PAU DE SEBO

  Falar sobre elegância quando a política está em pauta é assunto difícil. A coluna traça hoje um pequeno perfil do estilo dos cinco principais candidatos ao cargo de prefeito de Curitiba.
  O modo como cada um se veste e trata sua própria imagem é uma radiografia daquilo que passa dentro de cada um deles.
Vestir-se bem, cuidar da própria imagem é um dever de quem lida com o público. Vestir-se relata o padrão pecuniário de cada um e aponta o lugar que cada homem ocupa na sociedade.
  O escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850) disse certa vez: ‘‘Como a vaidade é a arte de se endomingar todos os dias, cada homem sentiu a necessidade de ter, como marca de seu poder, um sinal encarregado de avisar aos passantes o lugar que ocupa no grande pau de sebo em cujo topo os reis fazem ginástica’’. Também de Balzac: ‘‘As roupas se transformaram, sucessivamente, em sinais materiais do maior ou menor número de fantasias que tinha o direito de satistazer... Então um transeunte, apenas olhando, distinguia um ocioso de um trabalhador, uma cifra de um zero.’’
  Passar uma imagem bonita não é apenas um ato de vaidade (se bem que todo político é vaidoso) mas de respeito também. Como eles invadem nossas casas, durante o Horário Eleitoral Gratuito, nossas ruas com cartazes por todos os lados, teriam obrigação de passar uma imagem cuidadosa. A constatação é a de que todos os cinco de alguma forma são bem cuidados. Alguns mais clássicos, outros mais casuais, outro bem vaidoso e um deles talvez o mais próximo do moderno. Acompanhem:



RUBENS BUENO (PPS)
  Outro que não conta o ano em que nasceu, pelo menos em seu site oficial não há registros sobre isso. Bueno é um homem comum e elegante. Em momentos mais casuais usa calça de sarja e camiseta pólo. A pele é bem cuidada. A cabeleira é bem penteada e assumidamente branca. Dá para perceber que, embora vaidoso, sabe que o tempo é implacável e tentar apagá-lo muitas vezes pode virar uma armadilha. Se ganhar, o espírito das festas municipais será de bom gosto, sem exageros.



ÂNGELO VANHONI (PT)
  O candidato do PT, 49 anos, é adepto do estilo calça, camisa e suspensório (o que aliás volta à moda em algumas coleções internacionais), mas nem por isso tem uma imagem careta. O cabelo meio despenteado dá uma quebrada na seriedade. Vanhoni não ousa e tem kits que já ficaram bem conhecidos, como o terno azul combinado com uma gravata listrada azul e marrom. Se sair vitorioso nestas eleições, as festas da prefeitura irão ganhar um ar mais descompromissado.



OSMAR BERTOLDI (PFL)
  Aos 35 anos, é o candidato que mais se aproxima do visual moderno. Na verdade, Bertoldi tem cara de galã de novela das oito. Em suas aparições públicas dá para perceber que nem um fio de cabelo branco aparece. Ou é porque ele ainda não foi agraciado com os sinais do tempo ou consegue disfarçá-los muito bem. Bertoldi não é adepto de uniformes. Ora está todo de preto, numa produção moderna, ora está mais certinho de terno e gravata. No item aparência, é o mais elegante de todos. Se eleito for, suas festas como prefeito vão dar abertura para um povo mais descolado entrar.



MAURO MORAES (PL)
  Em seu site oficial, o candidato do PL coloca o dia de seu nascimento, mas não o ano em que nasceu. A julgar pelo material de campanha, Mauro Moraes é o que mais retoques à própria imagem dá. Os cabelos são obviamente pintados. Há quem diga que os fios são tão bem penteados que parecem estar imobilizados com ‘‘laqu꒒. Mauro usa terno e gravata ou camisa e gravata. Gosta bastante de cores como o vermelho vivo. Se ganhar as eleições, o estilo das festas certamente será o mais popular possível.



BETO RICHA (PSDB)
  Ele tem 39 anos e é o típico curitibano. Conservador no cabelo sempre bem cortadinho. Camisas, calças e jaquetas de gabardine compõem o guarda-roupa do candidato. Beto não pode ser enquadrado como um daqueles vaidosos ao extremo, mas também não é desleixado. Pode-se dizer que sua criação como filho de político, do ex-governador José Richa, o levou a ter uma imagem conservadora, fazendo-o parecer mais velho do que é. Se Beto fosse mais casual aparentaria, no mínimo, uns cinco anos a menos. Se ganhar as eleições, as festas municipais serão empoladas, não tanto pelo próprio Beto mas pelos apoiadores que têm.

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