ANA CLARA GARMENDIA
Canal nacional
A propósito das fotos publicadas, o Multishow anunciou em uma entrevista coletiva no Hotel Renaissance, na modernosa São Paulo, a sua grade de programas para 2001. Sendo o único canal pago dedicado ao público brasileiro, o Multishow está investindo pesado nas suas produções. A começar pelos apresentadores, personalidades como Nelson Motta, um dos brasileiros que mais entende de música na atualidade. Nelsinho apresenta o programa Por trás da Fama, com toda seu charme e conhecimento.
Já passaram pelo programa músicos como Lenny Kravitz, os feras do REM, Oasis e Betty Faria. E estão previstas para essa temporada entrevistas imperdíveis com o gatíssimo Jon Bon Jovi, Barão Vermelho, Melissa Etherige e um monte de gente bacana.
A propósito, você sabia que o Jon Bon Jovi é filho de uma ex-coelhinha da Playboy?
Dentro da proposta do canal entrou um grande escritor, o Ariano Suassuna. Ele faz um programa O Canto do Ariano, que é muito legal porque há todo o lirismo e humor nordestino impresso nele. Outra coisa: é feito em Recife, o que dá uma cara de Brasil para o quadro.
Na coletiva, Wilson Bueno, diretor do Multishow disse que produções fora do eixo Rio-São Paulo estão na sua pauta. Já que o canal é da Globo, eles pretendem estender por outros cantos do Brasil algumas co-produções com as afiliadas da emissora. Isto significa que podemos ter um quadro feito no Paraná dia desses. Existe a possibilidade.
Nesse mesmo sentido, as co-produções já estão funcionando como no caso do programa do João Marcello Bôscoli que foi fechado um pacote com a Trama para a gravação de 20 programas, a serem exibidos durante todo ano de 2001. O Música Brasileira vai reservar espaço de 20% para falar sobre clássicos, 40% para gente que já está com a carreira consolidada e os outros 40% para quem ainda está batalhando pelo seu espaço. Bôscoli quer mostrar desde encontros históricos como o de Elza Soares com Hermeto Pascoal até bandas como Charlie Brown Júnior.
Ainda sobre música...
Quem acaba de abrir uma loja no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, é o Gutto Goffy, baterista do Barão Vermelho. Ele aproveita o ano de férias que a banda vai ter e se dedica a loja Maracatu. No menu da loja, só equipamentos para bateria e percussão.
Mania
Herbert Vianna dos Paralamas do Sucesso é louco por guitarras a ponto de ter em sua casa uma ala só para guardá-las. São mais de 100 e ele acaba de encomendar mais duas. Outra mania de Herbert são os vinhos, ele é profundo entendedor, tem uma adega em cada e sempre exige a bebida em seus camarins. Coisas de estrelas.
Mandou bem
A banda curitibana Relespública agradou a crítica que assistiu sua apresentação no Rock in Rio. Seu desempenho foi avaliado como muito bom, garantindo aos rapazes um lugar na mesma lista em que estavam músicos consagrados como o roqueiro Sting.
Os resíduos de Drummond
O poeta Carlos Drummond de Andrade deixou seu nome gravado na memória de todos brasileiros como um homem sensível que se arrastou pela vida amando, lamentando e descrevendo, sobretudo os sentimentos do mundo. Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança, disse, ou melhor escreveu em um de seus mais celébres poemas, Os Ombros Suportam O mundo. Drummond via muito além do véu com suas incisivas e certeiras palavras. Avisava ao mundo que a vida não é tão dura assim. Somos nós que a complicamos. Talvez, ele também fosse um cara complicado. Viveu anos um amor secreto, saía escondido para encontrar a amada. Era um amor que o pegou desprevenido e o colocou ao lado dos mortais. O difícil corredor de amar e não poder viver este amor. Mas Drummond podia. Através de suas palavras, ele viveu intensamente na frente de todos o seu amor proibido. Já não importava mais nada, pois ele tinha a força de seus poemas a favor de seu proibido e enclausurado amor. Talvez ele tenha preferido viver assim. Escondido, espreitando e se expondo de uma maneira tão iluminada. E tão perfeita. O que pode uma mulher querer mais na vida do que ganhar os versos do homem amado? Esta é a fidelidade eterna. Gravada para sempre na história da nossa cultura. Imagine como Drummond era sábio. Preferia declarar o seu amor, sem que pudessem atrapalhar, pois nos seus versos só ele mandava e assim os eternizava de uma maneira que só ele poderia prever. Fez com que seus grandes momentos de amor atravessassem a barreira do tempo. Hoje, passados anos de sua morte, esses versos continuam atuais como em O Mundo é Grande O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. Amar se aprende amando Sem omitir o real cotidiano, também matéria de poesia. O poeta não acreditava no amor perfeito, sem percalços, sem intempéries. Acreditava sim no amor cheio de entraves, de dificuldades e que estes sim poderiam deixar bons resíduos. Ele sabia que fica um pouco de tudo. Às vezes um botão. Às vezes um rato, nesses versos Drummond se entregou tinha medo dos resíduos. Medo que aquele infinito amor, se desmascarado, se entregue ao real cotidiano, pode acabar deixando resíduos não tão belos como qualquer apaixonado quer e sim pudesse se transformar num rato.





