Coração espanhol
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sábado, 21 de junho de 2014
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
Atuar dentro do Estádio Santiago Bernabéu, do clube espanhol Real Madrid, é o sonho de muitos jovens que desejam se tornar jogadores de futebol. Porém, foi uma nutricionista de Londrina que conseguiu realizar o feito de trabalhar na sede do clube de futebol mais rico do mundo. Flávia Hernandez Fernandez, de 38 anos, é natural de Cornélio Procópio, vive em Londrina desde a adolescência e teve o privilégio de trabalhar em um restaurante dentro do Santiago Bernabéu. Segundo ela, a conquista do emprego aconteceu em um golpe de "sorte". "Quando eu cheguei em Madri eu não tinha trabalho. Fui para estudar. Quando fui buscar emprego eu já conhecia o estádio e, por curiosidade, fui ver se eles precisavam de alguém. Coincidentemente, tinha uma nutricionista que estava entrando em licença maternidade então comecei a trabalhar cobrindo essa licença", explica.
O trabalho inicialmente temporário evoluiu e Flávia passou cinco anos trabalhando no clube. "Eles têm três restaurantes dentro do estádio. E eu fui para gerência de um deles, o Real Café Bernabéu, onde atuei com consultoria na área de nutrição e controle de qualidade. Também trabalhei com eventos dentro do próprio Real Madrid", complementa. Quando saiu do clube, Flávia atuou ainda em Madri em uma empresa com mais de 400 restaurantes no mundo todo. Além disso, a nutricionista teve, por três anos, um catering na cidade e um restaurante em Cádiz, no Sul da Espanha.
Apaixonada pela Espanha, especialmente por Madri, sua cidade do coração, Flávia conta que sempre teve o sonho de morar fora do Brasil. Filha de pai espanhol, ela explica que essa vontade surgiu por influência da família, já que seu vínculo com a Espanha é bastante forte. "Meu pai veio de lá com 33 anos. Por isso, sempre tive muita ligação com a Espanha. Desde pequena sempre li muitos livros em espanhol, a música em casa era sempre espanhola, além do contato com meus tios que sempre vinham de lá", comenta.
Apesar da forte influência espanhola na família, a primeira visita à Europa ocorreu somente anos mais tarde, nas primeiras férias do trabalho. Já a realização do sonho de infância se deu em 2005, quando Flávia encarou sozinha o desafio de viver em outro país. Independente, ela conta que sempre gostou muito de viajar e que dedica suas férias e dias de folga para conhecer novos lugares. "Meu pai era piloto. Acho que essa coisa de ser meio nômade eu herdei dele", brinca. Ao todo, são 18 países visitados e a vontade de conhecer muitos outros lugares. "Sempre brinco que quero morar no Marrocos quando ficar velhinha", entrega. "Viajar e morar fora traz uma experiência de vida muito grande. Você se vê em um país de cultura diferente, com uma língua diferente, com formas de pensar diferente e tudo isso traz um crescimento pessoal", valoriza.
Além do desenvolvimento pessoal, Flávia trouxe na bagagem muita experiência profissional. De volta ao Brasil desde 2012, atualmente a nutricionista se divide em três empregos diferentes.
Especialista em nutrição esportiva e com dois mestrados um em biotecnologia e outro em transtornos da conduta da alimentação, esse feito na Espanha , Flávia dá aulas para os cursos de Nutrição e Farmácia da Unifil e conta que adora a docência e a carreira acadêmica. "Sempre gostei dessa parte de pesquisa e de passar conhecimento e aprender com os alunos." Mesmo longe do Brasil, Flávia sempre manteve o contato com a docência, participando de palestras e eventos.
No VivaLivre Nature Spa, em Londrina, onde também atua, Flávia trabalha em um projeto diferenciado que une nutrição e gastronomia, sua segunda paixão. "Fiz vários cursos na área de gastronomia na Espanha e estou colocando em prática aqui. Junto com o acompanhamento nutricional temos aulas em uma escola de gastronomia, onde a pessoa aprende a preparar esses alimentos", explica.
O grande desafio da nutricionista, no entanto, ocorre na Associação Flávia Cristina, de Londrina, onde Flávia trabalha com crianças com necessidades especiais. "São crianças com síndromes raras, paralisias, crianças com problemas de obesidade, desnutrição. É uma população muito carente, por isso, é bem complicado." Ainda assim, a nutricionista garante que a experiência vale a pena. "É um trabalho muito gratificante".


