No ano passado, quando em menos de um mês criou e confeccionou a roupa de 16 das 17 candidatas ao título de Rainha da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, Lucilene Jacomel Mattos prometeu si mesma – e ao marido – que em 2000 seria diferente. Aceitaria fazer, no máximo, quatro trajes. Mas na sexta-feira, quando as 14 concorrentes subirem ao palco montado no Londrina Country Club, a estilista estará vestindo 12 delas. E torcendo para quebrar seu próprio recorde, elegendo mais uma rainha, pelo 9º ano consecutivo.
Com Licenciatura em Ciências e Matemática e pós-graduada em Estilismo em Moda, Lucilene Mattos começou a atuar no ramo de confecção há 23 anos. Há 16 começou a explorar as possibilidades do couro e há 10 veste as candidatas ao concurso de Rainha da Exposição. Sua fama como estilista country se espalhou e hoje ela atende não apenas as concorrentes de Londrina, mas também as da exposição de Maringá e de todo o circuito de rodeio da região dessas duas cidades e ainda de Jacarezinho, Lupionópolis, Santo Antônio da Platina, Andirá e Ribeirão do Pinhal. ‘‘Semana passada elegi a 63ª rainha’’, orgulha-se Lucilene, referindo-se à vitória, em concurso, de mais uma candidata vestida por ela. O segredo? ‘‘Meu trabalho é extremamente artesanal. Sai ano e entra ano e eu nunca repito. Crio a roupa de acordo com o gosto, o tipo físico e a personalidade da garota’’, explica.
Embora não confeccione apenas roupas de couro, é na temporada de exposições agropecuárias e rodeios que Lucilene é mais requisitada. Além dos 14 funcionários fixos, precisa da ajuda de pelo menos mais seis e chega a atravessar noites trabalhando. Apesar da correria, a estilista segue, ano após ano, o ritual que envolve os concursos.‘‘Tudo é feito no maior sigilo’’, diz. Cada candidata é atendida em uma sala fechada, onde são discutidos todos os detalhes da roupa. ‘‘Antes de uma nova candidata entrar, tenho que limpar toda a sala, não deixando nem um fiapinho que possa sugerir alguma coisa, por mínima que seja, sobre a roupa da anterior’’, exemplifica.
Segundo Lucilene Mattos, a paixão pelo couro foi o principal motivo que a levou a seguir por essa trilha, no mundo da moda. Entretanto, ela reconhece que o fato de ter passado a infância na fazenda dos pais, Ricieri e Yolanda Jacomel, em Paranavaí, também influenciou na opção. ‘‘Minha vida era em cima de um cavalo. Vacinava gado, enfim, era um verdadeiro peão’’, brinca. E confessa que tem muita saudade da vida no campo.
Cada traje custa, de acordo com o material e os aviamentos utilizados, entre R$ 1.000 e R$ 3.000. O mais caro que Lucilene confeccionou até hoje foi para uma garota de Maringá. Mas isso é tudo o que ela pode contar. Nem os filhos – Rafael, de 22 anos, Renato, de 20 e Rubens Alan, 19 – têm acesso a esse e outros ‘‘segredinhos’’ que envolvem o trabalho da mãe.
Álvaro Delmiro Mattos, o marido, ex-engenheiro agrônomo e economista, hoje administra a confecção de Lucilene. E a perspectiva é de expansão. ‘‘Há três anos passamos a confeccionar também a linha festa’’, informa a estilista, acrescentando que a intenção é ‘‘fazer as noivas saírem do tradicional’’. ‘‘Por trás de tudo está a minha necessidade de arrojar, de fugir da mesmice’’, conclui.

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