A SERVIÇO DA BELEZA
Iara Lessa
Especial para a Folha Gente
Afrodite está em alta. A deusa da beleza sobrevive em nossos dias e dá pinta de que entra o ano 2000 firme e forte. Nunca falou-se tanto em driblar as marcas do tempo, corrigir pequenos defeitos, preencher algumas rugas, enfim, buscar o belo e as vantagens que ele traz.
Mas o que faz uma pessoa realmente bonita? Para a cirurgiã plástica Dolores Cristina Mamprim, a beleza não é somente um conceito geométrico, capaz de ser esculpida ou delineada. A beleza é, antes de tudo, uma questão de atitude. A harmonia de formas e a proporção de medidas torna o conjunto agradável, mas a beleza vai além. Tem um quê de mistério, que muitas vezes faz a gente achar a pessoa bonita, mas não exatamente por ela ter um nariz perfeito, ou um belo corpo ou lindos olhos. Quando uma pessoa é realmente bonita, não existe a predominância de um traço apenas. E, mesmo os pequenos defeitos, parecem que deixam imediatamente de existir. Pragmático? Nem tanto.
Formada em medicina pela Universidade Estadual de Londrina, Dolores foi a primeira mulher com título de especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica a fincar seus domínios no interior do Estado. Ainda hoje, depois de 10 anos atuando em Londrina, esta médica divide as honras, pontos e bisturi com apenas cinco outras cirurgiãs no interior do Paraná.
Esta bonita cirurgiã, que faz parte da diretoria da Associação Médica de Londrina - aliás, esta é a primeira vez que uma mulher ocupa um cargo na diretoria da instituição -, nasceu em Cambé, neta de pioneiros da cidade. Filha de seo Argeo e Dona Adelaide, sanduíche entre os irmãos Argeo Júnior e Jaqueline, Dolores sempre quis ser médica. Aos 17 anos foi à luta, passou no vestibular e foi em busca de seu sonho. Cursou medicina e fez especialização em cirurgia geral na UEL. Depois foi para São Paulo, fazer especialização em cirurgia plástica no Hospital dos Defeitos da Face.
Eu estava no lugar certo, na hora certa. Na época da minha especialização, o Hospital dos Defeitos da Face era o único hospital que se que dedicava exclusivamente à cirurgia plástica na América Latina. Tínhamos uma rotina incrível. Eram inúmeros os casos de queimados e acidentados que atendíamos, tanto em cirurgias reparadoras quanto nas estéticas. Não havia outro lugar no Brasil onde eu pudesse operar tanto e com uma variedade tão grande de casos. Fazíamos em média 4 cirurgias estéticas por dia, relembra.
A médica, que agora está desenvolvendo uma técnica própria de correção cirúrgica de hipertrofia (aumento exagerado) e flacidez de mamilo, encara a cirurgia estética como um desafio. O cirurgião plástico leva para um hospital, para um centro cirúrgico, uma pessoa que está bem de saúde mas deseja melhorar sua aparência. É uma grande responsabilidade. O paciente procura a cirurgia plástica para satisfazer um desejo pessoal e, se este desejo puder se realizado, isto é importante. Gera qualidade de vida, que também é um dos componentes da beleza. Estar bem consigo mesmo é um direito que todo mundo tem.
Dolores conta que já perdeu a conta das vezes que um paciente entra no consultório e, à primeira vista, a pessoa está ótima. Muitas vezes, a pessoa entra no consultório e eu penso nossa, mas ela é muito bonita, o que será que está incomodando? Sempre tem uma papadinha no queixo, ou uma flacidez ou qualquer outra coisa que incomoda a pessoa. A cirurgia plástica oferece soluções ótimas para muitos problemas. Por exemplo, a orelha em abano. Muitas pessoas sofrem com isto e corrigir é um procedimento cirúrgico simples e com ótimos resultados. Agora, o que não pode é ficar escravizado pela beleza. Aí, não tem cirurgia plástica que de jeito.
A médica, que nas horas vagas tem se deliciado com a leitura dos cantos de A Divina Comédia, do poeta italiano Dante Alighieri, acredita que estamos no limiar de uma nova estética. Desta vez mais livre, mais pessoal. Caminhamos para padrões de beleza mais individuais. O que vai importar é que a pessoa esteja bem. Uma pequena flacidez ou um pouco de celulite não serão considerados um crime estético mortal se a pessoa conviver bem com elas. É lógico que com 150 quilos ninguém vai ficar legal (esteticamente ou de saúde), mas esta era de mulheres muito magras está chegando ao fim, arrisca um palpite. Tomara que ela esteja certa!





