Captador de emoções
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de fevereiro de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O fotógrafo curitibano Daniel Katz está com um orgulho a mais em seu currículo. Desde o final do ano passado, quando o polêmico NovoMuseu inaugurou, Katz conta com uma obra sua lá. Ele é o único fotógrafo paranaense com obra introduzida no acervo do prédio construído e reformado pelo maior arquiteto vivo brasileiro, Oscar Niemeyer.
''Portrait de Dos'' é uma trinca de fotos feitas por ele em Paris, fruto de um de seus trabalhos de pesquisa, durante os dez anos em que estudou na capital francesa. ''Fui para lá por querer ir mais fundo na história da fotografia. Queria entender mais das técnicas. Respirar foto 24 horas por dia. Então fechei meu estúdio aqui, vendi o que tinha, arranjei uma bolsa e fui ver no que dava. Queria ser livre para aprender. Pois aqui estava atrelado a compromissos com o trabalho, sem tempo para evoluir.''
Ao partir em 1988, Katz nem pretendia ficar tanto tempo, mas todo o clima propício da França acabou por prendê-lo mais do que o esperado, mas não menos do que o necessário para voltar como um dos melhores fotógrafos da cidade. ''Não sei como poderia ter ficado menos. Não poderia ter visto menos do que vi e aprendido tudo que aprendi em um tempo menor'', conta.
Como todos que passam um tempo fora, o curitibano passou por sua fase de ''ralação'' em Paris. ''Tive que me encaixar no esquema deles. Era tudo muito puxado. Mas a experiência com equipe de fotografia profissional de uma cidade como Paris só me engrandeceu.'' Katz desenvolveu a vontade de fazer retratos, que é hoje sua especialidade, ao trabalhar num conglomerado de imprensa que se dedicava a várias áreas da mídia.
A curiosidade de saber sempre leva qualquer ser humano para frente em qualquer tempo ao qual ele pertença. E esta unida com emoção parece ser para Katz um fio condutor fundamental para levá-lo a fazer fotos boas, que valham a pena ser admiradas. Um de seus trabalhos no Paraná é fazer fotos de moda. Não de desfiles, mas catálogos de divulgação das coleções de grifes como a Sexxes. Ao captar a sensualidade juvenil que a confecção quer passar para seu público, Katz acabou por se tornar um ''queridinho'' da moda local.
''Consegui esse espaço depois de muito estudo, é claro, mas principalmente por acreditar que em qualquer fotografia o mais importante é passar emoção'', diz. O acesso a uma emoção dentro de uma foto é coisa difícil de ser alcançada. Segundo Katz, é um alcance que não depende de bons equipamentos. Para ele qualquer um pode fazer uma boa foto, mesmo sem ter um bom equipamento.
Quando começou a fotografar, ainda no segundo grau, o fotógrafo pegava as máquinas de amigos e do pai emprestadas. Ele acreditava que uma imagem tinha que ser boa, ''mesmo sendo de uma caixa de fósforos''. E nessa crença foi fundo. Apesar de ser formado em design gráfico, vive de fotografia. São trabalhos que vão além da moda. Katz fotografa grandes executivos de empresas nacionais e internacionais, fotografa objetos para livros de decoração e faz fotos para quem quer guardar uma boa imagem.
Um bom profissional como Katz que consiga viver exclusivamente de um trabalho como a fotografia não tem muito tempo para descanso. Semanalmente são horas e horas, entre a captação da imagem perfeita, a revelação e a entrega dos trabalhos.
A correria não impede que Katz continue viajando em busca da evolução profissional. Todo o ano vai para algum lugar do mundo estudar. É uma obrigação profissional que traz sempre algum tipo de ''up grade''. Quando vê trabalhos de ícones mundiais da fotografia como Richard Avedon ou Irving Penn, em alguma exposição, sempre pensa que em grandes trabalhos como os deles a simplicidade está presente.
Avedon, por exemplo, ficou célebre ao fazer retratos em preto e branco de grandes personalidades como Marlyn Monroe, Andy Wharol, Stravinski, Jimmy Carter, Ronald Reagan e também gente comum. Em todos eles a emoção citada por Katz está acima de qualquer qualidade fotográfica. E esse foi um dos primeiros passos que levaram o curitibano a conseguir sobreviver daquilo que mais sabe fazer: captar emoções.


