Ancorado no bom humor
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sábado, 13 de março de 2004
André Bernardo<br> TV Press 
Em quase 30 anos de carreira na tevê, Carlos Nascimento só se ausentou da Globo duas únicas vezes: em 1998, quando atuou como editor-chefe e apresentador do Jornal da Cultura e, no ano seguinte, quando exerceu as mesmas funções no Jornal da Record. Nas duas ocasiões, orgulha-se, seus telejornais receberam o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), como os melhores daqueles anos. Quase uma década e meia depois, Nascimento volta a deixar a Globo. Vencido o contrato em fevereiro deste ano, aceitou o convite da Band para substituir Marcos Hummel à frente do Jornal da Band, a partir de amanhã. ''Depois de quase 30 anos, você sente a necessidade de buscar novos caminhos. Na Globo, fiz tudo o que tinha de fazer. Já estava na hora de sair'', avalia ele.
A decisão, porém, surpreendeu a quem estava acostumado a vê-lo trocando gracejos com Sandra Annenberg no Jornal Hoje. Desde o mês passado, Evaristo Costa, o ''moço do tempo'', ocupa o seu lugar na bancada do telejornal vespertino da Globo. Já no dia seguinte ao seu desligamento, Nascimento começou a ser abordado nas ruas por telespectadores queixosos. Até a mãe do jornalista, inconformada com sua decisão, deu um puxão de orelhas no filho. Mas ele não se abala. Confiante, diz estar orgulhoso por apresentar um telejornal à noite, no horário nobre da tevê brasileira. ''O âncora brasileiro pensa que vive na Inglaterra. É formal, sisudo... Na Band, vou continuar com o estilo descontraído e bem-humorado de dar a notícia'', avisa.
Segundo ele, na Globo, fez tudo o que tinha para fazer. ''Fiz reportagens, fui correspondente, ancorei telejornais... Já estava na hora de sair. Na Band, estarei à frente de um dos maiores telejornais do País, no horário nobre da tevê brasileira. Quando você sai de uma emissora líder de audiência, se sente na obrigação de fazer um trabalho tão bem-feito ou até melhor do que fazia antes. E isso é sempre bom''.
Nascimento revela o desejo de que o Jornal da Band volte a ocupar um lugar de destaque no telejornalismo brasileiro. Para tanto, quer implantar uma linha mais analítica e interpretativa do que simplesmente informativa. ''Isso não quer dizer, absolutamente, que ele tenha de ser chato... Orientei os repórteres a fazer a matéria e a explicar para os telespectadores o que aquele fato vai representar no dia-a-dia deles. Se aquela notícia vai ter consequências futuras e assim por diante...''
Nascimento confessa que sua mãe não aprovou muito a idéia de ele sair da Globo. ''Mas minha mãe tem quase 80 anos. É uma pessoa conservadora. O público em geral, aliás, é conservador. Algumas pessoas já vieram mexer comigo, dizendo: Ah, vou sentir a sua falta!. Aí, respondo: 'Mude de canal! Você vai gostar!''. Mas admite: ''Geralmente, apresentador de telejornal quando muda é que nem padre de igreja. Metade da paróquia gosta. A outra, não. Muitos nem sabem quem é o novo pároco, mas já se apressam em dizer que não vão gostar dele. Tudo na vida é questão de hábito''.


