Helen Moreira de Araújo Lima era enfermeira, com especialização em Saúde Pública. Trabalhava em postos de saúde e dava aulas em Maringá e Londrina. Gostava do que fazia, mas uma notícia que leu na Folha do Paraná/Folha de Londrina mudou completamente o rumo de sua vida profissional: a Universidade Estadual de Londrina abria inscrições para o curso de especialização em Estilismo em Moda.
‘‘Resolvi me inscrever, com uma pontinha de esperança, mas sabendo que seria muito difícil ser aprovada, justamente por ter formação na área de saúde’’, conta Helen. Ela ficou em terceiro lugar entre 80 candidatos e, logo na entrevista, ouviu da banca examinadora que ‘‘tinha o perfil’’ para a área de moda.
O que a banca chamou de ‘‘perfil’’ é algo que Helen resgatou dos tempos de infância e que estava ali, latente, esperando a hora de vir à tona pra valer. ‘‘Desde menina, em Primeiro de Maio, eu ajudava as vizinhas a se vestir para festas. Devorava revistas de moda e sempre dava um jeito de estar diferente. Minha mãe às vezes brincava: ‘Você vai sair com essa saia, parecendo a Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo’? Mas sempre que ela queria uma opinião a respeito de um traje, era a mim que recorria’’, lembra.
Quando se mudou para Londrina, para fazer o curso colegial, continuou sendo a ‘‘assessora para assuntos de moda’’ das amigas. Mas como na época em que prestou vestibular não havia nada parecido com essa área nas universidades, resolveu optar pela Enfermagem. ‘‘Era também uma forma de cuidado com o ser humano’’, explica.
Helen Moreira de Araújo Lima concluiu o curso de especialização, prestou assessoria para diversas grifes e lojas da cidade, foi duas vezes a Milão para se reciclar. Decidiu, então, fazer daquilo que mais gostava quando criança e adolescente, uma profissão, agora com know-how. Ela é personal stylist, uma consultora de moda.
O que a princípio pode parecer supérfluo é encarado por Helen com muita seriedade. E ela tem argumentos: ‘‘A questão não é da roupa, é da imagem’’, diz. ‘‘Não se trata de orientar pessoas com dinheiro e sem gosto – aliás, quem tem mau gosto nem costuma pedir orientação –, mas fazer com que a roupa cumpra bem sua função de linguagem: a roupa fala de você, ela conta a sua história’’, explica.
Helen criou uma ficha de consultoria, que faz um verdadeiro raio-x da mulher. Não apenas itens óbvios como medidas e cores preferidas, mas também o que ela está lendo, hábitos e estilo de vida. Depois de preenchida a ficha, é hora de abrir as portas do guarda-roupa e usar o bom senso e a criatividade.
A fonoaudióloga Marcella Zanoni mora em Londrina, onde trabalha em período integral. Toda quinta-feira viaja a São Paulo para o cursos de pós-graduação e volta no domingo. Ela contratou os serviços de consultoria de moda e não se arrepende. ‘‘Aprendi a fazer diferentes combinações, a explorar mais meu guarda-roupa. O que considero como vantagem maior, porém, é a possibilidade de fazer compras inteligentes: por exemplo, uma blusa que poderá ser usada em diferentes versões, com o que já tenho’’, diz. Outro ponto que a fonoaudióloga destaca é a organização: o guarda-roupa fica mais limpo, mais prático’’, observa.
Para Helen Moreira não é preciso gastar muito dinheiro para estar bem vestida. ‘‘Pode-se encontrar peças interessantíssimas em brechós’’, afirma, acrescentando que um xale velho pode dar cara nova à roupa. Nada contra o pretinho básico, ‘‘desde que ele tenha charme ou um diferencial, como um broche de família, ou seja usado com uma bolsa bem transada’’, ensina.
As peças essenciais? Calça e blazer pretos, camisa e camiseta branca, calça cáqui e jeans. Precisa mais? E o melhor conselho que ela poderia dar a uma mulher (ou homem), está na ponta na língua: ‘‘Na dúvida, não use.’’

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