"Nossa cozinha é moderna, criativa, com sabor de brasa, uma mistura de vanguarda com tradição", diz Felipe Bronze, que participou de evento em Londrina recentemente
"Nossa cozinha é moderna, criativa, com sabor de brasa, uma mistura de vanguarda com tradição", diz Felipe Bronze, que participou de evento em Londrina recentemente | Foto: Anderson Coelho


Ele circula com naturalidade entre alimentos na brasa e doces delicadamente empratados. Apresentador dos programas "Perto do Fogo", "Que Seja Doce" e "The Taste", além do "Jogada de Chef" do canal GNT, o chef carioca Felipe Bronze esteve em Londrina neste mês para a abertura da Temporada Gourmet do Catuaí Londrina, onde ensinou a fazer uma receita de arroz de camarão com telha de amendoim e um sorvete de gengibre.

Na bagagem a experiência de 20 anos de carreira e diversos prêmios. O mais recente deles foi a classificação do seu restaurante Oro com duas estrelas no famoso Guia Michelin. Até então, apenas o D.O.M, do chef Alex Atala, era classificado com duas estrelas no Brasil.

Para quem começou a se interessar profissionalmente pela cozinha aos 15 anos e aos 19 partiu para os Estados Unidos para estudar no Culinary Institute of America, os prêmios são apenas a consequência de um caminho bem trilhado.

"O Vik Muniz (artista plástico) tem uma frase ótima, ele diz que levou 20 anos para acontecer da noite para o dia. Eu não acho que (conquistar o prêmio) foi de um ano para o outro, foram os 20 anos, é um caminho natural, não tem uma resposta pronta para isso. É um prêmio que está na mão de terceiros, eles dão e podem tirar, (podem) dar a terceira (estrela), o que temos que fazer é seguir trabalhando com a nossa verdade. A nossa cozinha é moderna, criativa, feita com ingredientes espetaculares, com sabor de brasa, uma mistura de vanguarda com tradição. A gente faz isso porque acredita, não é mirando no prêmio e vou seguir fazendo a mesma coisa. Está no DNA sempre fazer uma coisa nova, diferente. Isso é uma coisa que anda com o Oro, anda comigo, anda com o time. Parece que vem sendo um bom caminho."

No Rio de Janeiro, além do Oro, Bronze também comanda o restaurante Pipo e se prepara para a abertura de um novo Pipo em São Paulo. Na televisão, ele pode ser visto diariamente no início da noite como apresentador do Que Seja Doce, onde três jurados escolhem a cada edição o melhor confeiteiro entre três candidatos. Para quem estranha a presença de um chef em um programa de confeitaria, ele diz que gosta muito de doces, tanto das técnicas quanto da estética, e acrescenta que inclusive alguns dos pratos do Oro têm sua aparência baseada em doces.

"Os confeiteiros são jurados, são especialistas. O meu papel é traduzir aquilo para as pessoas em um olhar não técnico. Mas ele também não é 100% leigo porque eu sou cozinheiro profissional e sou muito interessado por confeitaria. É uma maneira de eu traduzir esse universo para o público, um olhar meio lá, meio cá", explica.

Já no "Perto do Fogo" Bronze exercita sua forma de cozinhar e também usa as experiências como um laboratório para os restaurantes. Amante do churrasco e do uso da brasa, conta que o programa surgiu por acaso, depois de fazer alguns vídeos dos pratos preparados em casa. "É uma mão dupla. O 'The Taste' também funciona assim, tem muita coisa que eu faço e falo 'esse sabor é incrível', tem que levar isso para o restaurante. Tem que dar a roupagem, com cara do restaurante, com o jeito do restaurante, para ficar incrível. E tem muita coisa que a gente faz lá, pequeno, bonitinho e eu penso que dava uma coisa grande, espetacular, sem toda essa história, que podia ser um pratão delicioso no programa. Acho que eles se retroalimentam", conta.

Casado com a argentina Cecília Aldaz, apresentadora do programa "Um Brinde ao Vinho", do canal Mais Globosat, e sommelière do Oro, Bronze tem um filho de 4 anos, pratica jiu-jitsu e ainda viaja pelo País para eventos. Encaixar tantas atividades exige certa renúncia e muita disciplina.

"A agenda é corrida, não há dúvidas, super corrida. Eu durmo pouco e encaixo as coisas como eu consigo. Na verdade é mais fácil do que parece, porque os restaurantes não me tomam mais o dia a dia, eu vou na hora do serviço, vou à noite. No Pipo eu procuro marcar meus almoços de serviço, é uma maneira de eu estar lá, estar provando as coisas. No Oro eu vou à noite, eu moro no Leblon, o Oro é no Leblon, estou sempre ali. Mas na época de gravação - eu acabei de gravar o "Perto do Fogo", foram 12 dias gravando direto - eu não passei. Eu estava muito cansado, a gravação terminou muito tarde. Com o tempo você começa a entender melhor o teu corpo, o teu tempo, você fala 'não, essa semana eu não vou no restaurante'. Eu comecei a respeitar o meu tempo para poder fazer as coisas. E a dizer não também. Eu tinha muita dificuldade de dizer não, mas dizer não é um exercício para você poder fazer tanta coisa junto."

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