria alimentícia, forte na região. ''A equipe de implantação fez um levantamento baseado em estatísticas e entrevistas com órgãos como a Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná). A empregabilidade para quem sai desse curso é grande, já que hoje os profissionais de alimentos vêm de fora'', afirma a coordenadora do curso, Margarida Yamaguchi.
Segundo a coordenadora da Fafijan, o perfil dos alunos que buscam os cursos tecnológicos é variado: muitos saíram direto do Ensino Médio, enquanto outros já possuem diploma de ensino superior em cursos tradicionais e encaram os CSTs como uma especialização. ''Há também os que pararam de estudar há muito tempo e já trabalham, mas se reanimaram a fazer faculdade por causa da duração menor dos cursos'', diz.

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