Aos 24 anos, Thiago Lacerda pode se dizer um profissional bem-sucedido. Como ator e alvo da cobiça feminina , ganhou fama e dinheiro de sobra. E acredita que, mesmo que seus belos olhos verdes e 1,93 m de altura o tenham ajudado na carreira fulminante, não seriam capazes de mantê-lo no topo a longo prazo. ''Tenho prazer com meu trabalho e não estou nessa profissão para brincar de galã'', avisa. Entre a correria das gravações da novela ''As Filhas da Mãe'' e os compromissos decorrentes de sua participação no filme ''A Paixão de Jacobina'', de Fábio Barreto, sobra muito pouco tempo. Até para entrevistas.
De fato, Thiago bem que tentou, mas não conseguiu ficar muito tempo longe das novelas. Depois do estouro como Matheu, em ''Terra Nostra'', trabalho que emendou com o boêmio Mário, na minissérie ''Aquarela do Brasil'', tudo que o ator queria da vida eram umas férias, com apenas breves aparições na tevê. ''Aquilo foi uma maratona! Eu merecia dar um tempo!'', acredita. Mas os planos do rapaz não resistiram à proposta tentadora de Sílvio de Abreu. Foi o próprio autor quem o convidou para viver Adriano, o ambicioso vilão de ''As Filhas da Mãe''. O convite para a novela das sete fez Thiago adiar para o ano que vem seus planos de montar a peça ''Círculo das Luzes'', de Doc Comparato.
Mas como o ator só quer fazer teatro quando puder se dedicar integralmente ao palco, ninguém garante quando a montagem realmente sai. Afinal, em junho do próximo ano, começam as gravações de ''Uê Paisano'', a continuação da novela ''Terra Nostra'', de Benedito Ruy Barbosa. Thiago Lacerda evita falar do assunto, ''em respeito ao meu trabalho atual, com Sílvio de Abreu''. Mas, segundo o próprio Benedito, seu nome está mais do que cotado para protagonizar a nova saga dos imigrantes italianos em terras brasileiras. Ao que parece, não será desta vez que Thiago terá suas sonhadas férias...

O Adriano de ''As Filhas da Mãe'' é seu primeiro grande vilão. Como está sendo a experiência?
Por enquanto, o Adriano é mais um cara mau-caráter do que um ''vilãozão''. Acho que ele ainda pode ser muito pior do que mostrou até agora. Em ''Pecado Capital'', eu fiz um playboy. O Vicente era um aprendiz de Adriano. Por isso, considero este meu primeiro vilão de verdade. Sem dúvida é bem mais gostoso.

No final de ''Aquarela'', você chegou a dizer que gostaria de ficar um ano longe das novelas. O que o motivou a mudar de idéia e aceitar esse papel?
O papel era simplesmente irrecusável. Eu tinha mesmo pensado em me afastar por um tempo de novela porque, depois de duas produções seguidas, o ator fica cansado e com a imagem saturada. Até que, em março, o Sílvio me fez o convite. Era tentação demais! Ele me falou do personagem, da sinopse, do elenco da novela... Achei a proposta muito bacana e estava certo.

Mas num elenco com tantas estrelas não existe o risco de uma briga de egos, uma disputa por espaço?
Não, porque ali as estrelas não precisam mais provar que têm talento. E, se um faz bem, todo mundo cresce. Pelo menos é assim que eu penso. O elenco foi justamente uma das razões que me levaram a topar fazer esta novela. Eu queria conviver com os feras, ver como eles trabalham, como é o processo de cada um. Não se trata de copiar, mas de aprender e experimentar, no meu trabalho, aquilo que tem mais a ver comigo.

Você fez um episódio de ''Brava Gente'' em que interpretou um personagem cômico, mas esta também é sua primeira novela dedicada à comédia. É uma faceta nova a ser explorada?
No ''Brava Gente'' eu me esbaldei. Fiquei sujão, botei dente de ouro e, se não me segurassem, faria muito mais. Naquele trabalho tive mais liberdade do que na composição do próprio Adriano, que não é particularmente engraçado. Mas, como a novela é uma comédia, o vilão acaba metido nas enrolações do Sílvio. O bom é que estou fazendo algo bem diferente do herói romântico.

O Adriano vai se envolver com a Rosalva, personagem da Regina Casé, que tem um tipo físico comum. Como você encara esse romance, que foge ao estereótipo de novela, em que o homem bonito só namora mulheres deslumbrantes?
O Sílvio de Abreu adora desmistificar tabus. Por que a bonitinha só pode namorar o bonitinho? E por que o bonitinho só pode namorar a bonitinha? Ele me colocou para fazer um vilão, depois que me dei bem com dois heróis. Botou o Tony Ramos para fazer uma comédia rasgada, um cara louco completo. O Sílvio gosta de provocar o público. Essa coisa de ''bonito-feio'' ou ''feio-bonito'' é mais uma fórmula que ele tenta desfazer. E eu particularmente adoro surpreender as pessoas.

E quanto à continuação de ''Terra Nostra''? Você está confirmado no elenco?
Quando acabar ''As Filhas da Mãe'' a gente fala disso...

O que aconteceu para você ficar tão reservado sobre esse assunto?
Andaram dizendo que o Thiago Lacerda iria sair de ''As Filhas da Mãe'' para fazer a novela do Benedito. Isso foi muito chato. Outro dia mesmo liguei para o Sílvio e disse: ''Sílvio, se depender de mim, eu fico até o fim da novela. Ou até quando você quiser''.

Mas se o Benedito confirmar o convite, você está no elenco?
O que eu posso dizer é que adorei trabalhar com o Benedito. Acredito nas coisas que ele faz de olhos fechados. Sempre que ele precisar de mim, estarei disponível. Até porque eu quero muito trabalhar com o Luiz Fernando Carvalho, que deve ser o diretor da novela.

Você acaba de filmar ''A Paixão de Jacobina'', de Fábio Barreto. Foi difícil conciliar as filmagens com a gravação da novela?
Essa foi a parte mais difícil. Eu filmei durante 11 dias. Era novela no Rio de Janeiro e filme no Rio Grande do Sul. Eles me davam o plano de filmagem e eu tentava conciliar com o roteiro de ''Filhas''. Queria passar um tempo maior no set para incorporar melhor o espírito do filme, mas não foi possível. Precisei de muita concentração para esquecer a novela. Era outra linguagem, outra história e outro personagem.

Há um ano, você disse que ainda não estava pronto para fazer cinema. O que mudou afinal?
Na minha vida tudo acontece muito rápido. Às vezes eu nem estou esperando e acontece. Julguei que essa era uma boa oportunidade para estrear no cinema. Um personagem forte, uma história forte. Tem tudo para ser um dos grandes filmes nacionais de todos os tempos. Como é que eu iria ficar de fora dessa?

Sua carreira fulminante na tevê se deve a essa vontade de estar sempre ''por dentro'' das grandes oportunidades?
Sem dúvida, se eu não tivesse a cara-de-pau de me oferecer para um teste em ''Terra Nostra'' jamais teria conseguido o papel do Matheu. Mas o sucesso é resultado de muito trabalho. Eu não tenho a ilusão de que estou no auge, mas ''ralo'' muito para me tornar um bom ator.

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