Só quando compara seu desempenho atual com o das primeiras edições à frente do ‘‘Jornal da Noite’’, da Band, Maria Cristina Poli se dá conta do quanto melhorou. De fato, três meses foram o bastante para a jornalista sentir-se à vontade na bancada. Apesar dos 21 anos de profissão, a ex-repórter da Globo e da TV Cultura nunca tinha apresentado um telejornal. Mesmo assim, não titubeou diante do convite feito pelo diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre. Em novembro do ano passado, assumiu a nova função, dando início às reformulações propostas pela emissora. ‘‘Conseguimos criar um noticiário híbrido, com informação e entrevistas. Agora o ‘Jornal da Noite’ tem cara de revista’’, valoriza.
Se depender da jornalista, contudo, as mudanças não param por aí. Em breve, ela espera apresentar também notícias sobre cultura voltadas ‘‘para um público de alto nível’’, como destaca a apresentadora. ‘‘A editoria cultural anda esquecida pelos telejornais. Trazê-la de volta é imprimir um diferencial a nosso trabalho’’, acredita.
Primeiro trabalho na tevê: Assistente de produção do ‘‘Hebe’’, em 1979.
Notícia que sonha anunciar: ‘‘Globalizada a igualdade social’’.
Reportagem marcante: ‘‘Um documentário que fiz na China sobre a abertura econômica do país, em 1993’’.
Reportagem que deseja fazer: ‘‘Uma série sobre a África, mostrando tanto as mazelas quanto o lado colorido do continente’’.
Jornalismo brasileiro: ‘‘Tem uma responsabilidade a mais que em outros países. Como a Justiça não funciona por aqui, são as denúncias feitas por nossos jornalistas que provocam mudanças’’.
Livro de cabeceira: ‘‘O Livro do Desassossego’’, de Fernando Pessoa. ‘‘Ele me acalma’’.
Maior aventura jornalística: ‘‘A cobertura de uma greve de caminhoneiros em São Paulo, onde tentaram fazer nossa equipe refém. Conseguimos fugir pelo mato e fizemos fogo com lençóis para o helicóptero da Globo nos encontrar antes dos grevistas’’.

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