Eliane Giardini brinca que sempre que recebe um convite de Glória Perez para atuar, aceita sem saber o que vai fazer. A intérprete da zelosa Indira de Caminho das Índias já soma seis trabalhos com a autora, quase todos com papéis de destaque. Por isso mesmo, não se incomodou com as supostas semelhanças entre o trabalho atual e a inesquecível Nazira, solteirona marroquina que interpretou em O Clone. Aos 56 anos, ela também atribui à maturidade a segurança que vem sentindo. ''A experiência leva a gente à tranquilidade. Você passa muitas vezes pelo mesmo 'lugar', já sabe maneiras de se virar bem''.
Eliane se sente cada vez mais jovem para experimentar coisas novas. A atriz dirigiu recentemente seu primeiro curta-metragem, Filtro de Papel, ao lado da filha, Mariana Betti. E gostou tanto da experiência que começou a ''pensar grande'', como gosta de dizer. ''Vi um edital para um longa-metragem de baixo orçamento e já me animei toda'', antecipa, completando que não pode revelar ainda que texto pretende rodar. ''Dirigir mudou completamente meu olhar de atriz. Quero explorar cada vez mais esse lado porque sei que isso vai se refletir na minha atuação no ar, como acontece agora na novela''.
Um dos maiores prazeres de Eliane ao gravar suas cenas é usar o figurino de Indira. A atriz não só se acostumou às cores e acessórios de sua personagem como também passou a gostar das peças utilizadas. ''Fico triste cada vez que acaba e eu tenho de tirar a roupa para ir embora''.
A vantagem de usar um figurino extravagante, na opinião de Eliane, é poder experimentar algo que ela jamais se permitiria fora da ficção. ''Sou muito básica na vida. Por isso mesmo, o trabalho funciona como uma terapia para mim''. Além disso, a atriz admite que o ''exagero'' das roupas indianas - sob o ponto de vista ocidental - é um fator que a auxilia a ''entrar'' na personagem. ''É só eu botar o cabelo, a roupa e a maquiagem que a Indira vai chegando. No final, eu não vejo mais a Eliane no espelho''.
A atriz se diverte ao comparar sua vida com os valores familiares explorados em Caminho das Índias. Assim como os personagens do núcleo estrangeiro da novela de Glória Perez, ela conseguiu juntar três de seus principais parentes em um trabalho. No curta Filtro de Papel, ela dividiu a direção com a filha Mariana Betti, usou um texto da irmã, Elizete Giardini Rosa, e acrescentou na última cena uma música da outra filha, Juliana Betti. ''Quando eu digo que me identifico demais com a proposta da novela, não é exagero. As pessoas que saíram do interior têm esse apego à família''.
Decidida a se aperfeiçoar como atriz através da experiência no cinema, e dirigir também, de alguma forma, sua carreira, Eliane já tem outro projeto. Ela vai transformar em filme o espetáculo O Mundo dos Esquecidos, que encenou em 2007. A atriz já tem larga experiência em ''fabricar'' trabalho. Antes de fazer sucesso como a batalhadora Dona Patroa em Renascer, na Globo, em 1993, as oportunidades para Eliane na tevê não eram tão boas. Isso quando elas apareciam. O que deixava a atriz mais próxima dos palcos, produzindo suas peças. ''Até os 40 anos, eu não consegui fazer um bom trabalho em tevê. Eu tinha a síndrome da mulher invisível, não conseguia ser notada'', confessa.

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