O dia 9 de abril poderia ter sido uma pacata noite de segunda-feira para Sarita Donadel Pfeifer se não fosse por um detalhe televisivo. Em frente à televisão, acompanhando o programa de Hebe Camargo enquanto criava suas bijuterias, Sarita sentiu o coração disparar ao ver Ivete Sangalo sentar no sofá de Hebe. Não que ela seja uma daquelas enlouquecidas fãs de carteirinha. A emoção se justificava: a cantora baiana estava usando os brincos feitos por Sarita, e que foram presenteados na véspera, quando Ivete se apresentou em Londrina.
Um amigo londrinense de Ivete queria presenteá-la e foi até Sarita atrás de algo diferenciado. ‘‘Então produzi três conjuntos de brincos e colares pensando na Ivete e ouvindo a música dela. Ele escolheu um e eu mandei um outro, como presente meu’’, conta Sarita. ‘‘Vê-la usando logo no dia seguinte foi sinal de que ela gostou’’, diz.
Fonoaudióloga com pós-graduação em motricidade oral, Sarita não exerce a profissão. Antes mesmo de se formar, ela já se encaminhava para outra direção, indo trabalhar na loja de roupas da mãe, Eliana. ‘‘Quando eu tinha 16 anos, fiz um curso de desenho de moda’’, conta Sarita, responsável pelas vitrines da loja. ‘‘Também sempre ajudei nas compras’’, acrescenta.
Há um ano, na época da Exposição Agropecuária de Londrina, Sarita produziu algumas bijuterias para vender na loja, com look country, é claro. ‘‘Acabei percebendo que as minhas peças vendiam mais que as que gente comprava em São Paulo’’, lembra. ‘‘No começo eu não sabia nem como mexer no alicate. Nunca fiz curso de bijuterias’’, conta Sarita, que não descarta a possibilidade. ‘‘Acho necessário, porque eu posso aprender a ser mais rápida’’, diz.
Ela não tem idéia de quantas peças produz, até porque a produção não é diária. ‘‘Tem dias que eu não posso nem olhar para os materiais, e em outros, me sinto iluminada e já vou pensando na segunda e terceira peças enquanto ainda estou produzindo a primeira’’, conta.
Ajuda na produção, por enquanto, só a do filho Felipe, de três anos e meio. ‘‘Às vezes ele fica por perto quando estou criando, e depois vem à loja e mostra: olha vó, fomos nós que fizemos’’, lembra Sarita.
Depois de se inscrever na Associação de Artesões, o próximo passo é começar a ‘‘assinar’’ os colares, pulseiras e brincos, que no caso significa a inclusão de uma minúscula chapinha com o nome Sarita Pfeifer entre as pérolas e cristais.
E por falar nisso, o material da vez é mesmo a pérola, tendência mais do que forte da estação. ‘‘Mas eu uso as pérolas misturadas ao cobre e bronze, que é para ficar diferente e mais moderno’’, explica. Os cristais são tchecos, strass austríaco e algumas pedras vieram diretamente de Nova York, e nenhuma peça consegue ser igual à outra. ‘‘Gosto do que é diferente’’, afirma Sarita, que já apresentou suas peças para lojas paulistanas, como a Le Lis Blanc. ‘‘Eles gostaram, mas me deram apenas 15 dias para produzir uma coleção inteira. Então eu preferi esperar mais um pouco e me preparar melhor para não me queimar’’, diz Sarita, que se prepara para contratar uma assistente.

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