Curitiba - Passados anos da libertação feminina, de padrões que hoje chegam a ser ridículos de ser lembrados tipo queimar sutiã e pedir ao marido para sair com as amigas , as mulheres enfrentam uma nova fase: a de se firmarem no mercado de trabalho sozinhas. Sem empurrão de ninguém. Sem favores.
Fernanda Bier, Patrícia Cassol, Tatiana Marcassa e Val Ruon a única que é somente decoradora, não terminou a faculdade de Arquitetura ainda estão fazendo por si mesmas o que ''pistolões'' antigamente faziam pelo clichê ''sexo frágil''. Juntas montaram um escritório onde a sociedade é uma palavra perdida no passado.
A Tacciato Espaço Projetado é uma mescla de parceria e amizade de anos. Surgiu para diluir despesas entre quatro profissionais que queriam trabalhar independentes, mas que necessitavam controlar o financeiro. ''Trabalhamos aqui com arquitetura, decoração e urbanismo. Achamos que chamar de sociedade é uma coisa complicada e que trabalhar em parceria, dividindo espaço e custo seria a melhor solução'', conta Val.
Desse jeito, as quatro vaidosas profissionais começaram a partilhar não só o espaço físico e as despesas, mas também os projetos encomendados. ''A gente vai dividindo os projetos que vão entrando. Uma faz parceria com a outra naquilo que entende mais. E também temos total individualidade com nossos clientes. Por exemplo, a Patrícia trabalha bastante com o Banco do Brasil, e é só ela que faz, nós não entramos'', exemplifica Val.
''O gostoso de trabalhar aqui é que, por mais que a gente tenha serviços individuais, temos a cabeça das outras. Sempre estamos dividindo projetos e melhorando todos. Dos primeiros que fizemos para os de agora já evoluímos muito'', fala Fernanda Bier.
Além da troca de experiências, um item fundamental para o crescimento profissional de qualquer carreira, as quatro ainda contam com o aumento da clientela. ''Na realidade, quando você faz um serviço bem-feito e as pessoas vêem, o boca-a-boca começa a funcionar'', complementa Val.
''A indicação de uns para os outros é o que mais funciona para nós'', diz a única decoradora do grupo. Segundo ela, como há uma mescla de preferências no escritório, há também períodos em que desenvolvem mais um tipo de trabalho. A atual fase é comercial. ''Estamos fazendo um escritório de odontologia e uma agência de turismo. O mercado vai nos levando em função de um cliente trazer o outro.''
E rola de uma não gostar de um determinado tipo de serviço? ''Não. Mas sempre tem uma coisa que fazemos melhor que a outra. A gente acaba dividindo essas afinidades naturalmente. No conjunto da criação todas participam. Temos quatro personalidades muito fortes aqui'', conta Fernanda Bier.
Mantendo um equilíbrio entre os gênios fortes, elas vão levando, sem muitas farpas, uma relação antiga, vinda da faculdade. Uma das manhas de manter a paz dentro do trabalho é ter vidas privadas independentes. Todas têm compromisso. Val é casada e tem filhos. Fernanda é a que mais gosta de badalações. Patrícia a mais quietinha e Tatiana a mais ponderada.
''O mais importante é que quando entramos aqui já nos conhecíamos e sabíamos lidar com o defeito da outra. E existe um afeto também. Já mudamos bastante. Nos tornamos mais maleáveis'', interfere Tatiana.
''Nossa vida social é separada. Temos turmas diferentes e não ficamos estressadas 24 horas por dia juntas'', fala finalmente Patrícia. ''E essa vida social separada também é o que atrai os clientes'', diz Fernanda.
E esse momento de crise financeira geral. Como administram os ganhos? Bem, com muito jogo de cintura, elas vão cotizando os clientes que cada uma consegue. Dão sempre prioridade para as parceiras que têm dentro do escritório. Isso não quer dizer que estejam fechadas, que não recebam mais ninguém para trabalhar com elas. Mas a união está forte ali dentro. Esse é o macete para todas estarem satisfeitas com seus ganhos. Uma ajuda outra com a certeza de que a volta vem. Uma troca salutar que mostra como a sensibilidade feminina começa a inventar novas fórmulas de convivência profissional.

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