Katia Michelle
Equipe da Folha
Curitiba- Ele preside a Mega Model, uma das maiores agências do Brasil. Se auto-intitula o criador do mercado de modelos fotográficos no País e se orgulha em dizer que os rostos (e corpos) mais bonitos do Brasil estão sendo agenciados por ele. Filho de pai egípcio e mãe mexicana, Eli Hadid, 46 anos, nasceu em São Paulo e sempre viveu na metrópole. Foi na capital paulista, aliás, que teve o insight de criar esse mercado promissor, há quase três décadas. ''Eu vi que era um negócio que podia crescer e achei que valia a pena me dedicar'', conta.
No casting da Mega Model, agência que ele criou e que tem filial nos Estados Unidos e México, já passaram nomes como Isabelli Fontana, Ana Paula Arósio, Ana Hickmann, Fernanda Lima, Daniela Cicarelli e Helena Ranaldi. Mas antes de as garotas virarem celebridades e da agência ganhar projeção, muita coisa aconteceu. Tudo começou há 26 anos, quando Hadid, já acostumado a rostos bonitos, namorava uma moça que queria ser modelo. ''Naquela época, isso nem era considerado uma profissão'', lembra Hadid que foi acompanhar a namorada na agência e achou tudo muito ''amador''.
Foi quando ele decidiu investir na profissão e começou a administrar a carreira de alguns rostinhos bonitos. Entre percalços e acertos, ele relata um episódio que marcou sua busca pelo profissionalismo da carreira. Foi quando viu em uma matéria do Fantástico, uma garotinha respondendo o que queria ser quando crescesse. ''Ela queria ser modelo e isso me marcou. A escolha já estava sendo vista como profissão. O mercado estava mudando'', analisa. Mas foi quando algumas modelos brasileiras começaram a ganhar visibilidade no exterior que esse mercado começou a ser mais respeitado.
Fase que ganhou ainda mais força com a projeção de nomes como o da musa Gisele Bundchen. Sobre a moça, aliás, a única que não conseguiu levar para o time da Mega Model, ele conta uma história engraçada: ''Eu tentei apresentar Gisele e Fernanda Lima para uma grande agência (em um período anterior a Mega Model) mas me disseram que nem uma nem outra iriam ser grandes modelos porque não eram bonitas o suficiente''. Na época, ele acabou se envolvendo com outros desafios e as meninas acabaram trilhando a fama por outro caminho.
Mas isso não impediu Hadid de conquistar para o seu time outros nomes, que hoje também são internacionalmente reconhecidos, como Isabeli Goulart, Isabelli Fontana e Adriana Grott, que ele elege como um dos rostos mais bonitos do Brasil. Ele escolheu Adriana, aliás, para representar o megaevento Dream Fashion Tours. ''Ela é a cara do evento. Não queremos mais meninas altas e magricelas desfilando. Queremos mudar esse perfil do mercado'', revela.
Para começar a mudança, Hadid criou o evento que une música, moda e entretenimento. Uma caravana que vai passar por 12 cidades brasileiras e escolher uma representante que ele promete ser a nova modelo brasileira de sucesso. Ele mesmo, em parceria com Adriana, escolhe as modelos em cada cidade. Em Curitiba, a seleção aconteceu na semana passada, depois de uma pré-seleção com mais de cem meninas concorrendo.
Em tempo: para a seleção das meninas, não foi cobrado nenhum tipo de cachê. O investimento por parte da modelo, aliás, é algo que Hadid desaconselha para quem quer ingressar no mercado. Para as iniciantes, ele é categórico e manda um recado: ''Poupem seu dinheiro, não paguem book. Se a agência for séria e a iniciante tiver perspectiva, a empresa mesmo vai investir''.
Mas o que determina o sucesso de uma modelo? Hadid garante que não é só a beleza. ''Ela também precisa estar no lugar certo na hora certa''.

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