Pouca gente sabe, mas um dos melhores chefs de cozinha do País é londrinense. Nascido, criado e educado em terra pé-vermelha, Rodrigo Martins só deixou a cidade para estudar aos 19 anos. Só que foram justamente nessas quase duas décadas por aqui que ele teve os primeiros contatos com cozinhas profissionais. O pai era dono do Peter Bar e foi ali, nas mesas da Rua Pará, que ele passou boa parte da infância. ''Saía da escola e ia pra lá'', lembra Rodrigo. Curioso, assim que terminava a lição de casa, ia conferir o trabalho da mãe - que comandava o preparo dos pratos.
Recém-chegado à casa dos 30 anos, Rodrigo é mesmo precoce. Em pouco mais de 10 anos, ele deixou a casa da família e ganhou o mundo. Sem exageros, suas receitas são apreciadas de norte a sul do Brasil. É que o chef coleciona um cardápio repleto de saborosas e bem-sucedidas aventuras com consultorias em restaurantes do Pará ao Paraná.
E a parceria com a rede curitibana Vino!, de quem Rodrigo é consultor, acabou trazendo o chef de volta à terra natal cerca de um ano atrás, com a inauguração de uma filial na cidade. Martins, aliás, foi um dos responsáveis pela escolha de Londrina depois de um discurso emocionado para o grupo de investidores. ''É a minha cidade'', avisa o chef, que não esconde que tem planos de ter o próprio restaurante por aqui. ''Quero voltar trabalhando para Londrina'', explica.
É uma promessa que os conterrâneos podem esperar com os dedos cruzados na torcida. Afinal, Martins tem mesmo um toque de Midas gastronômico e um jeito todo especial de pensar a culinária e os bastidores de um restaurante. Tanto que o seu bistrô Pomodori - com apenas 32 lugares - está entre os cinco melhores do País, com elogios e estrelas de críticos conceituados como Josimar Melo.
Além de ser sócio da filial paulistana da Vino!, o londrinense ainda tem um restaurante em sociedade com o renomado chef francês Laurent Saudeau em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro. Claro que antes Martins precisou mostrar sua competência para Saudeau - em um intervalo até rápido considerando os longos anos que os assistentes costumam passar com seus mestres - com quem trabalhava antes de se tornar sócio.
Deixar de ter patrão para ter o negócio próprio foi o ingrediente especial na receita de sucesso do chef londrinense. Em 2000, ele abriu o primeiro restaurante e desde então vem desenvolvendo uma filosofia toda especial para seus negócios. Não que ele enxergue apenas cifrões e lucros. Pelo contrário. Clientes e funcionários ganham as atenções de Martins com os cuidados em relação à saúde e educação.
''Não passa um mês sem que os funcionários façam um curso diferente'', explica o chef, que oferece aulas de inglês e italiano e massagistas para seus colaboradores. ''Penso no bem estar de todos tanto de quem vai ao restaurante quanto de quem trabalha'', garante. O cardápio do Pomodori muda constantemente, mas não deixa de privilegiar ingredientes saudáveis.
''Estou saindo da culinária francesa com muita gordura e manteiga'', explica o chef, que tem olhado mais para as receitas da Itália Mediterrânea. ''Não é para se empanturrar com a comida'', ensina. Peixes e legumes se destacam nas opções de Martins para ''trazer o melhor para quem está na mesa'', garante.
Nas férias, ao invés de pontos turísticos convencionais, o chef sempre programa visitas a restaurantes, tanto que já conhece quase todos os mais importantes do planeta. Este ano, a viagem à Inglaterra, tinha o colega Jamie Oliver como um dos alvos justamente pelo projeto do inglês de mudar as merendas escolares para cardápios mais saudáveis. ''Dá para ver tendências e novas técnicas'', ensina.
Se ele não descansa nem nas férias é porque relaxa enquanto trabalha. ''Eu me relaxo na cozinha'', garante Rodrigo Martins. A rotina não é das mais fáceis e a agenda inclui visitas nas primeiras horas da manhã a centros de compras como a Ceasa. ''É um prazer'', diz.
O contrato de consultoria com a Vino! inclui uma visita mensal à Londrina. Algo que ele, é claro, não reclama. Rodrigo não só revê a família em casa como também no trabalho. É que, curiosamente, a mãe de Rodrigo, Clarice, está na cozinha da filial londrinense e o deixa ainda mais confiante de que suas diretrizes vão ser seguidas à risca.

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