O chef de cozinha Kássio Rodgger Bergamin é um profissional de muitas habilidades. Formado em Cozinha Internacional pela Escola do Senac de Águas de São Pedro (SP), ele também estudou Administração por dois anos (em nível técnico) e foi aluno de Engenharia Civil por quatro. ''Fiz engenharia por convenção. Na época, há 11 anos, nem existiam cursos de gastronomia. Mas quando estava no quarto ano, percebi que se terminasse o curso iria definir minha vida em uma profissão que não gostava. Deixei tudo e fui estudar gastronomia, o que eu queria desde o início'', lembra.
Filho de uma família tipicamente italiana, Kássio passou a infância às voltas com panelas e receitas. ''Sempre ficava com as mulheres da casa na cozinha. Adoro ver a transformação da comida, ver o prazer das pessoas ao comer. Na minha época de estudante, era sempre eu que cozinhava na república'', diz.
Decidido a levar a carreira na cozinha a sério, ainda na época de estudante, Kássio trabalhava pesado para aprender mais. ''Comecei trabalhando em um restaurante de serviço francês, mas ganhava muito pouco. Passei então a fazer salgados e bolos para vender. Minha namorada, hoje minha esposa (a designer Fernanda Guarido Bergamin), saía para vender. Assim que me formei, fui convidado a dar aulas no Senac'', lembra.
Apesar do emprego como professor, o chef não se acomodou. A rotina puxada incluía os alunos de Cozinha Internacional, cursos sobre o assunto, eventos e o curso de Administração, feito à noite em uma cidade vizinha. ''Depois que terminei Administração, me sentia um profissional completo: sabia cozinhar, lidar com contas e ainda tinha a engenharia'', afirma.
Os convites para bons trabalhos começaram a surgir. Kássio era chamado para montar restaurantes inteiros, desde a estrutura física até cardápio e compra de produtos. ''Foram dois anos em que eu dormia cerca de 5 horas por noite. Já estava casado e tinha minha filha, que era só um bebê. Eu não tinha muito tempo para a família e estava bem estressado. Foi quando comecei a dispensar alguns trabalhos e resolvi seguir outro rumo'', conta.
Londrinense de nascimento e longe da cidade há alguns anos, Kássio resolveu voltar à terra natal com dois projetos na mala: um site de culinária e um restaurante. ''Não abandonei as aulas, que eu adoro, mas resolvi investir em algo maior. Como passei uns meses em Portugal (resultado de um prêmio da Copa Bunge de Panificação, ganho em 2007), conhecendo e estudando a culinária de lá, e já gostava muito da comida portuguesa, resolvi tentar um restaurante dessa cultura'', diz.
O site estará no ar em fevereiro (www.menugastronomia.com.br) com receitas do mundo todo, curiosidades e dicas de culinária. O restaurante deve abrir as portas em março. ''Pretendo mostrar tudo que existe na culinária portuguesa. No Brasil, quando se fala em comida de Portugal, só se conhece bacalhau. Mas existe muito mais que isso. Eles têm pratos fantásticos com frango, coelho, porco e lagosta, sem falar do azeite e do vinho, que são dos melhores do mundo. O restaurante terá uma adega grande com várias opções de vinhos portugueses'', garante.
Pai de dois filhos, Gabriela, de 4 anos, e Matheus, de sete meses, hoje Kássio tem mais tempo para a família. Depois que o restaurante estiver funcionando, seus planos são sair do fogão e ficar na administração. ''Mas nunca vou abandonar a doma. Gosto de inventar na cozinha, de montar os pratos. Na minha casa sempre convido os amigos para jantar, para experimentar minhas criações'', afirma.
Mas engana-se quem imagina que o cardápio na casa do chef é refinado. Ele garante que no dia-a-dia gosta mesmo é de comida simples. ''Às vezes chego em casa e peço para a Fernanda fazer arroz, feijão e bife. Não sou chato para comer'', garante.
O maior prazer, para ele? ''Acredito que cozinhar é um dom e adoro isso. É preciso gostar de servir o outro. Adoro fazer a comida e ver as pessoas comendo, gostando. Expresso meus sentimentos através da comida.''

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