A vocação para decorar ambientes acompanha a paranaense Eliana Veiga desde a infância, mas ela não imaginava que ia fazer disso uma profissão. Nascida em Terra Boa (46 km ao Norte de Campo Mourão), filha única de uma família descendente de italianos, ela mudou-se para Curitiba aos 13 anos. Casou cedo, aos 23, e antes mesmo de escolher um curso superior já começou a trabalhar no comércio. Foi quando decidiu decorar a própria casa, que ela percebeu a dificuldade de encontrar móveis e objetos diferenciados na capital paranaense.
A demanda se transformou em sonho, e da franquia da loja de Correios que tinha, ela montou o que hoje é um império da decoração, a Mantuanni Casa, um espaço de quase 2 mil metros quadrados que abriga desde velas até esculturas de proporções gigantescas, como as leoas do artista plástico Leopoldo Martins, que em breve estarão expostas no Museu do Louvre, em Paris. Objetos que ela garimpa pessoalmente nas inúmeras viagens para dentro e fora do território brasileiro.
A experiência faz com que ela escolha peças que são verdadeiros objetos de desejo, como o faqueiro utilizado na posse do presidente dos EUA, Barack Obama, ou o conjunto de jantar com detalhes em ouro 24 quilates utilizado no filme Maria Antonieta. Alguns objetos ela está escolhendo para decorar, pela quarta vez, a própria casa. Explica-se. A casa que Eliana mantinha em Curitiba não estava à venda, mas um comprador apareceu com uma oferta irrecusável, desde que mantivesse todos os móveis e objetos que ela havia escolhido pessoalmente. ''Eu saí com as roupas do corpo. Não levei nem uma faca'', brinca.
Por isso, há quatro meses, ela está morando em um hotel com a família - o marido e duas filhas, de 11 e 12 anos -, até terminar de decorar a próxima casa. ''A vida está uma correria, as meninas acabam ficando comigo na loja para que eu possa buscar e levar na escola'', conta, falando sobre a fase conturbada em que se encontra. ''Ao mesmo tempo, me sinto realizada. Pois consegui conquistar meu sonho''. E ensina o método que considera a receita do sucesso: ''Para fazer algo diferente e que dê certo, é preciso muito, mas muito trabalho. Eu não conheço outra forma''.
Conciliar família e trabalho, aliás, tem sido um desafio para a empresária, que salienta a necessidade de o proprietário estar sempre presente no seu negócio. Sobre o mercado de decoração, ela ressalta que o que está em alta são peças que têm trabalho artesanal ou que são capazes de reunir uma história. E a história das coisas sempre fascinou a empresária, que se inspirou na trajetória da própria família para escolher o nome da loja.
''O pai do meu avô veio com dois irmãos de navio para o Brasil de Mântua, que fica na região da Lombardia, Itália. Naquela época, quando a pessoa aportava aqui, perguntavam seu nome e de onde ela vinha. Assim, todos os descendentes receberam o sobrenome Mantovan'', conta. A influência da avó, hoje com 87 anos, e as lembranças acumuladas ajudaram Eliana a construir a própria história. A dedicação profissional, no entanto, não impede os momentos de lazer. ''E esses momentos eu gosto de desfrutar ao lado da família, de preferência, na praia, em Pontal do Sul. Porque os bons momentos, a gente sabe, passam rápido'', diz. E ela pretende passar esses momentos com arte.

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