Pobres mortais quando voltam de viagem, em geral, trazem presentinhos e souvenirs para os amigos e familiares, além de álbuns de fotografias e muitas histórias. Quando se trata de uma chef privilegiada como Emiliana Pedriali Nóbrega Carvalho, a ''lembrancinha'' da viagem à Espanha é das mais especiais. Na bagagem, a londrinense radicada em São Paulo, trouxe receitas e novidades da gastronomia espanhola, que é, no momento, a cozinha mais badalada do mundo.
Formada no curso de gastronomia da Faculdade Anhembi-Morumbi, Emiliana ganhou, por méritos próprios, a oportunidade de passar dois saborosos meses estagiando na cozinha do chef Martin Berasategui. O restaurante, que fica em San Sebastian (na fronteira com a França), tem as tão cobiçadas três estrelas máximas do guia gastronômico Michelin.
Aliás, segundo Emiliana, a pequena cidade espanhola que a acolheu, no segundo trimestre deste ano, tem a maior concentração per capita de restaurantes três estrelas no mundo, contrariando a idéia de que esse título seria de alguma cidade francesa.
''Mudei meu conceito de culinária'', conta a chef sobre a experiência com a nova cozinha espanhola. ''Só o menu degustação do restaurante tem 11 pratos. É tudo muito minimalista e explora os sentidos nas combinações de quente e frio'', explica Emiliana. ''O ravióli recheado com tinta de lula explode na boca'', completa.
No início de junho, assim que desembarcou no Brasil, ainda com os cheiros e sabores espanhóis na memória, Emiliana foi convidada a preparar o jantar de noivado da irmã. Deixou o cansaço de lado e tratou logo de planejar um cardápio especialíssimo com as novidades trazidas da Espanha. Duas semanas depois já estava em Londrina, na casa da família, para presentear os familiares com três pratos, sobremesa e as entradas, ou melhor, pinchos, como aprendeu com os espanhóis.
O jantar tinha, entre outras delícias inusitadas, gelatina de tomate, miniabóbora com recheio cremoso de ostras e lagostins e telha crocante ao molho de cava (espumante espanhol). A sobremesa? Uma torta morna de maçã verde com calda de caramelo e sorvete de baunilha.
É claro que nesse cardápio, as ostras não poderiam ficar de fora. Ao lado do marido, a chef londrinense montou em São Paulo um bufê de ostras que promete revolucionar o mercado e o paladar da capital paulista. Em funcionamento desde dezembro do ano passado, o bufê terceiriza o serviço para bares e festas, levando louça específica e o balcão de gelo. ''Abrimos a ostra na hora e temperamos com molho especial'', conta Emiliana. ''Assim, as pessoas se interessam mais'', explica, lembrando que as ostras ainda têm uma certa rejeição.
''Minha família sempre foi cobaia'', lembra a chef, que desde criança demonstrava interesse na cozinha. Mas a primeira opção de carreira foi relações públicas. Frequentou a faculdade por dois anos até se decidir que não era bem aquilo que queria. Em São Paulo, descobriu o curso de gastronomia e diz que ''a cada dia que passa estou mais apaixonada''. E é preciso muito amor mesmo para suportar rotinas como a do restaurante espanhol. ''Eram 16 horas de trabalho diariamente'', conta. E nas raras folgas? Visitas a outras cozinhas, vejam só. ''A gente conhece muito de um povo pela comida, então ia ver e experimentar o que os moradores comiam no dia-a-dia'', avisa.
Por enquanto, a família, além de cobaia, é a privilegiada em provar os quitutes de Emiliana. ''Um restaurante meu? Ainda tenho muito que aprender'', garante. Pois já tem gente na fila de espera.

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