Apaixonado por esportes, o fisioterapeuta londrinense Marcelo Sahyun foi jogador de futebol de salão por três anos e ganhou alguns torneios importantes. Mas nunca chegou a pensar que um dia iria bater bola num gramado do outro lado do Atlântico e que fosse trocar passes com um jogador da seleção espanhola.
Pois no final do ano passado, um telefone de Vigo, na Espanha, mudou por 15 dias a rotina do londrinense. Do outro lado da linha, falava Vagner, lateral-direito do Celta de Vigo. Contundido, o jogador londrinense queria ser atendido por Sahyun. Detalhe: tinha que ser lá na Espanha porque Vagner não tinha sido liberado pelo time para uma viagem ao Brasil.
Mesmo antes de se formar dez anos atrás Sahyun já trabalhava com atletas, fazendo estágios durante a faculdade. Até o ano passado, integrava a equipe médica do time de basquete de Londrina. Também teve experiências com os times de vôlei masculino e feminino. Mas nunca tinha cogitado a possibilidade de atender o futebol de campo até que uma indicação médica levou o jogador Vagner até a clínica do fisioterapeuta.
Isso foi em 2001, época em que o jogador londrinense foi convocado pelo técnico Leão para defender a Seleção Brasileira na Copa das Confederações. A tal contusão acabou afastando Vagner da camisa verde-e-amarela, mas não dos campos importantes. Apesar de londrinense, Vagner não chegou a defender a camisa do Tubarão. Passou pelo União São João, Vasco, Santos e São Paulo antes de se instalar em Vigo.
''É uma cidade de 300 mil habitantes, mas eu só conheci alguns restaurantes e o Centro de Treinamento'', conta Sahyun. ''Eu fui pra lá para trabalhar'', completa o fisioterapeuta que foi do aeroporto direto para o centro de treinamento para conversar com os médicos que atendiam Vagner. ''A equipe do Vigo é composta por dois médicos, dois fisiologistas e dois fisioterapeutas, mas eles não sabiam o que o Vagner tinha'', explica.
Antes de poder embarcar para Vigo, o fisioterapeuta teve que esperar que a diretoria do time espanhol liberasse a visita. ''Mas eu não podia ir aos treinos de manhã'', lembra Sahyun. Dois dias após o início do tratamento de londrinense para londrinense, o jogador já estava curado. ''Mas ele acabou tendo uma outra distensão nesse tempo em que não se sabia o que ele tinha'', conta.
Foi por isso que a temporada espanhola do fisioterapeuta acabou se estendendo por duas semanas. Com a melhora do jogador londrinense, os colegas de time acabaram se interessando no tratamento de Sahyun. ''O Denílson (do Betis) também ligou para o Vagner mas eu já estava com a passagem de volta marcada'', diz.
''Se eu ficaria por lá? Não, meu lugar é aqui em Londrina. Estou num período interessante da minha carreira e posso aplicar no pessoal daqui o que aprendi aqui'', garante. ''Mas o convite para ir à Espanha foi uma honra muito grande para mim. Eu sei que o Vagner conhece todos os fisioterapeutas famosos, como os que atendem o Ronaldinho, o Romário, mas ele ligou para mim'', lembra Sahyun, que acabou sendo citado numa entrevista coletiva do jogador.
De acordo com o fisioterapeuta londrinense, após sua ida a Vigo, outros sete jogadores contundidos procuraram ajuda profissional fora do centro de treinamento. ''Os times têm que entender que um jogador caro no campo sai barato, mas um jogador barato no departamento médico custa caro'', filosofa. Para Sahyun, a solução é simples: investir também na equipe médica. ''É impossível admitir que eles gastem milhões de dólares em jogadores e não possam dispor de milhares de dólares em médicos e fisioterapeutas'', confessa.
''Eu devo enviar em breve uma carta para os dirigentes do Celta para agradecer a oportunidade de eu ter ido até lá apesar das minhas despesas terem sido pagas pelo Vagner , e também vou aproveitar para questioná-los sobre a equipe'', avisa. ''Quando cheguei lá, o Vagner estava num momento de vida ou morte profissional'', lembra o fisioterapeuta que conseguiu reverter para o bem a situação.

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