Claude Troisgros: artista da gastronomia
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2010
Elaine Souza<BR> Reportagem Local 
A impressão que se tem conversando de perto com Claude Troisgros é que ele parece aquele tio bonachão e simpaticíssimo, o oposto do estereótipo de seus conterrâneos. Passados 10 minutos, a imagem permanece e soma-se a ela uma forma particular de executar sua função: a de chef de cozinha. Seu charmoso sotaque francês é sua marca registrada. Na TV, sua fala é logo identificada quando ele solta sua palavra favorita marravilha que, não por coincidência, forma o nome do seu programa Que marravilha!, no canal fechado GNT.
Nas gravações, Claude ensina uma receita a uma determinada pessoa que vai ter que prepará-la para ele degustar e dar sua nota. São tantas as histórias que, se muitas delas não fossem verdade, poderiam ser roteiro de filme de comédia americana. A mais engraçada foi uma moça que quis me enganar dizendo que foi ela que preparou a maionese quando na verdade ela colocou o produto pronto no prato. Não sei de onde ela tirou que eu não ia perceber.
Dono de três restaurantes no Rio de Janeiro, um deles o famoso e disputado Olympe, onde é possível se deparar frequentemente com os nomes mais conhecidos do jet set carioca, bem como figuras notáveis da TV brasileira, Claude chegou ao Brasil há mais de três décadas, a princípio para um trabalho que tomaria não mais que dois anos de sua vida. Não teve jeito: o calor e receptividade do povo brasileiro e os temperos (claro!) só encontrados por aqui fizeram com que esse carismático francês construísse família e carreira em nossas terras.
Para Claude Troisgros não havia como não seguir um caminho que não o da culinária. Ele nasceu em uma família que é uma fábrica de estrelas da cozinha francesa. Crescido em meio a panelas, invenções e experimentos, ele seguiu a tradição, mesmo que longe da França, servindo pratos fascinantes e que já encantaram celebridades do garbo de Mike Jagger e Elton John, e presidenciáveis como Bill Clinton e Jacques Chirac.
Mas seu primeiro negócio estava bem distante do glamour de hoje. O lugar era muito pequenininho e para ajudar o ar condicionado não funcionava. No primeiro dia, não entrou ninguém; no segundo, entrou um cara, mas ele viu o cardápio e foi embora, conta.
Foi no terceiro dia que a sorte sorriu para o chef. Um senhor entrou, comeu e, ao sair, deu seu cartão e disparou ao chef: gostei muito de sua comida e atenção. A figura - e que figura - prometeu mandar mais clientes. Ah, sim, o nome em questão atende por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o poderoso Boni, da Rede Globo. No dia seguinte que ele foi ao meu restaurante, começou a encher de globais. Formava-se fila de atores todos os dias na porta, gaba-se ele.
O cardápio de gostos do chef vai além de sua requintada e saborosa comida, sua forma simples e realista de ensinar a cozinhar e seu programa de TV. Ele também é autor de vários livros e, nas horas vagas, entrega-se a leitura e ao esporte: adora saltar de asa delta, parapente, pratica enduro de motos, kitesurf, natação.
Na sua vinda a Londrina na última terça-feira, para uma aula show a convite da Construtora Plaenge, Troisgros mostrou que sua popularidade não é fruto do acaso ou de mera simpatia. Multiplicando os erres e exibindo tamanho conhecimento do que falava, saiu daqui com mais uma leva de fãs e admiradores de sua culinária que é de dar água na boca. Esse carrioca é realmente uma marravilha!
r e c e i t a
A receita simples do chef francês
para o leitor da Folha
Pegue uma boa baguete (pode substituir por pão francês) e corte ao meio. Dentro, passe mostarda (de preferência a Dijon) em ambas as fatias. Recheie com bastante presunto cru e queijo suíço. Feche o sanduíche. Em uma frigideira, coloque uma colherzinha pequena de manteiga e vá apertando bem o pão na panela, como se estivesse fazendo um misto quente. Doure dos dois lados. Retire e reserve. Na mesma frigideira, coloque um pouco de azeite, pique rúcula e tomate em cubo, tempere com sal e pimenta. Misture e jogue em cima do sanduíche. Bon appétit!


