Desde criança as imagens em movimento exercem fascínio sobre Daniela Escobar. A atriz jura que assistiu a ''Selva de Pedra'' de ponta a ponta. Isto é, a primeira versão da novela de Janete Clair, exibida em 1973, quando Daniela tinha apenas 4 anos. Na época, a pequena gaúcha de São Borja já era vidrada por tevê e cinema e ficava imaginando-se do outro lado da tela. Hoje, aos 32 anos, o desejo de infância se consolidou. Com 12 anos de carreira, a atriz interpreta a Maysa de ''O Clone''. Paralelamente, apresenta o ''Superbonita'' no canal por assinatura GNT. E ao mesmo tempo estréia no cinema em ''O Dono do Mar'', de Odorico Mendes, que vai ser lançado ano que vem. ''Não olhava para os atores com olhos de fã, e sim pensando: 'quero estar lá'. Queria fazer outros tipos e não ser a Daniela o tempo todo'', recorda a atriz.
A menina de São Borja ganhou ares de mulher e uma beleza clássica. Mesmo assim, os olhos ainda brilham como os de uma criança. Só que agora fascinados pela profissão que escolheu e pelo papel na novela das oito. A atriz detalha as características da Maysa, que na trama de Glória Perez se apaixona por Diogo - um dos gêmeos interpretados por Murilo Benício. Mas, após a trágica morte do rapaz, ela acaba se impressionando com o irmão dele, Lucas. ''Ela não tem uma paixão verdadeira por ele. É uma paixão de transferência, que vem da dor pela perda do Diogo'', destaca.
O encanto pela profissão pode ser medido na preparação para os trabalhos. Daniela é daquelas atrizes que entram de cabeça na personagem. Um bom exemplo é a Bela, que interpretou em ''Aquarela do Brasil'', ano passado. Como se tratava de uma judia vinda dos campos de concentração nazista, a atriz emagreceu 15 quilos em menos de cinco meses. Daniela chegou a ficar magra a ponto de preocupar o autor Lauro César Muniz. Tanto que durante a minissérie ele escrevia sempre cenas com Bela comendo alguma coisa. ''Por um bom personagem não meço consequências. A Bela tinha um assunto que me interessava, fui estudar as raízes desse assunto e me identifiquei barbaramente'', revela a atriz, que diz ter recuperado 10 quilos em 15 dias.
Daniela gosta, de verdade, de estudar. Em qualquer trabalho, a atriz procura fazer da personagem que vai interpretar um aprendizado. Por essa razão, os workshops da Globo acabam sendo um prato cheio para a atriz. Com ''O Clone'' não foi diferente. Como na segunda fase da novela, Mel, a filha de Maysa, vivida por Débora Falabella, vai se envolver com drogas, Daniela estudou bastante o assunto e acabou fazendo algumas ''descobertas''. ''Um dependente é como uma pessoa que tem diabetes. É uma doença que não tem cura. Pensei que só quem tomasse muita droga fosse dependente, mas não precisa ser muita quantidade se você tem isso no seu organismo'', espanta-se.
Na hora de colocar em prática o estudo, Daniela também demonstra encantamento. Ainda mais quando é dirigida por Jayme Monjardim. Ela não cansa de ''corujar'' o marido e garante que já admirava o trabalho dele antes mesmo de se casarem, quando trabalharam juntos em ''A Idade da Loba'', exibida pela Band em 1996. Desde então, ela atuou em outras produções comandadas por Monjardim, como ''Chiquinha Gonzaga'' e ''Aquarela do Brasil''. Mesmo assim, Daniela diz que não se incomoda com os comentários de que só é chamada para trabalhos assinados por Jayme. ''Não dou bola. Sou casada há cinco anos, mas tenho 12 de profissão'', argumenta.
A atriz prefere destacar outras vantagens em ser casada com um diretor global. ''Tenho a garantia de que não vai passar nada de ruim na cena, pois sei o jeito que ele trabalha'', valoriza a atriz. Até porque o casal tem em comum o encantamento pela imagem, pela televisão e pela fotografia. ''Minha grande paixão é a câmara. Gosto de me ver, ver de novo e me aprimorar'', enaltece.

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