Curitiba- Vivemos mesmo um período onde tudo pode ser refeito, rescrito, reinventado. Em que as fórmulas do passado para se ter sucesso no trabalho e na vida pessoal já foram ultrapassadas. Não há mais tempo a perder. Nem nos negócios. Tampouco no privado. Com essa perspectiva de vida a de que se pode fazer várias coisas juntas com qualidade e que se deve achar tempo para os prazeres que Helder Dias, dono de uma fábrica de móveis para escritórios, vive hoje. Aos 34 anos, casado e cheio de idéias boas na cabeça, Dias é um daqueles aventureiros que não ficou com a faísca atrasada para os negócios.
Há alguns anos, Dias teve uma crise de estresse e foi recomendado pelo médico a levar uma vida mais saudável. Como desde jovem era um assunto que lhe agradava, retomou hábitos antigos como nadar, correr, fazer caminhadas e esquiar. Agora, isso virou lazer, e Dias já pensa em fazer maratonas e travessias. ''O que tenho mais feito agora é o thriatlon. E para você praticá-lo tem que fazer travessias de mar e de terra e provas de ciclismo''.
''Desde pequeno tive contato com a natureza, fui escoteiro. Faço natação desde os 12 anos, o que me permitiu hoje fazer provas triplas. Isso ajudou''. Essa ajuda com o tempo se sofisticou, Dias adora esquiar na Europa, mas não perdeu o gosto por aventuras mais selvagens. Esse ano fez uma caminhada de quatro dias pela trilha Maia, em Machu Picchu, Peru, uma imersão num mundo onde o glamour das pistas de esqui européias é uma antítese absoluta. Mas isso não importa, o que vale mesmo para o espírito do empresário é sair, recarregar as energias do corpo e da alma. Um assunto que até pode parecer meio lugar comum ou piegas, mas que na realidade traz uma bagagem cultural e sensorial que só o ajuda na hora de tomar decisões em sua empresa.
''Todos os esportes que eu tenho corrido atrás são sempre uma busca para superar limites. O que tem de limite no esqui? Um monte. Em corridas e natações também. Só na caminhada no Peru é que a coisa é mais espiritual''. Mas esse encontro espiritual foi mais pelo tempo em que ficou distante da rotina e perto da natureza. ''Todo mundo fala que lá é um lugar que você se descobre. Mas eu acho que só o fato de ficar isolado quatro dias ajuda a você se encontrar. Querendo ou não, você acaba se encontrando com aquilo que não consegue descobrir sozinho''.
E o estar fora ajuda na valorização do dia-a-dia? ''Ajuda sim, pelo descanso que você tem e pelo fato de começar a lembrar daquelas situações boas que viveu naquele momento e também tirar energia para viver melhor.''
Essas indas e vindas de aventura foram o aprendizado também para o casamento de 14 anos. Sua mulher não comunga do mesmo espírito aventureiro, mas nem por isso atrapalha as investidas do marido. ''Ela percebeu a mudança de ritmo. Eu a conheço há muitos anos e ela respeita isso. Se fosse me acompanhar seria muito chato para ela''. A liberdade de ir e vir e de manter contato com os amigos acaba ajudando a manter a relação numa boa. A recíproca é verdadeira. ''Se ela quiser também sai sozinha. Só que ela não gosta muito'', conta.
A empresa também acaba sendo favorecida pelos momentos de relax. Helder já foi premiado mais de uma vez com o CNI, na categoria gestão de design. Isso significa que várias fases de sua empresa funcionam em perfeita harmonia.
''A fórmula é abrir a cabeça. Essa história de ficar 'chocando' teu negócio, ficar em cima dele, não funciona. Acho que tem que ir para fora, estimular teu lado criativo. Por isso o porquê de ficar uma semana longe, caminhando em algum lugar. Você volta com idéias novas e enriquece teu lado cultural e pessoal. Na soma consegue resultados melhores do que se ficasse bitolado no teu negócio.
Então quer dizer que, na idéia de Helder Dias, aquele ditado de que ''o olho do dono engorda o boi'' já está meio ultrapassado? ''É eu acho que está. Chega uma hora que você satura e tem que ter mais informações externas. E essas informações não vêm somente de buscá-las no teu segmento. Às vezes, para ter uma idéia de criar um produto novo, tem que lembrar de alguma coisa que você viu em um lugar bem diferente e aí vem a idéia. É a tua bagagem cultural que você leva com você''. Mais um paradigma que cai. Estamos em 2004.

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