Artesão do sushi
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de janeiro de 2012
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
Quando Adriano Kanashiro trocou Londrina por São Paulo - meca dos melhores restaurantes japoneses do País - o intuito era apenas aprender um pouco mais sobre essa gastronomia dominada por salmão, atum, saquê, arroz, shoyo. Humilde aprendiz obstinado, ele entrou pela porta dos fundos em seu primeiro emprego e arrebatou a vaga de auxiliar de peixeiro, em seguida de cozinha até chegar a auxiliar de sushi.
''Foi bem puxado. Fiquei quase dois anos no primeiro restaurante, depois fui trabalhar em um que era um misto de cozinha japonesa e chinesa, foi onde aprendi muita técnica da cozinha chinesa, que também é muito legal. Após esse período fui convidado a cuidar de um novo restaurante e, após três anos, virei sócio-proprietário. No ano de 2000 abri mais uma unidade que se chamava Restaurante by Adriano Kanashiro'', conta ele.
Nessa época, Adriano já começava a ver seu nome despontar entre os reverenciados nesse cenário. A notoriedade ganhou ainda mais peso em 2005, quando o londrinense recebeu - e aceitou - o convite para trabalhar no Hyatt Group, cadeia internacional de hotéis no qual passou a cuidar do restaurante japonês. No novo trabalho, viajou para o Japão, Argentina e Chile, onde teve a oportunidade de conhecer e trabalhar com mestres do mundo todo.
Foi assim que o chef, excelência em esplêndidos e apetitosos pratos japoneses e famoso em todo Brasil, ficou grande a ponto de dar início ao seu grande sonho: ter seu próprio restaurante.
Em novembro último o rol dos celebrados pontos gastronômicos de São Paulo ganhou o Momotaro, um local onde as pessoas desfrutam a busca pela perfeição desse simpático paranaense. O ponto fica bem pertinho do Parque Ibirapuera e oferece, entre as tantas delícias, no mínimo, 40 rótulos de saquê.
''É um sonho realizado e o diferencial é que na realidade se trata de um restaurante com um serviço informal, onde preparamos tudo para as pessoas poderem compartilhar a comida à mesa como num izakaya (taverna ou boteco de pestiscos e saquê) no Japão'', comenta.
No espaço, sofisticado e aconchegante, Kanashiro mostra seu potencial com a faca na mão, uma sequência de segredos que o tempo o ensinou. ''Ser um bom sushiman requer muito estudo sobre a cultura e a história, além da prática do dia a dia.''
Famoso também por inovar nesse meio, é tentando, testando e errando muito que ele chega à perfeição de suas 'criações'. ''Depois de um certo tempo a gente começa a saber exatamente o que combina para podermos realizar alguma mistura diferente. Criei um sushi que virou um clássico meu e hoje a maioria dos bons restaurantes japoneses incluíram em seu menu, que é foie gras - fígado de pato utilizado na culinária francesa. Resolvi usar esse ingrediente pela influência do chef Erick Jacquin e na realidade é um sushi de atum com foie gras grelhado e molho teriyaki'', conta ele, que entre as tantas invenções destaca a que mais lhe agrada: ''Fiz um sushi de salmão com unagui (enguia) e espuma de cupuaçu com wasabi''.
Do famoso ditado popular que 'filho de peixe, peixinho é', Kanashiro serve de exemplo. Tomou ainda mais gosto pela culinária ao acompanhar sua mãe Cecília, uma cozinheira que nunca errava a mão, e também de ter a oportunidade de trabalhar servindo e cozinhando no bar do seu pai, o famoso Baiano. ''O Baiano das batidas'', recorda ele.
Nas quase duas décadas destinadas a arte da comida japonesa, Adriano deposita o sucesso e reconhecimento de seu trabalho em três importantes palavras: humildade, dedicação e treinamento. ''Muito treinamento'', frisa.
''Os brasileiros gostam de muita coisa nessa culinária. Nos restaurantes japoneses não existem somente peixes crus, temos uma variedade enorme de pratos grelhados, empanados e cozidos, mas, por outro lado o que as pessoas realmente querem é comer sushi e sashimi'', finaliza ele, que nos revela em seguida que, mesmo tendo foco em São Paulo, já cogitou a ideia de abrir um restaurante em sua cidade natal. Londrina vai adorar!


