Kalinka Gonzales, 24:“O maior problema da fome no mundo é a má distribuição de alimentos”
Kalinka Gonzales, 24:“O maior problema da fome no mundo é a má distribuição de alimentos” | Foto: Divulgação

A cada dois anos a Bayer reúne jovens talentos para juntos descobrirem novas formas de alimentar a população do planeta Terra, que deve chegar a quase 10 bilhões de pessoas em 2050. O Youth Ag Summit busca fazer isso de maneira sustentável, alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que foram adotados pelas Nações Unidas em 2015. A próxima edição será realizada de 4 a 6 de novembro em Brasília e participarão dela 12 brasileiros entre os 100 selecionados, oriundos de 140 países.

Nascida no Rio Grande do Sul e vivendo em Curitiba desde criança, Kalinka Pereira Gonzales tem 24 anos, se formou em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atualmente faz mestrado em Bioquímica na mesma instituição. Ela concorreu com cerca de 2.800 pessoas e precisou apresentar uma ideia, em formato de vídeo, para combater a insegurança alimentar no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

“Meu projeto de mestrado é ligado a bactérias fixadoras de nitrogênio, que são bactérias que tornam o nitrogênio que está no ar biodisponível para as plantas. Além disso, elas promovem produção de alguns hormônios e outras moléculas que ajudam as plantas a crescerem mais, então aumenta a produção dessas plantas. O maior problema da fome no mundo não é nem a falta de produção de alimento, mas a má distribuição de alimentos. Quem sabe se a gente conseguir desenvolver uma bactéria que não dificulte a maneira dos agricultores produzirem, se eles puderem manter a maneira de produzir, só usar esse bioinoculante para melhorar o rendimento e quem sabe até aumentar o valor nutricional dessas plantas, que é o meu projeto no Summit, acredito que essas populações que são subnutridas, mesmo ainda tendo acesso a pouco alimento, que esse alimento seja mais nutritivo para elas”, explica.

SUÉCIA

Gonzales conta que seu interesse pela pesquisa surgiu logo depois de entrar na graduação. Já no segundo ano entrou para a Iniciação Científica (IC), no departamento de Genética, onde ficou por dois anos e meio. Logo depois passou um ano na Suécia, através do Programa Ciência Sem Fronteiras.

De volta ao Brasil e concluída a graduação, Gonzales optou pelo mestrado em Bioquímica, que tem conceito sete. “É o melhor conceito da avaliação de pós-graduação no Brasil, o que significa que temos o privilégio de ter acesso a equipamentos de alta qualidade, é bem legal que eu possa ter oportunidade de trabalhar com essas coisas.”

Como pesquisadora, Gonzales diz que fica chateada quando as pessoas dizem que ela “apenas estuda”. Com a necessidade de dedicação exclusiva e muitas vezes passando até 18 horas no laboratório por conta da coleta de amostras em intervalos de tempo predeterminados, ela diz que o que menos tem são aulas. “Meu dia a dia é de trabalho dentro do laboratório, chego cedo, vou embora tarde, frequentemente estou lá no final de semana, não interessa se é sábado ou domingo. Os alunos de pós-graduação, pelo menos os que eu tenho contato, fazem muito mais do que as oito horas que as pessoas acham que a gente faz”, destaca.

OUTRO LADO

Gonzales afirma estar bastante ansiosa para conhecer o que ela chama de “outro lado da moeda” no evento, já que para os 100 jovens escolhidos o Youth Ag Summit funcionará como uma incubadora de ideias, ajudando-os a transformar suas ideias em realidade e equipando-as com as habilidades necessárias para realizar seus projetos. Eles também vão ouvir palestras de especialistas e participarão de viagens a campo para aprender mais sobre a indústria agrícola no Brasil.

“Estou há bastante tempo envolvida em pesquisa dentro do laboratório mas não sei muito o que está acontecendo no campo. Espero poder ter acesso a esse outro lado, ouvir gente que está mais envolvida com o campo e ouvir bastante o que eles têm a dizer sobre o outro lado, sobre como funciona o manejo e como essa rotina pode ser afetada pelos meus projetos no futuro, por exemplo. Espero trazer de volta esse conhecimento que eu tiver lá para o meu grupo de pesquisa, para o meu laboratório, discutir com os meus professores e a partir daí surgirem novas linhas de pesquisa”, finaliza.

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