Imagem ilustrativa da imagem Cidadã do mundo
Jornalista, DJ, blogueira, atriz e dona de restaurante. O currículo bem diversificado da paranaense Janaína Ávila acaba de ter mais um item anexado. Desde o mês passado, ela também é cidadã italiana, título conquistado após oito anos morando no Valle d'Aosta, uma das regiões mais charmosas da Itália. "Eu sabia que não estava indo para lá para passar só uma chuva", conta Janaína, que atravessou o Oceano Atlântico por amor ao chef de cozinha Andrea Filippa. Há três anos, o casal inaugurou o restaurante La Stella, em Gressoney St-Jean, quase na fronteira entre a Suíça e a França. Antes de embarcar para a Itália, Janaína já havia deixado sua marca na noite, na música e nas artes de Londrina. Ao lado da amiga Viviane Romão, criou em 1999 a festa Noite do Charuto Cubano, que entrou para o calendário do Valentino e transformou Janaína em DJ, com direito a fã-clube. Na Rádio UEL FM, foi idealizadora e apresentadora do programa Mundo Sonoro. Em comum, tanto a festa quanto o programa mostravam a paixão da jornalista pelas músicas do mundo. Filha de professores, acabou unindo em suas escolhas as matérias que os pais ensinavam. O português das aulas da mãe, Janaína levou para o jornalismo. Já a geografia do pai a fez olhar para outras culturas e lugares. "Ele sempre teve a cabeça muito aberta", lembra. "Só fui ouvir rádio quando me mudei para Londrina", conta a jornalista, que cresceu ouvindo com o pai os clássicos de Nelson Gonçalves e Altemar Dutra. Ela deixou Campo Mourão para se preparar para o vestibular de Medicina em terras londrinenses. "Mas mudei de ideia depois de visitar um laboratório de anatomia", diz. As aulas de balé e teatro na cidade natal a inspiraram a se deixar levar para a área de humanas. Entrou para a faculdade de jornalismo, apesar de ter cogitado o curso de direito, e também voltou para o teatro. Não ficou muito tempo no palco, mas não conseguiu ficar longe dos espetáculos e afins. "Comecei com um estágio no Filo (Festival Internacional de Londrina) e fiquei 10 anos como assessora de imprensa do festival", lista. Mas enquanto trabalhava como assessora de um dos maiores festivais de teatro do País, Janaína também produzia matérias para a editoria de economia. "Só que sempre foquei na economia popular, do dia a dia", explica. No restaurante, além da parte administrativa, a restaurateur também voltou a exercitar seu lado DJ. "Tento criar uma história com a música", explica Janaína, que não deixa o repertório cair no óbvio ou no folclórico. Nem para o lado italiano, nem para o lado brasileiro. O cardápio do La Stella é italiano, mas ganha um cardápio verde-e-amarelo duas vezes por temporada. "Fazemos um jantar brasileiro, que não tem que ter necessariamente feijoada", enfatiza. A noite especial conta com música ao vivo de um trio de Turim. A 200 quilômetros de Milão, Gressoney Saint-Jean em nada lembra a movimentação de uma das capitais da moda, apesar de ser uma estação de esqui bem procurada por italianos e estrangeiros. "Mas tem apenas 800 habitantes", contabiliza Janaína. "Gosto da tranquilidade, estou até sentindo falta", avisa a jornalista, que está no Brasil visitando amigos e familiares, como faz todos os anos. "Eu desacelerei de um modo impressionante", confessa. "Com o restaurante, voltei a ter contato com o público", explica Janaína, que no mundo virtual consegue se manter em dia com as notícias daqui. "Poderia até ser mais ligada, mas me incomoda e atrapalha a minha vida lá", diz. "Desde o começo quis falar em italiano com o Andrea. Hoje me orgulho de falar bem." Janaína também fala francês, inglês e espanhol. "Sempre tive um fascínio com o estrangeiro, então estudei línguas, tenho uma afilhada francesa", explica. Da Itália, Janaína seguiu exercitando o jornalismo em matérias de turismo que enviou para sites e revistas do Brasil. Foi convocada por um portal de notícias para fazer a cobertura do velório e enterro de Luciano Pavarotti. "Agora faço a comunicação do La Stella, desenvolvi o site, cuido das redes sociais", conta.
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