Conheça a 1ª mulher a integrar a Companhia de Operações com Cães no PR
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sábado, 20 de julho de 2019
Walkiria Vieira - Grupo Folha 

A figura do cachorro é sempre associada aos humanos de maneira amistosa. De melhor amigo a cão-guia, a sociedade trata os cachorros como seres que servem de companhia, proteção e são amparados pela Constituição Federal. São exemplos da fidelidade e até estrelas de cinema.
Lassie, da raça Collie, ganhou fama ao contracenar com Elizabeth Taylor. O São Bernardo Bethoven e o labrador arteiro Marley, de “Marley & Eu” são referências, assim como o Akita de “Sempre ao seu lado”, chamado Hachiko, que possui até uma estátua na estação Shibuya, em Tóquio, no Japão, como símbolo de sua lealdade ao cuidador. O pastor alemão Jerry Lee, do filme "K9 - Um policial bom pra cachorro”, também fez fama principalmente por conquistar o seu parceiro de trabalho, um policial que gostava de trabalhar sozinho.
Da arte para a vida real, a soldado Angélica Aparecida Chuede ganha atenção graças às suas conquistas. Médica veterinária com especialização em clínica médica e cirurgia de pequenos animais, Chuede é a primeira mulher a fazer parte da COC (Companhia de Operações com Cães) do Bope (Batalhão de Operações Especiais), em 47 anos de criação da subunidade. Some à formação da médica veterinária e à pratica de policial militar o olfato apurado de um pastor holandês selecionado e treinado. E o resultado é uma dupla e tanto: são olhos vivos e faro fino, como lembra a expressão popular.
Natural de União da Vitória, na microrregião do Estado, Chuede tem 28 anos. Foi criada em Cruz Machado e conta que sempre sempre teve afinidade com animais, principalmente os cães. Eu estava no meu segundo dia de residência médica em anestesiologia de pequenos animais na UEL (Universidade Estadual de Londrina), quando recebi a convocação da PM. Morei em Londrina seis dias e optei por assumir a vaga, pois era um sonho trabalhar no Canil Central. Por isso, passei a investir em cursos, adquiri o Hunter e passei a treiná-lo inicialmente sozinha, depois com a ajuda de colegas”, explica.
A integração da soldado Chuede se deu no início de julho, após concluir um estágio na unidade, onde passou por todas as etapas com seu cão batizado de Hunter - que em inglês significa caçador. Após a formação em Cinotecnia, ciência responsável pelo estudo da anatomia, comportamento, psicologia, fisiologia dos cães, Chuede está apta a realizar ações de segurança com cães. Ela entende sua conquista como perseverança. “Nunca devemos desistir e, embora seja a primeira mulher, sou tratada com muito respeito e cordialidade”, alegra-se.
O QUE OLHOS NÃO VEEM...
A presença do cão no serviço policial é o resultado da nobre parceria entre animal e ser humano - que se estabeleceu há séculos. Em tempos de guerra ou paz, o cão sempre esteve presente nas mais diferentes camadas sociais e civilizações. Na segurança pública isso é evidente pelo trabalho desenvolvido pela Companhia de Operações com Cães do Bope e pelos canis setoriais de outras unidades operacionais da PM de todo o Estado.
Em muitas situações, o emprego do cão de faro é decisivo para que drogas, armas e outros materiais ilegais sejam encontrados. As capacidades naturais do cão em detectar substâncias e objetos desafiam a capacidade do ser humano em camuflar objetos e despistar os policiais militares durante abordagens e revistas. O combate ao tráfico de drogas é a área em que os cães da Polícia Militar mais se destacam diante do grande volume de drogas apreendidas. Hunter, por sua vez, tem como missão a busca e captura de criminosos em evasão.
TESTE DE APTIDÃO
De todos os sentidos dos cães, o olfato destaca-se. É refinado. Cada receptor detecta e identifica as moléculas de odor que estão dispersas no ar e impregnado em objetos. É sabido que os cachorros possuem cerca de 25 vezes mais receptores olfativos do que os seres humanos e pesquisas comprovam também que esses peludos tão amigáveis possam cheirar o medo, a ansiedade e até a tristeza em seres humanos.
Por trás da cena comum de rua quando dois cachorros que nunca se viram e estabelecem o contato na base do cheira aqui, cheira ali, há uma verdadeira comunicação. Machos e fêmeas se cumprimentam farejando um ao outro com um jeito próprio de puxar papo sobre amenidades, como o frio ou o calor, e até de lançar cortejos sobre a pelagem escovada e a elegância no modo de circular pelas pracinhas. Do cotidiano, para o trabalho em parceira com a polícia, é preciso algo mais.
Para que o cão tenha plena capacidade de aplicação policial, há um rigoroso adestramento que se inicia desde o nascimento. O capitão Gustavo Dalledone Zancan explica que os filhotes são separados e analisados um a um, verificando se possuem aptidão para o trabalho. Depois, inicia-se a fase de adestramento com o cinotécnico (policial militar especializado em ações com cães). Durante o treinamento é que se descobre qual a aptidão para desempenhar missões específicas e a, partir daí, a formação é moldada de acordo com a especificidade. Unidades especializadas como o BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) e do BPRv (Batalhão de Polícia Rodoviária) também possuem cães que são usados no combate ao narcotráfico, contrabando entre outros.
TRABALHO E RECOMPENSA
Chuede explica que o trabalho com o cão parceiro funciona muito bem. “É baseado em recompensas. O Hunter é treinado para busca e captura de criminosos em evasão e faz com prazer. Sabe que se atingir o seu alvo, é recompensado”, explica. Certificado pelo Conselho Brasileiro de Cão Funcional na Modalidade de Busca e Captura Nível I – pela Confederação Brasileira de Cinofilia – CBKC, o macho de 1 ano de idade cumpre a tarefa e recebe em troca o que gosta.
“Alguns cachorros gostam de brinquedos, outros de brincar de morder e, conforme os comandos, Hunter reage prontamente.” Ele sabe quando é hora de trabalhar e, embora passe o dia todo junto de sua condutora, distingue as situações. “Ele mora e trabalha comigo, então quando voltamos para casa juntos, sabe que é hora de ser pet e isso é resultado de um trabalho de comandos e equipamentos específicos como guia e até o tom de voz, que faz diferença em sua postura e reações”, esclarece.


