Atitude na passarela
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de março de 2001
Karla Matida De Londrina 
Modesto, ele não acredita e acha que é exagero. Mas o fato é que, para orgulho pé vermelho, o modelo londrinense Guilherme Vicentin é o preferido de boa parte das jornalistas especializadas que cobrem eventos de moda como a São Paulo Fashion Week e a Semana de Moda. Entre tantos bonitões na passarela, o ex-instrutor de musculação e estudante de Educação Física foi eleito por conta dos olhos amendoados e o sorriso pra lá de emblemático.
À primeira vista, todo mundo diz que ele tem um pé no oriente, por conta dos tais olhos. Mas Guilherme explica que não, e que a família paterna é toda de portugueses, e a materna, de italianos, de quem ele diz ter herdado o perfil. Olha o meu nariz, diz.
Aos 21 anos, o modelo está morando em São Paulo desde junho do ano passado. Moro em termos, porque sempre que posso, volto para Londrina, explica Guilherme, que esteve na cidade visitando a família e os amigos. Era só para passar o carnaval, mas vim uma semana antes e estou indo embora uma semana depois, conta.
Logo que eu terminei o colegial, antes mesmo de prestar o vestibular, eu fui para São Paulo, para tentar a carreira, mas não fui aceito, lembra Guilherme, que então voltou para Londrina e foi cursar a faculdade de Educação Física e trabalhar como instrutor de musculação em academias de ginástica.
Nesse meio tempo, também era agenciado da agência Ford de Curitiba, que o colocou nos desfiles do Crystal Fashion. Fiz os desfiles da Makenji e Ellus, e conheci o Paulo Martinez (produtor de moda), que me disse que eu poderia ir para São Paulo, participar dos desfiles que estaria produzindo para o então MorumbiFashion, explica. Nada como um dia depois do outro, a mesma agência (Ford) que tinha me recusado uns meses antes, me chamou de volta, conta. E a mesma Ford Models hoje aposta no londrinense. Basta dar uma olhada no site da agência (www.fordmodels.com.br), que estampa a bela figura do rapaz logo na página de abertura.
Logo em sua primeira temporada de desfiles (primavera-verão 2000/2001) em São Paulo, Guilherme conseguiu estar em cinco disputadas passarelas, como a do estilista Lino Villaventura, no qual dividiu o mesmo camarim com a apresentadora Xuxa. Naquele momento ela era quase igual a um de nós (modelos), explica.
Não que ter conhecido a apresentadora ou qualquer outro famoso tenha abalado as estruturas. Avesso às badalações que movimentam o mundo da moda, Guilherme afirma com todas as letras que não troco nada por uma boa noite de sono. Caseiro, diz que não foi a nenhuma das festas pós-desfiles que tanto encantam os modelos, principalmente os principiantes. Para eu sair de casa, tem que estar tudo certinho, avisa.
Estou aprendendo a morar sozinho, explica Guilherme, que sempre morou com a família e agora divide um apartamento em São Paulo com outros dois modelos. Faço um peixe assado que aprendi com a minha mãe, que é muito bom, garante o modelo. Eu não tenho o perfil de modelo, não sou magro e qualquer coisa me faz engordar, explica. Com 1.85 m, precisa estar de olho na balança para ficar sempre nos 80 quilos. E por isso, volta e meia está à base de dietas loucas, quando só como frango grelhado.
A gente não pode saber quando a carreira vai acabar. Não sou de ficar planejando as coisas, mas acho que poderia voltar à musculação, como personal trainer, por exemplo, diz. Mas é claro, que ainda é cedo para pensar num futuro distante. O Zulu começou com 27 anos, lembra Guilherme. No segundo semestre deste ano, o londrinense deverá embarcar para a Europa, Estados Unidos e Japão. De acordo com a estratégia da agência, ele irá passar duas semanas em cada uma das principais cidades para mostrar seus trabalhos e fazer contatos. Enquanto isso, vou me preparando psicologicamente para conseguir ficar tanto tempo longe de casa, declara.
Além dos desfiles, Guilherme também posa para catálogos, como o do estilista Alexandre Herchcovitch, que não por acaso se tornou objeto de colecionador entre os fashionistas. É também o trabalho que mais trouxe repercussão para o modelo. No dia seguinte, já estava todo mundo comentando lá em São Paulo, lembra.
No ano passado, Guilherme também apareceu nos catálogos da Vicunha, Cedro, Mario Queiroz e Joelle. E para este ano, já fotografou para a próxima edição da revista Mundo Mix. No começo eu ia a todos os testes, ficava esperando horas, hoje eu já sei os trabalhos que têm mais o meu perfil, sei que a Editora Abril, por exemplo, busca um perfil mais bonito, mais comercial, conta.
Eu não me acho bonito, eu sou exótico, diz.


