Arte cosmopolita
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de junho de 2001
Carmen Kley De Londrina 
Aos 38 anos, José Gonçalves conseguiu o que poucos artistas conseguem: suas obras têm status de objetos do desejo. Tem sido assim desde a primeira exposição, em 1992, quando, ainda desconhecido do público, vendeu 80% das obras expostas. Apenas 9 anos depois, ele tem nome reconhecido no cenário nacional, obras na galeria Val de Almeida Júnior, nas lojas D&D e Brentwood, em São Paulo, e na FabStore, de Jayme Bernardo e Altedânio Faust, em Curitiba.
Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), de onde se mudou para Bauru antes de vir para Londrina estudar Arquitetura, José Gonçalves agora está prestes a alçar novos vôos. Nem bem encerrou sua quarta exposição em Boston Pinturas Modernas , na Judi Rotenberg Gallery, e já mantém contato com outra galeria, em São Francisco, interessada em expor seus trabalhos.
Durante recente viagem aos Estados Unidos, José Gonçalves deixou um portfólio em algumas galerias. Passou pela Caldwell Snider que representa, entre outros, Rik Vaniersel e quando voltou ao Brasil, dias depois, lá estava o e-mail, enviado no dia seguinte ao que esteve na galeria. Além do e-mail, a sócia no escritório de arquitetura, Cristina Prado, também tinha um recado: a galeria havia ligado!
Todo esse interesse por parte da Caldwell e tantas outras conquistas não inflaram o ego de José Gonçalves. Ele continua modesto, tímido e simples como o próprio nome. É o mesmo José Gonçalves que, em 1992, venceu o Salão Banestado de Artistas Inéditos. Tanto que, sobre o sucesso da última exposição em Boston, é o assessor Sérgio do Couto Fernandes quem fala: A dona da Judi Rotenberg Gallery escreveu que era bom trabalhar com ele porque suas obras vendiam com facilidade, elas fisgavam as pessoas.
Desde que começou a expor em Boston, no ano passado, primeiro numa coletiva, depois em individuais, Sérgio Fernandes calcula que José Gonçalves tenha vendido cerca de 75 telas. O interessante é que as pessoas que adquiriram obras na primeira exposição voltaram a comprar, diz o assessor. Entre eles, o fotógrafo Steven Seagal, que se apaixonou pela obra de Gonçalves.
Nem o próprio artista tem uma explicação para o fato de sua obra fisgar o espectador. A única coisa que sei é que pinto o quero pintar. Procuro descomplicar, ser o mais simples possível e, de certa forma, fazer da arte um contraponto: tento fazer de minhas telas o oposto da realidade em que vivemos no Brasil.
Ele se refere às cores vibrantes, que se tornaram marca registrada do seu trabalho. Há quem diga que essas cores sejam um contraponto ao seu jeito tímido e reservado. Mas mesmo as telas em tons de preto, branco e cinza têm muita luz, muita alegria.
Agora expandindo seu loft (que já foi tema de reportagem da revista Casa e Jardim), José Gonçalves pensa no futuro com otimismo. E não poderia ser diferente, já que sua carreira sempre foi ascendente. A sorte conta, sim, mas muito à frente dela vem, segundo o artista, a disciplina de pintar todo santo dia, venha ou não venha inspiração. Outro grande segredo, ensina, é buscar novos caminhos sempre e estar atento às oportunidades.


