Hoje é um dia especial para Ada Dalcol Costa. À noite, ela reúne a filha, netos e bisnetos, em Londrina, para comemorar o aniversário: 92 anos. Entre os convidados, também, uma legião de amigos que foi angariando vida afora, especialmente de 20 anos para cá, desde de passou a integrar a animada ‘‘galera’’ da Terceira Idade do Sesc.
Ada tem, sim, muito a comemorar. Chegou aos 92 anos com a mesma vontade de viver e o mesmo brilho nos olhos que tinha quando jovem. Preservou a elegância, conservou o jeito bem-humorado de ver a vida. A lucidez é espantosa, as idéias são arejadas. A saúde, garante, sempre foi de ferro. Come de tudo e mantém um segredinho de família para a longevidade: meia taça de vinho tinto para acompanhar o almoço. A receita para passar dos 90 com disposição Ada sintetiza num conselho: ‘‘Não se deve levar a vida muito a sério.’’
A trajetória de Ada Dalcol Costa não foi um mar de rosas. Pelo contrário, seu mérito está justamente em dar a volta por cima. Nascida e criada em Curitiba, casou-se aos 18 anos. Aos 20, nasceu sua filha, Glacy. Aos 21 anos ficou viúva e voltou a morar com os pais.
E por que nunca mais se casou? Ada acha graça da pergunta, que diz ouvir há 71 anos. Pretendentes surgiram, mas ela optou por viver só. Só em termos, porque sempre teve a companhia da filha, dos netos, dos bisnetos e de um batalhão de amigos.
‘‘Meu pai, conservador, costumava dizer: ‘Minha filha, você é nova, tem que se casar novamente, para não envelhecer sozinha.’ Mas eu não queria me casar outra vez. E até hoje eu nunca senti solidão. Estive sempre tão entretida com a vida que nunca tive tempo de me sentir só. Minha filha Glacy sempre foi uma companheirona. Além dela há os amigos, que não me dão sossego’’, brinca.
Em 1947, a filha Glacy conclui o curso Normal (Magistério) e veio estagiar em Londrina. Ada deixou pela segunda vez a casa dos pais. Glacy começou a lecionar numa escola da Vila Casoni e logo foi transferida para o Grupo Escolar Hugo Simas. Galcy conheceu o médico Moacyr Camargo Martins, com quem se casou e teve quatro filhos: Daniel, Marcos, Patrícia e Maria Cristina. Pronto, estavam fincadas as raízes na terra roxa. Depois vieram os netos (de Glacy) e bisnetos (de Ada): Renata, Guilherme, Gabriela, Marcela, Isabella e Fernanda.
A vida de Ada Dalcol Costa não parece nada monótona. Ela faz alongamento, caminhadas, tem amigos, vida social intensa. ‘‘Nunca recuso um convite’’, diz. ‘‘E se quero ir a algum lugar e não tenho companhia, vou sozinha, oras!’’ Tem uma agenda sempre cheia. Vaidosa, vai ao cabeleireiro, à esteticista. Cinema, teatro, concertos. Por que não?
Uma das pioneiras do grupo do Sesc Terceira Idade, já experimentou o glamour das passarelas. ‘‘Como manequim, sempre fui superaplaudida, era só eu pisar na passarela e o público não parava de aplaudir’’, conta. Mas uma das maiores aventuras de sua vida foi fazer parte do elenco de ‘‘Zona Paraíso’’, espetáculo montado pelo grupo da Terceira Idade do Sesc e que chegou a ser apresentado até na Alemanha. ‘‘Como nos divertimos!’’, lembra Ada.
Ela se considera uma pessoa de sorte ‘‘por ter conhecido muita gente boa, muito interessante, durante toda a vida’’. Tem por princípio ver o lado bom das coisas e não se queixar. E quando alguém lhe pergunta o que mudou neste mundo desde que era jovem, ela responde, sem hesitar: ‘‘Liberdade. Hoje temos muito mais liberdade.’’

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