Correndo atrás dos sonhos
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sábado, 09 de fevereiro de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Persistente. Com certeza, esse é o adjetivo mais adequado para definir o ator e cantor Fernando Cursino. Radicado em São paulo, o londrinense de 31 anos aprendeu desde cedo a perseguir seus sonhos e trabalhar duro para torná-los realidade. Uma de suas últimas realizações - que lhe trouxe alegria extrema - foi subir ao palco e cantar com Ivete Sangalo, no Rio de Janeiro, às vésperas do Réveillon. E a primeira foi partir sozinho para São Paulo aos 19 anos, para trabalhar como ator.
Cursino conta que morou em Londrina até os 7 anos. Por causa da profissão do pai, acabou se mudando e passando por diversos locais. Foi em Guarapuava, aos 9 anos, que surgiu a oportunidade de participar de um grupo de teatro no colégio. "Fui me interessar pelo teatro aos 12 anos, quando ganhei um prêmio de melhor ator em um festival de teatro em Cascavel. Acabei me encantando com a possibilidade de carreira artística e quis fazer Malhação, Chiquititas. Eu queria fazer tudo", diz rindo.
Aos 12 anos, após perder a mãe, ele voltou para Londrina para morar com os tios e estudou na Escola Municipal de Teatro. Aos 16 anos foi convidado para fazer um musical e se apaixonou pela música. "As pessoas me incentivaram a cantar, a fazer teatro. O teatro foi uma terapia para mim. Também fiz aula de música com a dona Walkyria Ferraz, quando passei a gostar ainda mais de cantar."
Por dois anos Cursino integrou o Grupo Chorus, com o qual foi fazer uma especialização em São Paulo, na Casa de Artes Operária, uma casa de teatro musical. Foi lá que ele acabou tendo contato direto com pessoas que trabalhavam com musicais e conheceu "O Fantasma da Ópera", peça fundamental na sua decisão pela carreira artística.
"Eu tinha 18 para 19 anos, as pessoas me mandavam fazer faculdade e diziam que depois de formado eu viria para são Paulo tentar carreira, só que eu fui contra todo mundo. Eu estava prestando (vestibular) para arquitetura e a data caiu no mesmo dia do teste para 'Miss Saigon', tive que escolher. Sigo a frase 'prefiro tentar e dizer que tentei do que morrer na incerteza de não ter tentado'. Vim para São Paulo mesmo, contra a vontade de todo mundo. Eram oito mil candidatos para 44 vagas e eu acabei passando. Vim de mala e cuia, sozinho e cá estou há 12 anos", conta.
FALABELLA
A peça ficou em cartaz por um ano e meio. Cursino diz que ao terminar a temporada, ficou sem trabalho e sem dinheiro, mas voltar para Londrina não era uma opção. Ele começou a trabalhar em festas infantis até conseguir uma vaga no musical "Zorro", com direção de Homem Jarbas de Melo, juntamente com Roberto Lage. Logo depois vieram "Aladim", "Garotos Noturnos", "Píramo e Tisbe", entre outros, até que em 2015 surgiu uma oportunidade de trabalhar sob a direção de Miguel Falabella, no musical "Memórias de um Gigolô".
"Eu tinha entrado no musical para fazer coro. Só que o Miguel gostou tanto do meu trabalho que me colocou como substituto e alternante do Marcelo Serrado. Na época ele estava fazendo aquele programa Tomara que Caia, na Globo, então não fazia a peça nos sábados à tarde e domingos. O Miguel tinha um outro substituto, obviamente, mas ele não estava dando conta. Ele fez um teste comigo e disse: 'quero que aprenda três músicas' e como eu sou um pouco abusado, eu aprendi todas as músicas, todas as falas, todas as coreografias", conta.
Da experiência, Cursino se lembra de quanto Miguel Falabella é acolhedor e extremamente exigente. "Ele quer extrair o melhor de você. Ele é uma pessoa que não perde tempo, trabalha com quem ele acredita e tem potencial de desenvolvimento teatral, canto. É muito generoso, acolhe as pessoas, é um baita de um profissional, que faz com que você tenha prazer em ser artista."
MUDANÇA
O último musical de Cursino foi "My Fair Lady, quando teve algumas decepções e repensou sua carreira. Como já compunha, o ator decidiu investir em sua carreira solo como músico. "A maioria das músicas que eu componho tem a ver com a minha vida, eu falo pensando no que as pessoas têm vontade de falar. Acredito que nós, como artistas, temos uma grande missão que é transformar a alma através daquilo que a gente gosta de fazer. A gente pode transformar a vida de uma pessoa, assim como a Ivete Sangalo transformou a minha.
O ano era 2000 e Cursino enfrentava uma depressão por causa da perda da mãe, no ano anterior. Já morando em Londrina, foi até a ExpoLondrina com os primos assistir a um show de Ivete Sangalo. "Eu me apaixonei perdidamente pelo trabalho dela, pelo jeito dela, que me inspiram muito. Naquela uma hora e meia do show dela eu esqueci dos meus problemas, esqueci que tinha perdido a minha mãe, esqueci que eu estava depressivo e fui feliz 'pra caramba', pulando igual criança. Foi ali que começou minha ligação com a Ivete."
Fã da cantora, ele alimentou o sonho de cantar com ela até o ano passado, quando finalmente pôde realizá-lo. Mas antes desse momento, Cursino passou por alguns outros percalços, que na verdade ajudaram a impulsioná-lo para correr atrás da realização de mais um sonho.
REDES SOCIAIS
Ele conta que durante oito anos participou de eventos de uma grande marca de cosméticos, onde não só cantava como também falava justamente sobre a importância de correr atrás dos sonhos. Em 2018, excepcionalmente, ele não foi convidado já que, devido a uma data especial da empresa, decidiram promover algo diferente. Ao mesmo tempo, ele foi convidado para fazer um show nos Estados Unidos, mas depois de providenciar passaportes e vistos para ele e os músicos, acabou ludibriado pelo produtor norte-americano, que não assumiu os custos do processo.
Surgiu então o desejo de compor uma música de sucesso, que pudesse rodar o mundo. Ele compôs "Latino Brasileira", em espanhol e português, pensando justamente em convidar Ivete para cantar a parte em português. O músico promoveu uma campanha nas redes sociais para chamar a atenção da cantora, que faria um show em São Paulo, em dezembro.
"A campanha teve um alcance nacional, chegou até o empresário dela, mas ele avisou que estava muito em cima da hora. Aí coincidiu de eu ir passar o Ano Novo no Rio de Janeiro, na casa de amigos, e eu cheguei lá dia 28 de dezembro, quando ela ia fazer um show na Marina da Glória", lembra.
SONHO
Por sugestões de fãs da cantora, Cursino levou um cartaz tentando chamar a atenção de Ivete e ser convidado a subir no palco. Quando os fãs viram o cartaz, passaram a chamar a atenção da cantora para convidá-lo a cantar junto. Ela atendeu aos pedidos e foi assim que ele pôde realizar um dos seus grandes sonhos.
"Eu estava super nervoso, era uma mistura de sentimentos, estava realizando um sonho com alguém que tinha mexido muito com a minha vida. Deu vontade de chorar, de abraçar mais forte ainda do que eu abracei, e ao mesmo tempo vontade de cantar. Ela foi muito carinhosa, eu cantei com ela e teve repercussão, os fãs dela me apoiam, pedem para ela me apadrinhar. Pessoas que não acreditavam muito nesse meu sonho, por causa da campanha, vieram me dar os parabéns. Por ter ido atrás e tornado realidade, agora a vida está abrindo portas maravilhosas, estão surgindo novos parceiros", descreve.
Cursino tem viajado pelo País para divulgar suas músicas, graças também ao carinho das fãs consultoras de beleza que angariou durante os eventos empresariais. Ao mesmo tempo continua investindo no projeto de gravar sua música junto com Ivete Sangalo e tem mantido contato com a equipe de uma cantora londrinense, para desenvolverem uma parceria.
"Não costumo muito ir para Londrina, mas gostaria de fazer um show aí. Acho que as pessoas precisam valorizar mais quem é da própria terra. Se surgir um convite, vou cantar aí", promete.


