Cleide Cavalcante
Da Agência Estado
Ela foi chegando devagar, mas de repente, invadiu a sociedade de forma tão intensa que até o mundo sõ fala nela. A Internet, a ferramenta que no início era coisa da ‘‘garotada’’, saltou para empresas, escolas, universidades, hospitais, etc..., formando um elo estreito com o mundo. O que muita gente não percebeu, porém, é que a velocidade deste sistema passou por cima de padrões sociais importantes. Este é justamente o fio condutor de ‘‘Net.com.classe - Um Guia Para Ser Virtualmente Elegante’’ (Editora Melhoramentos), de Cláudia Matarazzo, também autora de ‘‘Etiqueta Sem Frescura’’ (Melhoramentos), ‘‘Gafe não É Pecado’’ (Melhoramentos), ‘‘Case e Arrase’’ (DBA/Melhoramentos) e ‘‘Beleza 10’’ (Senac).
‘‘O livro chega num momento em que, acredito, é necessário parar um pouco para refletir sobre o que é este mundo virtual que veio para ficar e ocupar um grande espaço’’, frisa Cláudia. ‘‘Estamos precisando ter referenciais de comportamento.’’ Assim, a autora criou um novo termo, é o Netiqueta. ‘‘Trata-se de uma linguagem que mistura inglês, gírias, abreviaturas e termos técnicos com o português’’, destaca. Netiqueta é um código de relacionamento e comportamento para navegar pela Internet com elegância e cortesia, salienta a escritora.
Cláudia, que afirma não ser uma internauta fanática, para compor o ‘‘Net.com.classe’’ teve o apoio técnico de Edilson Cazeloto. ‘‘Porém o fato de não ser nenhuma fanática pelo assunto, como os jovens que já nasceram praticamente dentro deste mundo virtual, me ajudou a analisar a coisa com uma ótica diferente. Para mim isto foi um ponto favorável.’’ É justamente para este público mais jovem que o livro é destinado. ‘‘Acho que a minha geração é a última que se lembra do mundo sem o computador. E cabe a nós passar alguns valores do mundo real para os mais novos’’, salienta.
Conforme Cláudia, o grande risco do mundo virtual é o fato deste favorecer o desenvolvimento de padrões comportamentais conflitantes. Ou seja, o mundo virtual envolve o internauta de tal maneira que ele começa a ter problemas de comunicação na sociedade. ‘‘É necessário que se tenha um comportamento coerente nos dois mundos’’, destaca. Como exemplo, ela cita os chats.
‘‘Nada tenho contra estes chats, entretanto, sei que este é mais um canal para que as pessoas façam coisas que jamais teriam coragem de fazer no plano real’’, raciocina. ‘‘Realizar fantasias desta forma é bárbaro, não está ofendendo ninguém, mas desde que se mantenha uma distância relativa e não deixe que isto tome conta de sua vida’’, assegura. -
No entanto, Cláudia verifica que até para fazer uma ‘‘cantada’’ num chat é preciso ter etiqueta. ‘‘Nestes chats tem gente que perde o limite’’, lembra. Em situações assim, ela recomenda que se ignore o internauta mais ousado.
Com relação aos e-mails no ambiente de trabalho, a etiqueta condena textos muito longos e as dezenas de mensagens tipo ‘‘corrente’’ que chegam diariamente pelo correio eletrônico. ‘‘Repassar isso nem pensar.’’
Mandar cópias para outras pessoas do departamento, também exige critério. Pela ordem, o chefe deve estar em primeiro lugar; e para evitar melindres, o melhor é que os demais nomes da lista venham em ordem alfabética. Ah, nunca esqueça de assinar um e-mail. E aquela coisa de ficar mandando beijos a cada e-mail para a mesma pessoa não tem a menor etiqueta, garante Cláudia Matarazzo.