A volta do filho pródigo
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sábado, 16 de abril de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Há alguns anos, quando ainda morava em Curitiba, o estilista Giuliano Menegazzo deu o primeiro passo para uma revolução fashion na moda brasileira. Ao criar a grife Slam e suas roupas de náilon, material que até então era sequer cogitado para fazer parte do guarda-roupa, Menegazzo despontou como revelação entre os novíssimos criadores. Deixou a capital do Estado e voltou morar em São Paulo, onde achou, acertadamente, que sua marca iria crescer ainda mais.
Na história do estilista, as idas e vindas ao Paraná são uma constante. Nascido em Apucarana, foi morar ainda criança em São Paulo. Voltou na época em que precisou servir o Exército, em Curitiba. Apesar da rigidez das tarefas do dia-a-dia, Menegazzo acabou encontrando tempo para fazer moda. Autodidata, passou um ano como responsável pela linha de acessórios da grife Drop Dead.
Foi ao criar uma coleção inteira em náilon que surgiu a idéia de lançar marca própria com um sportswear bem diferente do que se via até então. ''Senti a necessidade do mercado, ninguém fazia'', lembra Menegazzo, que também foi vanguardista quando uniu suas criações à música eletrônica. ''Tive essa visão, essa sensibilidade'', completa. Autodidata, o estilista nunca fez cursos específicos. ''Desde criança fui sempre muito visual. Aos 10, 12 anos, minhas tias abriam o guarda-roupa e me perguntavam o que elas deveriam vestir. Isso nasceu comigo'', conta.
Ainda em Curitiba, Menegazzo ficou conhecido dos paulistanos porque vendia suas criações nos primórdios do Mercado Mundo Mix. Foi quando caiu nas graças da colunista de moda Erika Palomino. ''Ela me ajudou muito'', diz. Já com respaldo de boa clientela e a vontade de fazer a grife aparecer, ele voltou para São Paulo cheio de idéias. ''O público de Curitiba não assimilava a marca'', conta.
Em 1998, foi convidado a participar da Semana de Moda Casa de Criadores e, na logo primeira participação, fez um sucesso estrondoso. ''Foi quando as outras jornalistas me descobriram'', lembra, citando nomes respeitados na moda nacional como Lilian Pacce e Gloria Kalil. Na segunda edição, o estilista conta que o sucesso foi melhor ainda. ''Foi uma época da minha vida'', garante.
A grife cresceu pelas próprias pernas até onde deu. Para vê-la ampliada, Menegazzo decidiu vendê-la à uma malharia catarinense, sem deixar de se responsabilizar pelo estilo. Mas o novo jeito de criar só durou um ano. ''Ficou muito popular'', lembra o estilista, que preferiu lançar uma outra idéia, a Giuliano Sports, exclusivamente masculina.
Mas com criatividade de sobra, Menegazzo até se dá ao luxo de criar uma nova grife. E com isso volta pela terceira vez ao Paraná. É que desde novembro, o estilista tem vindo para Londrina todos os meses para agilizar o lançamento de uma segunda marca da Pura Mania. Com a assessoria do estilista, a novidade chega ao mercado com a coleção primavera-verão. ''Será voltada para o público formador de opinião'', adianta.
''Nunca pensei que fosse voltar a morar no Paraná'', avisa Menegazzo, que acaba de receber uma segunda proposta na cidade e por isso cogita a possibilidade de se mudar para Londrina. ''Se fechar o negócio, já estou de volta em uma semana, para morar'', garante. ''Nunca consegui guardar dinheiro, acho que agora vai dar'', planeja o estilista, que não só fez amigos por aqui, como também descobriu que o custo de vida é bem mais baixo. ''Lá em São Paulo, apesar de ser vip em todos os lugares, ainda é tudo muito caro'', diz.
A cada mês, quando vem a Londrina, Menegazzo passa uma semana. Em meio ano ''passando'' pela cidade, já conseguiu perceber o lado fashion dos londrinenses. ''A cidade tem um potencial para o jeanswear. Principalmente os meninos, que se vestem muito bem'', constata. Para a coleção nova que vem por aí, o estilista adianta que mudou o ''shape e o fit'' (modelagem) do jeans, que chega mais ajustado. ''Vai ter algo do sportswear italiano'', avisa.
''Quero fazer a moda acontecer por aqui'', planeja Giuliano Menegazzo, cheio de vontade. ''Londrina é um pólo de moda, de confecções, e pode se tornar um pólo criador'', garante. Para isso, ele promete se empenhar. Para quem já revolucionou o universo fashion uma vez, o caminho ficou mais fácil.


