Curitiba - Ele é de Niterói, começou a estudar jornalismo em Porto Alegre, virou estilista trabalhando em Blumenau e conquistou o mundo da moda em São Paulo. Mário Queiroz chega a Curitiba esta semana como convidado especial do Curitiba Fashion Art, semana de moda da cidade que começa na terça, 17 e vai até sábado, 21. Queiroz traz para cá, além de seu desfile Verão 2005 (o mesmo que leva para Paris agora no começo de setembro), sua bagagem profissional como professor de moda na Universidade Anhembi Morumbi para uma palestra durante o Ciclo de Atualização em Moda, evento paralelo ao CFA.
Ver pela primeira vez o trabalho do estilista é realmente uma surpresa. Adepto do pensamento que a moda é universal, Queiroz consegue, ao mesmo tempo que faz roupas que possam ser usadas por qualquer homem contemporâneo, mostrar sutilmente a alegria brasileira. É através das cores e das estampas cuidadosamente estudadas, que o criador mostra uma moda masculina (com peças que podem ser usadas por mulheres também) alegre sem ser alegórica.
E foi em duas etapas que ele concedeu essa entrevista exclusiva à Folha. A primeira parte, em sua loja na capital paulista em meio às araras com a coleção que ele apresenta esta semana em desfile na cidade. E a segunda parte, através de perguntas e respostas Queiroz por e-mail. Acompanhe:
Folha - Como você começou sua carreira como estilista?
Mário Queiroz: Estudava Jornalismo e, no meio do curso, participei de uma seleção para estilista. Enviei os croquis, mas o pessoal gostou mesmo foi do currículo em forma de História em Quadrinhos. Tranquei o curso e me mudei para Blumenau sou de Niterói/RJ e comecei a me tornar um estilista, já num esquemão de grande empresa....
Folha - Quanto tempo demorou para acontecer o reconhecimento público?
Mário Queiroz: Há oito anos eu e o José Augusto Fabron abrimos a ''Mario Queiroz''. Participamos do Phytoervas, da Semana BarraShopping de Moda, da Semana de Moda Casa dos Criadores (em sete edições), mas foi com a nossa entrada na São Paulo Fashion Week que a marca passou a ser conhecida.
Folha - Quais suas atividades paralelas? Dá aulas de moda? Aonde?
Mário Queiroz: Sou professor há quase nove anos na Universidade Anhembi Morumbi, onde coordeno o trabalho de conclusão do curso de Design de Moda. Também atuo como professor em MBA e pós-graduação de Moda. Dou palestras e workshops. Como consultor de moda já atuei em várias empresas do setor de vestuário, de tecelagem e também na área de design e beleza como é o caso da Avon.
Folha - Como jornalista de formação qual a conexão da notícia com moda? Como você definiria essa conexão?
Mário Queiroz: Ter o ''time'' de jornalista e, obviamente, o olhar curioso foram alguns dos bons recursos que o curso de jornalismo (eu consegui concluir meu curso na Universidade Federal Fluminense) me trouxe. Não acredito em estilistas que dizem que ''não estão nem aí para os acontecimentos'' porque eu acho que nós somos frutos dos acontecimentos. Então nossas obras também.
Folha - Trazer um desfile seu para Curitiba e depois levá-lo para Paris. Quais os desafios de encontrar públicos tão diferentes? Fale um pouco sobre a ida à França...
Mário Queiroz: Buscamos uma linguagem universal. Nossa moda fala de referências que são comuns a muitos homens, de lugares diversos. Então acreditamos que sempre encontraremos quem goste de nosso trabalho em qualquer lugar do mundo. É o que esperamos com essa chance que o Salão do prêt-à-porter de Paris está nos proporcionando.
Folha - Qual a principal conduta que um estilista experiente como você deve ter ao enfrentar compradores e mídia internacional?
Mário Queiroz: Não quero ser pretensioso falando de compradores internacionais, já que estamos engatinhando, mas com relação à mídia temos conseguido boas críticas e acho que devemos ser tão profissionais quanto somos em relação à mídia nacional.
Folha - Como fazer uma moda brasileira sem ser alegórico?
Mário Queiroz: Acho que o sonho e a fantasia fazem bem em qualquer negócio, mas mesmo que role a tentação de ''viajar'' demais, quando se fala de moda é preciso ter a consciência de que ela está ligada ao cotidiano, que nada tem a ver com Carnaval. Precisa ser criativo, ter essa linguagem da moda e não ser uma ''invencionice''.
Folha - Como foi o projeto que você foi convidado a participar com estilistas do mundo inteiro em prol de portadores do vírus da Aids?
Mário Queiroz: Foi muito bacana a oportunidade de trabalhar no projeto Ithemba, onde designers de Paris promoveram junto às comunidades da África do Sul, uma ação que colaborou com o tratamento dos portadores do vírus da Aids do local, promovendo a arte dessas mesmas pessoas. Eu e importantes estilistas da Europa desenhamos o projeto de decoração de lâmpadas e os artesãos da África desenvolveram as peças que estão sendo vendidas (e fazendo sucesso) nas grandes capitais européias.

mockup