Cara a cara com a infidelidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Anita''<br>André Bernardo<br>TV Press 
Quando terminou de gravar ''Laços de Família'', Helena Ranaldi só pensava em dar um tempo na tevê e se dedicar ao teatro. A atriz de 35 anos cogitou até montar ''Perdoa-me por me Traíres'', de Nélson Rodrigues. Mas desistiu da idéia na hora em que foi convidada para fazer a minissérie ''Presença de Anita'', de Manoel Carlos. O chamado para interpretar a sofrida Lúcia não partiu do diretor Ricardo Waddington, com quem está casada há sete anos, mas do próprio autor, que precisava de uma atriz ''linda, desejável e charmosa'' para o papel da mulher que perde o marido para uma ninfeta. ''Logo constatei que a Lúcia é o oposto da veterinária Cíntia. Não queria me repetir. Se a atual personagem fosse parecida com a anterior, talvez não estivesse tão empolgada'', admite.
A personagem de Helena no livro de Mário Donato chama-se simplesmente Lúcia. Mas a notória obsessão do autor por Helenas levou Manoel Carlos a acrescentar seu nome preferido à personagem. Por conta disso, Helena Ranaldi passa a integrar a seletíssima galeria de atrizes que deram vida às Helenas de Manoel Carlos, como Maitê Proença, Regina Duarte e Vera Fischer. ''A Lúcia Helena é outra heroína do Maneco. Pode até ser que o público a veja como uma perdedora, mas a valentia com que ela tenta manter a família unida vai provar justamente o contrário'', acredita.
Mas nem toda a valentia da personagem vai resistir à tão temida crise dos sete anos. Quando descobre que está sendo traída, Lúcia decide ir à luta. Para compor a personagem, Helena foi buscar inspiração na própria história. Mais precisamente na época em que, aos 21 anos, deixou a casa dos pais em São Paulo para arriscar a carreira de atriz no Rio. ''Gosto de utilizar fases da minha vida na composição das personagens. Às vezes, entendo perfeitamente o que a Lúcia está sentindo. Houve um tempo em que eu também era muito insegura'', compara.
As semelhanças entre Lúcia e Helena não param por aí. A exemplo da personagem, a atriz também gosta de valorizar a família. Por isso mesmo, não esconde a satisfação por estar trabalhando, pela quinta vez, ao lado do marido. Os dois se conheceram em 1993, quando fizeram ''Olho no Olho'', de Antônio Calmon. De lá para cá, repetiram a parceria em ''Quatro por Quatro'', de Carlos Lombardi, ''Anjo de Mim'', de Walter Negrão, e ''Laços de Família'', de Manoel Carlos. Por coincidência, Helena e Ricardo também já estão casados há sete anos. Mas, ressalta a atriz, sem crises. ''Esse negócio de crise dos sete anos é bobagem. Crise existe quando tem de acontecer. E as crises cotidianas? Elas são menos importantes? Não acredito muito nisso...'', opina.
Se a experiência de trabalhar ao lado do marido não é novidade, o mesmo não se pode dizer da participação de Helena em minisséries. A atriz esteve a um passo de fazer ''Labirinto'', de Gilberto Braga, mas não pôde aceitar o convite por causa da gravidez de Pedro, atualmente com três anos. ''Fazer minissérie é que nem teatro. Você sabe o que vai acontecer com a personagem desde o primeiro capítulo. Já novela é uma caixinha de surpresas. Seu personagem pode morrer a qualquer momento'', exagera. Por isso mesmo, Helena sabia, desde o começo, que o atual trabalho incluía algumas cenas de choro. Nessas horas, a atriz dispensa colírios e outros subterfúgios e pensa em coisas tristes da vida da própria personagem. ''Às vezes, já começo a cena aos prantos. Outras vezes, gravo de quatro a sete cenas de pura emoção. Lidar com tristeza e sofrimento não é uma sensação muito agradável'', reconhece.
O desgaste emocional, porém, logo se esvanece quando Helena lembra que está completando dez anos de carreira. Assim que chegou ao Rio, em 1991, essa paulistana de belos olhos castanhos e cabelos negros mandou um currículo para a extinta Manchete. Três dias depois, já estava embarcando para Santa Catarina, onde interpretou a simpática Miss Stephania na novela ''A História de Ana Raio e Zé Trovão'', de Marcos Caruso e Rita Buzzar. ''No começo, era muito crítica e perfeccionista. Hoje, procuro não me estressar tanto. Tento lidar com o sucesso e o fracasso do mesmo jeito'', filosofa.


