Como atrair um cliente para dentro da loja? Na profissão de Marcos Verdeiro, vitrinista há quase três anos, essa pergunta é repetida semanalmente. ''Será que eu gostaria de usar, o que eu gostaria de ver alguém usando'', são outras perguntas que Verdeiro faz antes de iniciar o processo de troca em uma das quatro lojas em que trabalha.
''É um trabalho simples, mas a vitrine é importante para a loja e é preciso tomar cuidado com todo os detalhes'', explica Verdeiro, que até passa as roupas se for preciso. ''Você tem que mostrar o conceito da loja, e por isso eu sempre escolho o que é mais diferente e o mais bacana'', conta. ''Se uma loja é reconhecida pelo seu jeans, por exemplo, ele nem precisa ir para a vitrine, porque os clientes já vão entrar para comprar'', ensina.
Em média, Verdeiro produz cerca de 16 vitrines por mês - as trocas de produtos são semanais, e o cenário só muda mensalmente. Em datas especiais, como Natal, Dia dos Namorados e Dia das Mães, o número aumenta porque outras lojas o procuram para incrementar o visual. ''Eu vendo a minha idéia para as lojas e elas vendem seus produtos'', diz ele, que afirma que ''a vitrine precisa vender''. Tanto isso é verdade que ele nem imagina, por enquanto, em fazer algo que não seja comercial. ''No Japão, onde estão as melhores vitrines do mundo, eles usam um espaço enorme e só colocam um único creme'', conta.
Antes de ser vitrinista, Verdeiro já tinha sido estilista de lojas de tecidos, como a Carambeí e Karazawa, além de desenhar vestidos de noite para as clientes da grife Maria Dolores. Depois foi trabalhar como vendedor no shopping, onde fez a primeira vitrine. ''Descobri que gostava mais daquilo (vitrine) do que das vendas'', lembra o vitrinista que se diz auto-didata, apesar de ter feitos cursos técnicos de desenho no Sesc e Senac.
No trabalho, o que gosta é de estar sempre nos bastidores. ''Também produzo desfiles para as lojas em que trabalho'', conta Verdeiro, que foi um dos colaboradores do catálogo primavera-verão lançado recentemente pela Victor Fescina. Para buscar inspiração, o vitrinista-produtor ''devora'' revistas de moda nacionais e internacionais, ''eu me alimento de imagens'', explica Verdeiro, que completa dizendo que ''a Vogue Itália é uma delícia''.

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