Aonde o povo está
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de junho de 2001
Leandro Calixto TV Press 
Foram programas-cabeça que tornaram Astrid Fontenelle conhecida. Pé na Cozinha e Barraco MTV, na emissora musical, ou o TV Mix, na TV Gazeta, deram à jornalista acesso a um público sofisticado, mas restrito. Hoje, aos 40 anos de idade e 17 anos de profissão, ela cansou. E, segundo ela, resolveu adotar uma linguagem popular, muito em voga para atrair audiência. Ou seja: não é ela que está se adaptando às intenções da Band, mas foi o Melhor da Tarde que caiu como uma luva na nova proposta de trabalho de Astrid. Cheguei à conclusão de que estou num momento em que preciso ser mais popular, justifica.
Ao lado do jornalista Leão Lobo e da numeróloga Aparecida Liberato, Astrid comanda a produção diária que tem como objetivo mesclar entretenimento, prestação de serviços e também fofocas. Estamos realmente entrando nesta onda que tomou conta da televisão. Mas sempre com a preocupação de não sermos levianos, garante a apresentadora, que chegou a ficar por mais de um ano na geladeira da emissora. Apesar de ter ficado tanto tempo no ostracismo, a apresentadora diz que não se arrependeu de ter saído da MTV, onde, além de VJ, também era diretora de jornalismo. Foi ótimo enquanto durou. O importante é que fiz história ao ajudar a implantar a MTV no Brasil, reivindica.
Como está sendo a experiência de fazer um programa popular?
Queria realmente dar uma guinada na carreira. Depois que fiz a cobertura por dois anos do Carnaval da Bahia, percebi que sou popular. Então, resolvi ser realmente popular. Cansei de fazer programas para meus amigos. Com este programa e com a nova fase da Band, que quer ser mais popular, estou tendo a chance de falar com um número maior de pessoas. Também posso tratar dos mais variados assuntos. Confio no meu taco e não pretendo perder a graça.
Como entrar na briga pelo ibope da tarde sem apelar?
Em primeiro lugar, sendo inteligente. As pautas estão quicando por aí todos os dias. Então, dá para fazer coisas interessantes. E com isso, procuramos buscar notícias que dêem repercussão. Não quero copiar nada do que estão fazendo atualmente, como estas leituras de revistas ou jornais no ar. Vamos buscar nossas fontes para fazer um programa interessante.
No programa você está fazendo tabelinha com Leão Lobo, um fofoqueiro assumido. Você não se preocupa em associar sua imagem a fofocas?
De maneira alguma. A grande onda hoje em dia é realmente fazer fofocas na televisão. Todo mundo gosta de fofoca. As pessoas querem saber da vida dos artistas. Mas nossa preocupação não é fazer um trabalho escroto, antiético, sacana ou babaca. Vamos respeitar todo mundo. Nossa intenção é ir atrás da informação. Quanto a trabalhar ao lado do Leão, estou adorando. Ele é um cara muito sensível. Não estou querendo dizer no sentido efeminado da palavra. Às vezes, acho que sou mais maliciosa do que ele.
Ao longo da carreira, você fez programas de prestígio. Esse tipo de programa saturou na televisão brasileira?
Há muitos anos, a televisão deixou de pertencer somente à classe A. Hoje, as emissoras estão fazendo tevê para classes B, C e D. Então, busco atingir esse público. Adorei a experiência de fazer esses programas, mas acho que não se encaixam mais na tevê convencional.
Você ficou por mais de um ano na geladeira na Band. Ficou alguma mágoa com a emissora, depois que o Programaço foi extinto?
Acho que o programa poderia ter sido melhor aproveitado. Foi exibido num dia e num horário horríveis, que era sábado à tarde. Lamentei o final prematuro porque adorava fazer o programa. Mas entendi a posição da Band. Realmente, não dava audiência. Por isso, ficou apenas quatro meses no ar. Mas tudo bem. Fazer o quê?


