Curitiba - Ele já foi ídolo da torcida de um dos times mais amados do Paraná, o Atlético Paranaense. Passou por maus bocados durante sua carreira de goleiro. Depois disso resolveu parar de jogar e hoje é um empresário bem colocado no mercado do esporte. Ricardo Pinto, 38 anos, é um exemplo que contradiz a fama de que os ''boleiros'' colocam fora tudo o que ganham com a profissão.
Ele sempre soube que um dia ia ter que parar e que teria que trabalhar forte para se sobressair entre os outros colegas. ''Desde pequeno tinha a ilusão de ser goleiro, pedia para minha mãe fazer bermudas acolchoadas. Não que tenha sido difícil, mas eu tinha que ter um objetivo maior. Foi gostoso, lembro que aos domingos, depois de ter visto grandes jogos no Maracanã, eu pegava minha bolinha colocava embaixo do braço e ficava falando que era o Raul ou o Félix.''
''Comecei em 1980, no Espírito Santo, de lá fui para o Rio de Janeiro jogar no Fluminense, lá fiquei nove anos. Depois joguei em vários times como Corinthians e tive a oportunidade de conhecer aqueles a quem eu admirava tanto.''
Com eles aprendeu a ''vibrar'', fator importantíssimo para quem quer vencer no esporte. ''Fui buscando um pouquinho de cada um de meus ídolos para compor meu perfil'', conta.
Ricardo aprendeu desde cedo a unir a força espiritual, física a um senso de estética. Ele crê que um profissional de sucesso tem que unir esses adjetivos para poder se sobressair entre os tantos que aparecem no mercado de trabalho.
Passados alguns anos de seu afastamento dos campos, o atleta capixaba ainda vive em Curitiba, onde toca uma escola de goleiros. A maneira como conduziu sua carreira, a ponto de hoje viver ainda de futebol, veio através dos conselhos de gente que o acompanha há muito.
No início da carreira, Ricardo conheceu Andressa, com quem teve dois filhos e sua companheira até hoje. Na época, a namorada tinha um pai que o orientava a não desperdiçar nada. ''Quem não tem dinheiro, não tem noção. O meu sogro saiu do nada e ele ia me falando para eu guardar e dando dicas de onde eu deveria aplicar o que começava a ganhar.''
Foi durante essa convivência que Ricardo começou a pensar em trabalhar com grama sintética. Hoje tem uma escola de futebol e uma academia de goleiros, onde cerca de 130 alunos aprendem com ele as noções de perseverança e elegância que um atleta tem que ter.
As escolas de Ricardo são únicas no Brasil. Feitas com grama sintética são ideais para ensinar quem busca noções de como jogar. O empresário acredita que ''futebol é aprendizado, é competição. É disciplina. Acho que mesmo quem não sabe, mas tem vontade de aprender a jogar, acaba conseguindo. Eu mesmo nunca me considerei uma pessoa que tivesse um dom muito grande''.
Mas na vida de Ricardo nem tudo foi só colheita. Quem se lembra quando ele teve a cabeça atingida em campo por um torcedor num jogo e ficou em coma por alguns dias? Quem se lembra que há mais ou menos dois meses Ricardo sumiu no MAR DENTRO DE UMA LANCHA QUANDO FOI PESCAR COM AMIGOS? pOIS é O ATLETA Já ENFRENTOU SITUAçõES DE LIMITE E NãO SE ACHA UM ILUMINADO POR TER ESCAPADO SãO E SALVO DESSES SUSTOS QUE A VIDA LHE DEU.
Para Ricardo, o apoio da rede de amigos que lhe cercam é essencial nas suas escapadas de emboscadas tão sérias. ''Eu me considero uma pessoa que tem muitos amigos. Quando eu sofri o acidente, em 1996, houve uma manifestação muito grande de solidariedade, no Brasil inteiro. E eu já percebia que tinha amigos. E agora, com o que aconteceu recentemente, tive a certeza disso. Tenho milhares de amigos. Não que eu tenha força para me safar dessas coisas, mas eu sei que se eu depender de amigos vou estar sempre com uma condição melhor.''
E que tipo de lição Ricardo tira da vida? ''A missão de que você tem que plantar para colher. A de que você ajude os outros e que podendo faça o bem. Na hora precisar vai receber de volta.''

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