''Eu sou muito espontâneo'', vai logo avisando o marchand paulistano Roberto Koln. A dica vale tanto para a repórter quanto para o fotógrafo, que nem pede uma pose especial do entrevistado, já que percebe a intimidade natural de Koln com as lentes da câmera. ''Sou da época da televisão a lenha'', sorri, lembrando da época em que fazia teatro em São Paulo e participava de programas quando a televisão brasileira ainda era feita totalmente ao vivo.
Em julho, o marchand esteve em Londrina para duas missões importantes. Além de visitar amigos de longa data, Koln também fez uma doação significativa para o Museu Histórico de Londrina. Sem grande badalação, entregou todo seu acervo de fotografias e recortes de jornal reunido durante os anos em que morou na cidade. Pioneiro das artes na cidade, deu início a um grupo de teatro amador, construiu um teatro com doações, promoveu festas e foi até colunista social da Folha de Londrina. Isso tudo sem esquecer dos negócios, já que entre tanta agitação ainda comandava a ótica da família.
Foi por causa da loja de óculos que o pai montou por aqui que Koln deixou São Paulo, onde aos 19 anos vivia uma época especialíssima. ''Brincava de teatro e ainda fazia televisão'', lembra. Apesar de toda a agitação na capital paulista, não se incomodou com a mudança para uma cidade pequena. ''Me deu uns cinco minutos e eu vim'', conta.
''As coisas boas que acontecem na minha vida vêm para mim. Quando eu planejei muito, me dei mal'', garante. E foi assim, sem grandes planejamentos que ele fez e aconteceu em Londrina nos anos 1950 e 1960. É assim que segue sua vida, agora morando novamente em São Paulo, onde negocia a compra e avenda de obras de arte. E a velha paixão? ''O teatro veio a mim'', avisa Koln, que atualmente está participando nos bastidores de duas produções por lá.
Foram 18 anos sem vir a Londrina, até que amigos daqui o questionaram em nome das lembranças do Grupo Permanente de Teatro (GPT), que ajudou a fundar. Voltou para participar de um ciclo de palestras e, na platéia, um ouvinte atento e interessado anotou tudo e quis saber mais, muito mais. O resultado deverá sair no final de setembro, na forma de um livro biográfico escrito pelo jornalista e dramaturgo Maurício Arruda Mendonça. O foco acaba sendo a história do teatro na cidade com o GPT, que se manteve de 1956 a 1964. ''Foi um trabalho bonito'', lembra.
Dedicado, Koln ajudou o grupo a construir um teatro próprio. Numa apresentação para a Associação Médica de Londrina conseguiu doações de médicos para comprar as cadeiras do teatro. ''São as mesmas que estão no auditório da AML ainda hoje'', afirma. ''Tenho a lista de todos os doadores, até poderiam colocar umas plaquinhas com o nome de cada um'', diz Koln para a amiga Maria Alice Brunelli, sua anfitriã na cidade.
É com Maria Alice que o marchand divide as lembranças da época em que se aventurou a escrever a coluna social da Folha, por volta de 1957. ''Eu era notícia'', diz Koln, que ajudou a promover uma Noite do Charleston que acabou se tornando um sucesso. Como participava da movimentação cultural na cidade, especialmente dos concorridos jantares do Londrina Country Club, foi chamado a assumir por um período a coluna ''Sady Safady'', nascida de uma idéia dos amigos Maria Lúcia e Maria Tereza Foratini e Diógenes Danielides. D ''A coluna social era uma coqueluche naquela época'', conta. ''O colunista Ibrahim Sued estava no auge, então eles (os fundadores da coluna) pensaram em um sobrenome árabe e algo que tivesse a ver com safadeza, já que algumas notas eram picantes'', lembra.
Agora é só esperar pelo livro. ''Está tudo lá'', garante Koln, este sim com muitas histórias para contar.

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