A impressão que se tem conversando de perto com Claude Troisgros é que ele parece aquele tio bonachão e simpaticíssimo, o oposto do estereótipo de seus conterrâneos. Passados 10 minutos, a imagem permanece e soma-se a ela uma forma particular de executar sua função: a de chef de cozinha. Seu charmoso sotaque francês é sua marca registrada. Na TV, sua fala é logo identificada quando ele solta sua palavra favorita ‘marravilha’ que, não por coincidência, forma o nome do seu programa ‘Que marravilha!’, no canal fechado GNT.
  Nas gravações, Claude ensina uma receita a uma determinada pessoa que vai ter que prepará-la para ele degustar e dar sua nota. São tantas as histórias que, se muitas delas não fossem verdade, poderiam ser roteiro de filme de comédia americana. ‘‘A mais engraçada foi uma moça que quis me enganar dizendo que foi ela que preparou a maionese quando na verdade ela colocou o produto pronto no prato. Não sei de onde ela tirou que eu não ia perceber’’.
  Dono de três restaurantes no Rio de Janeiro, um deles o famoso e disputado Olympe, onde é possível se deparar frequentemente com os nomes mais conhecidos do jet set carioca, bem como figuras notáveis da TV brasileira, Claude chegou ao Brasil há mais de três décadas, a princípio para um trabalho que tomaria não mais que dois anos de sua vida. Não teve jeito: o calor e receptividade do povo brasileiro e os temperos (claro!) só encontrados por aqui fizeram com que esse carismático francês construísse família e carreira em nossas terras.
  Para Claude Troisgros não havia como não seguir um caminho que não o da culinária. Ele nasceu em uma família que é uma fábrica de estrelas da cozinha francesa. Crescido em meio a panelas, invenções e experimentos, ele seguiu a tradição, mesmo que longe da França, servindo pratos fascinantes e que já encantaram celebridades do garbo de Mike Jagger e Elton John, e presidenciáveis como Bill Clinton e Jacques Chirac.
  Mas seu primeiro negócio estava bem distante do glamour de hoje. ‘‘O lugar era muito pequenininho e para ajudar o ar condicionado não funcionava. No primeiro dia, não entrou ninguém; no segundo, entrou um cara, mas ele viu o cardápio e foi embora’’, conta.
  Foi no terceiro dia que a sorte sorriu para o chef. Um senhor entrou, comeu e, ao sair, deu seu cartão e disparou ao chef: ‘gostei muito de sua comida e atenção’. A figura - e que figura - prometeu mandar mais clientes. Ah, sim, o nome em questão atende por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o poderoso Boni, da Rede Globo. ‘‘No dia seguinte que ele foi ao meu restaurante, começou a encher de globais. Formava-se fila de atores todos os dias na porta’’, gaba-se ele.
  O cardápio de gostos do chef vai além de sua requintada e saborosa comida, sua forma simples e realista de ensinar a cozinhar e seu programa de TV. Ele também é autor de vários livros e, nas horas vagas, entrega-se a leitura e ao esporte: adora saltar de asa delta, parapente, pratica enduro de motos, kitesurf, natação.
  Na sua vinda a Londrina na última terça-feira, para uma aula show a convite da Construtora Plaenge, Troisgros mostrou que sua popularidade não é fruto do acaso ou de mera simpatia. Multiplicando os erres e exibindo tamanho conhecimento do que falava, saiu daqui com mais uma leva de fãs e admiradores de sua culinária que é de dar água na boca. Esse ‘carrioca’ é realmente uma ‘marravilha’!

r e c e i t a
  A receita simples do chef francês
para o leitor da Folha

  Pegue uma boa baguete (pode substituir por pão francês) e corte ao meio. Dentro, passe mostarda (de preferência a Dijon) em ambas as fatias. Recheie com bastante presunto cru e queijo suíço. Feche o sanduíche. Em uma frigideira, coloque uma colherzinha pequena de manteiga e vá apertando bem o pão na panela, como se estivesse fazendo um misto quente. Doure dos dois lados. Retire e reserve. Na mesma frigideira, coloque um pouco de azeite, pique rúcula e tomate em cubo, tempere com sal e pimenta. Misture e jogue em cima do sanduíche. Bon appétit!

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