Formado em arquitetura, em 2005, na Universidade Estadual de Londrina, Humberto Leal é um novato profissional que tem muito a comemorar. Quando saiu de Londrina, em 2008, para fazer um mestrado em Barcelona, na Espanha, nem imaginava que incrementaria seu currículo com um prêmio de peso.
Mestrando na Universitat Politècnica de Catalunya (UPC), com o tema ''Simulação Térmica'', o qual defende no fim deste ano, em Barcelona, Humberto se inscreveu no Solar Decathlon, concurso no qual alunos de universidades do mundo inteiro participam, desenhando e construindo projetos de residências autossuficientes energeticamente.
''Mais de 100 alunos, de universidades do mundo todo, participaram do projeto que se chama LOW3, altamente sutentável. Fizemos uma casa para um casal, com custo final de 160 mil euros'', conta o arquiteto.
LOW3 é tido como um dos projetos mais economicos e viáveis, tendo como premissa a economia clara de pensamento, que inclui o uso de uma estufa genérica, que abriga uma estrutura isolada e cria espaços intermediários úteis, além de poéticos.
Todos os projetos foram montados em uma vila, onde os alunos dos mais diversos países trabalhavam na execução de seus ambientes, sempre baseados em critérios de sustentabilidade, com pouco consumo de energia e impacto ambiental.
''Interessante é que lá não se via caçambas com entulhos. Tudo era reaproveitado. Desenhamos uma casa sustentável que produz tudo que consome, com sistemas de eficiência energética. Não esperávamos nenhum prêmio, visto que éramos a universidade com menos recurso. Outra coisa importante é que sustentabilidade na Europa é algo muito forte, avançado e levado a sério'', lembra.
Com um juri de altíssimo nível, composto pelos melhores arquitetos do mundo, como o renomado Glenn Murcutt, presidente da Associação Australiana da Arquitetura, a equipe de Humberto Leal, dentro das várias categorias de premiações do Solar Decathlon Europe 2010, ganhou o ''Prêmio de Arquitetura'', sendo contemplada com uma medalha e, de quebra, a visita - na casa conceito - do princípe da Espanha, Felipe de Bourbon, que conheceu todos os protótipos.
Mas, certamente, a mais valiosa das recompensas por um trabalho e estudo que lhe consumiam total dedicação, se consolida em um desejado currículo. De volta ao Brasil, o jovem arquiteto de 29 anos já recebeu várias propostas de trabalho. ''Realmente estou muito feliz. Voltei da Europa principalmente por causa da crise, o desemprego lá está muito grande. O Brasil, principalmente na construção civil, é a bola da vez.''

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