Além do senso estético


Susan Cruz Especial para a FOLHA
Susan Cruz Especial para a FOLHA
"Hoje se busca uma aparência mais natural e não o caricato", diz Walter Zamarian Júnior, natural de Cornélio Procópio e radicado em Londrina
"Hoje se busca uma aparência mais natural e não o caricato", diz Walter Zamarian Júnior, natural de Cornélio Procópio e radicado em Londrina | Celso Pacheco


Nas recordações da infância surge uma lembrança que permeia a memória do cirurgião plástico Walter Zamarian Júnior. É a imagem do menino observando com carinho o pai no consultório. Zamarian carrega com orgulho não só o nome que herdou, mas também o talento para a carreira escolhida dando continuidade ao trabalho do pai na região de Londrina.
E foi com esse apreço pela profissão que o jovem nascido em Cornélio Procópio, estudioso e fluente em cinco idiomas concluiu o curso de medicina e cirurgia geral na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em seguida teve a oportunidade de realizar a pós-graduação na clínica do renomado cirurgião plástico Ivo Pitanguy – que morreu no início deste mês. O feito é para poucos: apenas 12 alunos são escolhidos, sendo seis brasileiros e seis estrangeiros. Zamarian foi escolhido para atuar na própria clínica de Pitanguy, mentor que o seu pai também teve. Uma vez lá, pôde conhecer os colegas do pai e aprofundar o aprendizado com Pitanguy, por quem guarda grande admiração. "Foi uma enorme satisfação poder conhecer os colegas do meu pai e o Pitanguy que não só se lembrou do meu pai como de várias passagens que teve com ele", orgulha-se.
Tendo perdido o pai com apenas 9 anos de idade essa experiência deixou mais que um legado profissional, mas que Zamarian carrega para a vida. Outra lição que o mentor deixou para seus alunos foi o aprendizado humano dentro da cirurgia plástica. "Ele tinha um lado filantrópico de cirurgias reparadoras", explica. Era possível observar a gama de pessoas que compunham seus pacientes, desde chefes de estado, príncipes e celebridades, até as pessoas mais humildes. "Frequentemente eu faço esse tipo de cirurgia tentando retribuir no lado humano. A voz dos conhecimentos ecoa pelos alunos que transmitem o aprendizado para as novas gerações", avalia.
Pitanguy teve o mérito de buscar as principais técnicas e difundi-las não só no Brasil como no mundo. Zamarian também pensa assim e, por isso, organiza para Londrina um curso de técnicas de preenchimento. Conhecimento adquirido nos Estados Unidos e no Canadá que ele pretende compartilhar com os colegas. "Essa técnica é muito menos invasiva e corrige detalhes na face que antes eram resolvidos apenas com cirurgia. Esse procedimento é sutil e realizado no próprio consultório, a paciente sai pronta", revela.
Antigamente eram abordadas três áreas da face, hoje essa técnica abrange 15 áreas. "Nem todos podem aperfeiçoar a carreira fora do País. Difundir esse conhecimento é proporcionar qualidade no serviço, você pode fazer aquilo que dá menos complicação e melhor resultado", afirma Zamarian.
O cirurgião que realiza cerca de 550 cirurgias por ano conta que um dos procedimentos mais requisitados é a cirurgia de mamas. Outras intervenções que completam o ranking são as de nariz, lifting da face e pálpebras. Já a bichectomia (retirada da gordurinha da bochecha) e o implante de silicone nos glúteos compõem os pedidos que vêm aumentando.
O médico observa, porém, uma mudança de consciência na busca por procedimentos estéticos. Ele acredita que hoje em dia os pacientes chegam ao consultório mais esclarecidos e com uma ideia mais viável do que pode ser feito. "Hoje se busca uma aparência mais natural e não o caricato. Dentro disso, procuro trazer o paciente para a realidade do que pode ser melhorado ou do que não pode ser feito", destaca.
A ideia de que atriz famosa fica pronta quando sai do centro cirúrgico não existe, explica Zamarian. "Vai ficar roxa e inchada sim. Costumo dizer que tirando a minha sogra que não fica roxa, todo mundo fica", descontrai o cirurgião.
Para ele, a cirurgia plástica tem uma missão além da beleza, mas de ajudar as pessoas a buscar um equilíbrio entre mente e corpo. "Até que ponto que esteticamente você não está reparando emocionalmente? Até quando você repara a função isso se estende à estética. É uma linha muito tênue", pondera.
Quando sai do consultório, o médico garante que desliga a capacidade de análise do corpo humano. E dessa forma se desconecta da rotina de cirurgião plástico. Gosta de estudar sobre outros assuntos, como fotografia e vinhos. E, mais recentemente, fez um curso de web designer que possibilitou o desenvolvimento do seu próprio site.
Mas, atualmente, é para família que Zamarian dedica o seu tempo livre. "Meu maior hobby é ser pai, tenho um filho de 11 meses e aguardo ansioso o nascimento da minha filha", enaltece.
E os olhos do cirurgião ganham emoção ao constatar: "a ausência do meu pai está sendo suprida com a minha própria paternidade. E agora isso é tudo que dá sentido à minha vida".


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