Com a bola cheia
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 2008
Gabriela Germano<br> TV Press 
Aos 17 anos, Tadeu Schimidt foi cortado da Seleção Infanto-Juvenil de Vôlei e se viu sem rumo. Até então ele só pensava em ser esportista. Foi aí que resolveu prestar vestibular para direito, informática, comunicação... e hoje, com 33 anos, é um dos jornalistas esportivos com maior destaque na Globo.
No Bom Dia Brasil e no Fantástico chama a atenção pelo seu jeito divertido de narrar os gols da rodada e fazer comentários. ''Estou formado há 11 anos e, quando estudava, o meu objetivo era arranjar emprego em um jornal qualquer. Sem dúvida, consegui mais do que eu esperava'', confirma ele.
Para quem é irmão do maior jogador da história do basquete do Brasil, Oscar, era quase natural ser o melhor do País no vôlei. Mas o balde de água fria serviu para mostrar que na vida as coisas não são tão simples assim. ''A gente não tem de fazer as coisas com a obrigação de ser o melhor. A gente só tem de tentar ser o melhor. Isso para mim hoje é muito claro'', resume o jornalista. Arrependido de ter abandonado o vôlei tão cedo, mas feliz por ter escolhido o jornalismo, Tadeu não esconde a satisfação por trabalhar e fazer sucesso com o que gosta, mesmo com um horário de trabalho ingrato. ''Dificilmente eu seria tão feliz como jogador quanto sou sendo jornalista. Adoro a vida que tenho, apesar de dormir pouco'', brinca Tadeu, que de domingo para segunda dorme apenas três horas por noite.
Os esportes sempre tiveram espaço garantido no Fantástico, mas a maneira bem-humorada de Tadeu de comentar as notícias chamou a atenção. ''Tenho consciência de que estamos fazendo algo novo. Não estou dizendo se é bom ou ruim porque cada um acha o que quer. Mas talvez os gols da rodada sejam o videoteipe mais antigo do jornalismo, a coisa mais óbvia do telejornalismo esportivo. E acho que a gente conseguiu uma mudança''.
Ele reconhece os textos refletem sua personalidade porque vê tudo com muito bom humor. ''No caso do Fantástico, minha intenção não é fazer ninguém rir. Meu objetivo é contar histórias divertidas, passar as informações da rodada de uma maneira agradável. Mas se alguém ri dos fatos que mostro, ótimo''.
Substituto do veterano Léo Batista, que há décadas comandava os esportes do Fantástico, Tadeu diz que encara as comparações e cobranças de uma maneira natural, até porque ''as críticas foram em número muito menor do que os comentários elogiosos. Pensou-se em uma forma diferente de fazer a cobertura esportiva e a Globo optou por mim. Não tirei o lugar do Léo Batista''.
Mas o que o deixa mais satisfeito é a repercussão de seu trabalho junto às mulheres. ''Muitas dizem que não gostavam de esporte e na hora em que começavam os gols do Fantástico, elas iam para a cozinha, mudavam de canal ou simplesmente desligavam a tevê. Mas agora elas dizem que acompanham tudo para ver o que a gente vai mostrar''.
Com tanto sucesso, Tadeu nem reclama da ''rotina louca'' que enfrenta. Ele conta que aos domingos chega à emissora por volta das 15 horas. ''Geralmente somos cinco ou seis pessoas acompanhando todos os jogos, sobretudo as partidas das 16 horas. Já vamos anotando as curiosidades, semelhanças entre os jogos e o que pode render boas histórias. Em seguida, passo a escrever os textos com os outros editores e aí começa a loucura que é a edição do Fantástico, em uma velocidade alucinante para ser exibido poucas horas depois. Às vezes, literalmente, corro pelos corredores da emissora para dar tempo. Quando termina o programa, tiro a maquiagem, troco de roupa e converso com a equipe para fazer uma avaliação final e já pensar em algo para a segunda-feira''. Quando chega em casa, Tadeu ainda janta, toma banho e vai dormir por volta de uma e meia da manhã. Às quatro e meia acorda para fazer o Bom Dia Brasil. ''Mas todos os dias durmo depois do almoço. Durmo por duas horas como se fosse noite. Aí acordo e vou malhar no fim da tarde'', confessa.


