Carreira solo em terra fértil
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domingo, 09 de novembro de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O sobrenome famoso nunca chegou a ser um obstáculo para a empresária Etel Lerner. Casada com Henrique Lerner, irmão do ex-governador do Paraná e ícone mundial quando o assunto é planejamento urbano, ela diz que, na maioria das vezes, se sente confortável com o nome, embora ''felizmente'' nunca tenha precisado fazer uso dele. Etel é daquelas pessoas que fazem questão de seguir carreira solo mesmo dentro de uma estrutura familiar forte e estável. Professora, formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná, natural de São Paulo, ela mudou-se para Curitiba em 1971, depois de se casar. ''A cidade e a família do Henrique foram muito acolhedoras'', revela.
Foi na capital que ela terminou a faculdade, transferida do curso de Letras - Português/Hebraico, em São Paulo, para a instituição paranaense. Em território curitibano, ela passou a dar aulas para crianças e adolescentes na rede pública de ensino. Sete anos após desembarcar na cidade, ela montou com a amiga Sarita Bruck, a Dosel, uma empresa de confecção de roupas. ''Experiência na área eu não tinha, mas tinha uma boa intuição'', brinca.
Começava ali uma rede de contatos que se estende até os dias atuais. Mesmo com o fim da confecção, 18 anos depois, ela continua a sociedade que iniciou com a amiga Sarita na extinta empresa. A Dosel produzia em Curitiba, mas vendia em todo o Brasil. Foi uma empresa pioneira também por ter no comando duas mulheres fortes, numa época em que a mulher estava começando a sair de casa e se profissionalizar em várias áreas. ''Eu nunca concebi que uma mulher fique apenas cuidando da casa. Para mim, é fundamental ter uma ocupação'', salienta.
Mesmo após o nascimento das duas filhas, Milena e Irit, hoje com 30 e 25 anos, respectivamente, Etel nunca parou de trabalhar. ''Elas cresceram na confecção'', lembra. Irit, por exemplo, nasceu no dia 25 de dezembro. ''No dia 24 eu ainda estava a todo vapor'', conta. Essa disposição continuou mesmo com o fechamento da fábrica, por conta dos inúmeros planos econômicos desastrosos que o Brasil vivia na época.
Mas a crise econômica não chegou a abalar a empresária. Menos de um ano depois de fechar a confecção, ela e a sócia já procuravam outras coisas para fazer e investir. E foi assim que elas aproveitaram o próprio círculo social e a experiência na área para criar, há 14 anos, o Salão Noivas Sul, hoje referência na região Sul. ''Naquela época, esse mercado não era tão promissor como hoje. Começamos com 40 expositores e hoje temos 160'', exemplifica.
Analisar o mercado e aproveitar as oportunidades é uma das características da empresária. No ano passado, ela e a sócia tiveram a idéia de reunir marcas famosas em uma grande feira de ponta de estoque, que está acontecendo na cidade durante este final de semana. São pelo menos três edições anuais. A visão estratégica do mercado reduziu a zero o custo de entrada para o evento. ''Sem pagar ingresso, as pessoas podem gastar mais dentro da feira'', ensina.
Aos 58 anos, com uma rotina que abrange, além dos negócios, viagem de férias para Israel pelo menos uma vez por ano, para visitar as filhas, ela revela que o segredo para manter a disposição e também o casamento, que já dura 37 anos, é o respeito. Por todos. Isso inclui também aceitar a decisão das filhas de morar em Israel. ''A gente que de ser pragmático. Não dá para tolher a decisão dos filhos'', analisa.
Ela conta que um dos motivos que levaram ''as crianças'' a mudarem de cidade foi a liberdade. ''Liberdade em Israel?''. Sim, garante ela. ''Todos se espantam. Mas lá não é preciso ter medo da violência. E as pessoas respeitam o ser humano independentemente da sua posição social e da sua profissão''. Por aqui, ela sonha com o dia em que a situação seja parecida, embora saiba que isso esteja longe de acontecer.


