Artesão de figuraças
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Gabriela Germano<br> TV Press 
Osmar Prado tem roubado a cena como o indiano Manu, em ''Caminho das Índias''. Na novela das oito da Globo, ele é pai da mocinha Maya (Juliana Paes). Mas protagoniza momentos realmente hilários ao lado da esposa Kochi, interpretada por Nivea Maria, e tentando levar a melhor em seus acordos comerciais.
Com 50 anos de carreira, o veterano vive a expectativa de saber como Manu vai repercutir junto ao público. Para Osmar, quem destaca os grandes personagens de sua trajetória são os telespectadores. Entre os grandes sucessos está, por exemplo, Tabaco, do folhetim ''Roda de Fogo'', de 1986. ''É o sonho de todo brasileiro ter três mulheres aos seus pés. Quem é que não sonha com isso?'', justifica o ator. Mas o garanhão não foi o único. A ele somam-se muito outros papéis inesquecíveis, incluindo ''Sangue do Meu Sangue'', que ele fez no SBT. ''A tevê é uma indústria, mas pode ser prazerosa para o ator. Para isso, ele tem de conseguir tocar as pessoas'', resume.
Em relação ao novo papel, terceiro trabalho com a Glória, o ator revela sentir que ela escreve pensando em mim. ''Acho que ela já sabe das minhas potencialidades''
Aos 61 anos de idade e 50 de carreira, Osmar Prado não se esquece dos melhores e dos piores momentos no início de sua história na atuação. Um dos primeiros trabalhos que o ator destaca como importante é a primeira versão do seriado ''A Grande Família'', exibido pela Globo de 1972 a 1975. Na série, Osmar interpretava Junior, um estudante contestador que era o filho mais velho de Lineu. ''Acho que depois desse trabalho fui notado como ator. Perceberam que eu poderia fazer coisas legais'', analisa o veterano.
Só depois do seriado é que Osmar foi se aventurar pelos palcos. Mas não teve boas surpresas em relação à crítica sobre sua atuação. Ele se recorda de ler nos jornais a opinião de um crítico que afirmava: ''o ator coloca monocordiamente uma pequena gama de recursos'', lamenta, ao ponderar que Fernanda Montenegro, na mesma ocasião, dizia que ele tinha potencial. ''O crítico não estava longe da verdade, mas exagerou ao não reconhecer que eu pelo menos poderia melhorar. Para ele eu não tinha nada. Acabou comigo''.
''A maior dificuldade é que você quer ser uma coisa que não sabe se vai ser. Um aspirante a advogado entra na faculdade e se forma. A qualidade da instituição que ele cursou e as qualidades dele vão dizer se o mercado absorve ou não. Com arte é mais complexo. O que é ser ator? Até pouco tempo era um profissão não recomendada. Já hoje, por causa do glamour, todo mundo quer seguir. Então, muita gente que nem tem condições de ser, diz ser. E eu não posso ser preconceituoso ou arrogante e dizer que a pessoa não pode vir a ser. Porque com o tempo, pode ser que ela venha a ser um ator mesmo. No meu caso, que tenho 50 anos de carreira e nunca parei de trabalhar, já tive minha resposta. Mas essas incertezas e dúvidas que rodeiam a profissão não são simples de lidar.
Osmar Prado lembra que quando começou na tevê, em 1959, tudo era ao vivo. Só depois veio o teatro e o cinema. ''Titubeei em vários momentos, mas é incrível como eu sempre voltava para o caminho principal. Tentei fazer outras coisas porque meu pai me exigia uma profissão. Vendedor, jogador de futebol, mas não deu certo. Fiz até locução em supermercado, mas o lado ator prevaleceu. É por isso que hoje dou força e amparo às minhas três filhas, que seguem para essa área. Porque lutar nessa profissão é complicado''.


