"Eu sempre quis montar um projeto solo", diz Leonardo Constâncio, que tem no pai seu principal incentivador. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada
"Eu sempre quis montar um projeto solo", diz Leonardo Constâncio, que tem no pai seu principal incentivador. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada | Foto: Anderson Coelho


Rebeldia na baqueta, disciplina nos estudos. Dom ou técnica? Se a juventude não lhe deu tempo para desenvolver tudo que a música possibilita, o som é a linguagem escolhida para dizer "há algo diferente aqui!" Menino prodígio, tímido e talentoso, que atrás de uma bateria consegue dizer tudo que a inexperiência dos 14 anos não permitiria. Vencedor de concursos, convidado ilustre de festivais nacionais, sucesso nas redes sociais, Leonardo Constâncio parece ter descoberto para que veio ao mundo.

Ninguém consegue confirmar se é virtude, mas desde os 6 anos já demonstrava empatia com o instrumento. "Meu pai comprou uma bateria de plástico, eu comecei a tocar e fazer barulho, coisa de criança mesmo, enchendo o saco de todo mundo. Uma vez estava passando o jogo do Brasil e tocou o Hino Nacional, eu ouvi e tentei repetir. Então meu pai viu um potencial", contou. Viu e apostou. Mário Constâncio, 57, tratou de botar o caçula em aulas de música. Como na época moravam em uma cidade dos Campos Gerais, no Paraná, os dois viajavam 175 quilômetros todos os sábados para uma escola em Londrina. As aulas não pararam até hoje.

O pai se declara o maior crítico. Bancário, ele passou por transferências, levando a famílias por diversas cidades, saindo de Manaus (AM) até chegar no Norte do Paraná. Com a aposentadoria, vieram para Londrina há quase dois anos. Antes disso, vinham encontrar a rede de contato que Leonardo foi fazendo no decorrer da carreira, o que possibilitou ter aulas com músicos importantes, como Eduardo Batistella e Dio Dias, além de repertório com Jairo Cavalcanti e percussão com Vinícius Lordelos.



CONCURSO NACIONAL

O talento e a dedicação de Leonardo se uniram à persistência do pai, que fazia e faz o que pode para ajudar a trazer o reconhecimento ao filho. Aos 9 anos, ele participou do primeiro concurso. "Mandei um monte de vídeo, mas tinha um dele tocando em umas latas velhas dentro de um galinheiro, quem viu falava para não colocar esse, mas o Léo escolheu e ele foi selecionado por conta desse vídeo", conta o pai. Leonardo venceu 800 candidatos no concurso nacional Mini Prodígio Brasil, do programa Domingo Legal.

Apesar da pouca idade, Leonardo já tem grandes marcos. Se apresentou no aniversário de São Paulo, em 2016, com o Projeto Bateras 100% Brasil; já tocou com Edu Ardonuy, considerado um dos melhores guitarristas do Brasil; foi finalista na Batalha dos Bateras, em 2015 e segundo colocado no concurso nacional na Categoria Solo Livre – adulto, em Teresina (PI), em 2016. Além disso, chama atenção nas redes sociais em vídeos com milhões de visualizações e está na maior página de bateristas do mundo, a Drum Talk TV.

DOM OU TÉCNICA?

Leonardo estuda em tempo integral, faz aulas durante a semana, mas todo dia passa um tempo no estúdio para brincar. Para brincar mesmo, porque as atividades vão um tanto a contragosto. "Nas aulas faço esses exercícios de movimento, de deixar mais rápido, pegar força... Ah é horrível de chato, horrível de chato!", reclama, já que gosta mesmo é de estar livre. À sua maneira, está sempre em contato com a bateria - as várias baquetas desgastadas no canto não deixam mentir.

Uma bateria elétrica, uma mini bateria, outra menor para ficar mais fácil de carregar e a maior... As quatro dividem espaço no cômodo no piso superior da casa. É lá que ele perde a timidez, se dedica, sua. Nas pausas, rói unhas. Quanto ao estilo, é eclético. "Eu gosto do pop rock, mas também toco blues, rock, samba, jazz, instrumental... Se você for músico, tem que tocar de tudo. Não tenho preconceito", afirma. Cita como inspiração os bateristas Buddy Rich, Chad Smith, Josh Devine e Aquiles Priester. "Também tenho professores que sou fã, eles tocam muito bem", acrescenta.

DE TUDO E TODA HORA

O barulho e uma mãe com enxaqueca no andar de baixo. "Não é por isso que tenho enxaqueca", justifica Maria Leonor Graça, 47. Sentados na área de lazer da casa, o clima familiar permite também contar os problemas. "Aqui perto ninguém reclama do barulho, mas teve uma vez que um vizinho veio pedir para parar, nós tínhamos passado um pouquinho das 22h. Mas esses que moram mais perto não acham ruim", conta a mãe.

Mas se há moradores que não gostam, na escola a bateria é um motivo para fazer amizade. "O pessoal na escola sabe, mas eu não gosto de ficar contando. Às vezes chegam uns amigos falando que viram vídeo. As meninas elogiam, elas gostam", responde com modéstia.

Humilde e engraçado, o adolescente brinca com a família e com a banda, não se deixa levar por tanto aplauso. No fundo é só um menino que encontrou seu talento – e que talento! - e pretende testar outros. "Eu sempre quis montar um projeto solo, por isso quero aprender outros instrumentos também para não ficar monótono, queria uma coisa minha. É um sonho que eu tenho", afirma. Por enquanto, toca com a banda Little London Blues Band, que irá se apresentar em Votorantim (SP) neste sábado (21). Em Londrina, a banda estará dia 17 de agosto no Pier Santa Mônica.

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