Bolsas pra que te quero
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quarta-feira, 30 de maio de 2001
Karla Matida De Londrina 
Ainda não há notícias de uma versão de Imelda Marcos para as bolsas. Famosa no mundo todo por ser esposa do ex-ditador filipino Ferdinando Marcos e também por ter uma coleção de milhares de pares de sapato, Imelda ainda não parece ter influenciado ninguém no quesito bolsas. Mas é claro que elas, as bolsas, são acessórios básicos e fundamentais para elas, as mulheres.
Mas se ninguém (ainda) chegou perto de Imelda, não é por falta de opções no mercado. Existem os mais variados modelos e cores que vão muito além da quadrada e pretinha básica. Mesmo assim, tem gente que não se contenta e acaba inventando as próprias bolsas. É o caso da atriz e cenógrafa Carla Diacov, que no final do ano passado resolveu ir para a máquina de costura e produzir algo personalizado.
Com um tecido emborrachado e certa habilidade, Carla confeccionou um simpático porquinho. A tal porco-bolsa fez tanto sucesso que ela acabou recebendo encomendas de amigos para produzir outras. Foi então que surgiu a idéia de aumentar o zoológico, que ganhou elefantes e peixes. E daí para as bandeiras de alguns países foi uma viagem. Da Suíça ao Japão, passando pelo Canadá, as bandeiras-bolsas também foram expostas no bar Valentino, em Londrina.
Não penso em vender em lojas, quero continuar a ser informal, explica Carla, que produz peças sob encomenda. Além dos bichos e das bandeiras, ela também faz bolsas de feira (que usam a mesma malha plástica das tradicionais bolsas de feira, mas com um modelo diferenciado), saquinhos bordados. A mais recente criação de Carla é o modelo de pelúcia, que até lembra um cachorro.
E como os bichos estão sempre por perto, Carla está produzindo peixes da cor pink para o desfile do Paraná Fashion Designer, concurso que irá selecionar um novo participante do Projeto Lab, da Semana de Moda de São Paulo. Carla é uma das 10 finalistas.
Nunca fiz curso de moda ou corte e costura, conta ela, que aprendeu a costurar quando era pequena, para fazer roupinhas para minhas bonecas, lembra.
Quem também não fez curso, mas costura e muito é o triatleta Adriano Alves. Em parceria com a namorada Luciane Prado, Adriano produz bolsas e mochilas de viagem. Ela, formada em Estilismo em Moda pela UEL, cria os desenhos e modelos dos acessórios que ele costura entre os treinos puxados de natação, corrida e ciclismo.
O carro-chefe da dupla é uma bolsa, onde o zíper é a grande atração. São oito modelos e nove cores diferentes, mas todas elas mantêm a mesma idéia que é se desmanchar quando o zíper é aberto. No segundo ano de faculdade, criei uma roupa cheia de zíperes, lembra Luciane, que passou a produzir as bolsas no início do ano. E já está virando uma mania, explica a estilista, que observa o sucesso de suas criações pelas ruas.
Já tivemos uma proposta para vender as bolsas até no exterior, mas a pessoa queria usar o nome dela e não o nosso, contam. Ainda com uma máquina de costura caseira, a dupla chega a produzir de 25 a 30 bolsas por dia de modelos pequenos (bolsinhas de mão) às mochilas.
E como um triatleta foi parar na máquina de costura? Comecei sem saber nada e porque não tinha os modelos que eu queria e precisava, conta Adriano, que começou costurando mochilas de náilon para carregar seus apetrechos esportivos.
Os planos dos dois agora incluem a abertura de uma fábrica de acessórios. A idéia é sempre evoluir, quando a gente abre um negócio quer sempre ir para frente, afirma Luciane.


