A última tentação na telinha
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de julho de 2005
Luiz Almeida<br> TV Press 
Na televisão brasileira, a disputa pela audiência é uma batalha encarniçada. E nenhuma emissora quer ser nocauteada e ''beijar a lona''. São vários os golpes aplicados na tentativa de conquistar alguns pontinhos e áá quase literalmente á seduzir os telespectadores. As estratégias, é claro, também são as mais diversas. Mas uma que nunca sai da moda é explorar a nudez feminina. Seja nas tramas de novelas, seja em programas de auditório, exemplos não faltam. E para a euforia ''voyerista'' dos telespectadores, parece que a farta exibição das formas curvilíneas de atrizes e modelos não deve terminar tão cedo.
No SBT, a prova mais recente de como essa tática pode dar certo é a reapresentação de Xica da Silva, novela primeiramente transmitida pela extinta Manchete, entre os anos de 1996 e 1997. Com sortida exibição de cenas picantes e sensuais, além de explorar bastante a nudez das atrizes do elenco, o SBT conquista diariamente bons índices de audiência no horário á a média é de 12 pontos, com picos de 20.
Mesmo sendo uma reapresentação, muitos telespectadores apreciam as cenas picantes de beldades como as atrizes Carla Regina, Giovanna Antonelli e a própria personagem-título, Taís Araújo. A protagonista, aliás, gerou grande expectativa na época em que a novela era gravada. Isso porque Taís Araújo, então uma atriz iniciante, somente tirou a roupa quando, enfim, completou 18 anos de idade.
Outra que estreou em Xica da Silva e deu o que falar foi a atual apresentadora Adriane Galisteu. Clara Caldeira Brandt, a personagem de Adriane, ''esquentou'' a trama numa cena de estupro e depois passou a desfilar seminua a cada capítulo, sempre com um olhar perdido. Certamente ainda mobiliza muitos marmanjos na atual reexibição.
Na Globo, por sua vez, os ''voyeurs'' de plantão não têm do que reclamar. A novela América se esforça para dar sua contribuição ao despertar da libido nacional. Só pode ser essa a função de um personagem como a ''bonitinha mas ordinária'' Creusa, interpretada pela atriz Juliana Paes. Despudoradamente rodrigueana, Creusa revela suas fartas curvas a incautos machos que surgem pelo caminho, para os quais se exibe em sumárias peças íntimas.
Também quase despidas, as garçonetes oferecidas capitaneadas por Sol dão ''tudo de si'' a cada capítulo, rebolando freneticamente sobre o balcão daquele improvável botequim de Miami.
Mas as novelas não podem ser acusadas de terem o monopólio da exploração excessiva do ''sex appeal'' na televisão. Alguns programas de auditório também dão sua cota no processo de erotização da audiência e culto ao corpo feminino. É quase diário o desfile de mulheres apresentando uma nova coleção de lingerie. E não são as esqueléticas e anoréxicas modelos das passarelas dos ''fashion weeks'' da vida. Pelo contrário. Em programas como o Superpop, da Rede TV!, e o Boa Noite Brasil, da Band, por exemplo, as mocinhas são bem ''vitaminadas''. Mas esses desfiles de calcinha e sutiã são ''biscoito fino'' se comparados à baixaria explícita no abjeto teste de fidelidade do programa Eu Vi na Tevê, comandado por João Kleber na RedeTV!. O certo é que, enquanto os números comprovarem que mulher nua atrai a audiência, os figurinistas vão ter cada vez menos trabalho nas emissoras.


