Pode-se dizer que a trajetória do ator Gabriel Manita, de 27 anos, o "Miltinho" da minissérie policial "A Teia", é ascendente. Há seis anos, o curitibano cursava Psicologia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), onde dava seus primeiros passos no teatro, como bolsista do grupo amador "Tanahora". De lá para cá, atuou em operetas e peças infantis, até ser chamado para integrar o elenco da trama da Rede Globo. No segundo semestre de 2013, já com as gravações na televisão finalizadas, estrelou ainda o musical "Madagascar Ao Vivo!", da DreamWorks, inspirado no filme de mesmo nome, como o leão "Alex".
"Não sei até que ponto tem sido rápido, porque a questão do tempo também é relativa; depende da intensidade com a qual você faz as coisas. E eu sempre fui muito intenso, muito focado", contou, em entrevista por telefone à FOLHA.
Essa intensidade, diz, se aflorou no começo dos anos 2000, quando o paranaense formou, com mais seis amigos, a banda de rock gospel Doctor Onômio. "A gente era muito novo e eu, o caçula (tinha 14 anos). Cantava, compunha, tocava guitarra. Procurávamos superar as expectativas e os limites, fazer coisas diferentes. Foi uma época maravilhosa", relembrou. Segundo ele, o lado musical foi um fator determinante para que, mais tarde, pudesse se firmar na área artística. "Porque nunca fui, assim, um ator ‘nossa, que fantástico’; era um ator que sabia cantar e tocar. Precisavam de gente com esse perfil e diziam: ‘chama lá o Gabriel’, e aí eu ia aperfeiçoando a parte da atuação", disse.
Foi na PUCPR, influenciado pelo diretor Laércio Ruffa, do "Tanahora", que Manita decidiu investir na carreira. "Ele falava que não era uma área como muitos pensam, em que você morre de fome. Então, quando me formei, resolvi me dedicar em tempo integral." Ruffa faleceu em outubro do ano passado, em decorrência de um câncer.
Da universidade, Manita seguiu para o Teatro Regina Vogue. "Fiz muitas peças com o Maurício e com a Regina (Vogue), como ‘Alice no País das Maravilhas’ e ‘Regina no centro da Liça’ (sobre a própria dramaturga). Depois, (trabalhei) com o (roteirista) Edson Bueno. Foram eles que me lançaram mesmo no mercado. O Paraná, aliás, é um celeiro de artistas, uma p... escola. Em Curitiba, se você quiser, consegue fazer sete peças por ano. E vai aprendendo com o público, na prática", opinou.
Em "A Teia", seu primeiro papel na TV, o jovem ator contracena com nomes consagrados, como os de Paulo Vilhena (Baroni), João Miguel (Jorge Macedo), de quem diz ser admirador, e do londrinense Mário Bortolotto (Oliveira), que interpretava seu pai. "É muito engraçado como as coisas acontecem; de repente ver tudo por trás das câmeras, perceber a dinâmica das coisas. Foi um momento bem vivo, marcante. Eu tinha acabado de chegar e estava ali sugando tudo, observando com ‘olhos gigantes’, sem nem piscar direito, para não perder nada", relembrou.
Apesar das mudanças tão repentinas, Gabriel Manita garantiu não ter abandonado a sua formação, nem tampouco as suas origens. "A Psicologia me deu muito fundamento, muita profundidade. Sempre que estou pensando num personagem, tenho a mania de fazer algumas construções psicológicas, para dar fundamento. É importante você trabalhar de um jeito que condiga com o que você é."
E a música? "Ah, a gente (da banda) se deu muito bem junto. Mesmo que não tenha nada a ver com o tipo de doutrina (religiosa) que eu sigo hoje (se diz apenas ‘espiritualizado’), foi uma fase de muita luz, de plenitude. Acho que eu e essa ‘piazada’ ainda vamos nos encontrar em outras vidas."
Com o embalo das gravações da série, o curitibano acabou se mudando para o Rio de Janeiro, onde, como previa Laércio Ruffa, já consegue viver do próprio trabalho. "Atualmente, não estou envolvido em nenhum projeto específico. Estou em período de audições, testes. Mas posso dizer que coisas boas estão acontecendo. É só deixar fluir."

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